Dos lançamentos recentes do serviço streaming disponíveis nas plataformas online, há filmes para serem assistidos e filme pra não ser assistido, como preferir. Vamos ao que viemos.
A ÚNICA SAÍDA - Homem de meia-idade, Man-su (Lee Byong-hun, em estupenda interpretação) é abruptamente demitido da fábrica de papel onde trabalhou incansavelmente durante 25 anos após a empresa ser vendida para uma companhia norte-americana. Como voltar ao mercado de trabalho e manter seu abastado estilo de vida nessa situação? A resposta que ele encontra é bastante radical e, ao mesmo tempo, bem simples: basta eliminar a concorrência. Para ele não há outra solução para resolver seu problema. Refletindo como viver uma vida ética em mundo antiético, o cineasta sul-coreano Park Chan-wook com precisão e no seu estilo singular vai direto ao âmago do que significa ser humano em uma época de rápidas mudanças globais e tecnológicas onde emprego seguro, decente e “garantido” é coisa do passado com uma crítica mordaz e inteligente à corrida corporativa desenfreada, denunciando um sistema perverso de frente, sem rodeios. Sangrento, perturbador e moralmente complexo, o filme é uma obra-prima moderna do século XXI. MUBI
.
EDDINGTON - A pandemia de Covid-19 tem gerado histórias, seja de maneira metafórica ou explícita. O filme do roteirista e diretor Ari Aster aborda de maneira direta justamente este período. A ação se desenrola em maio de 2020 na pequena cidade que dá título ao filme, localizada no interior do Novo México. É lá que uma desavença entre o xerife (Joaquin Phoenix) e o prefeito (Pedro Pascal) transforma o local em um verdadeiro barril de pólvora. Ambos possuem visões bem distintas em relação às ações de prevenção do vírus, em especial no que se diz respeito ao uso de máscaras. Rapidamente a cidadezinha se transforma em um campo de batalha colocando vizinhos uns contra os outros, deixando para trás a serenidade e a tranquilidade que aparentemente predominava no local. Reflexo de um momento insensato global, peculiar.Intrincada e hiperbólica, a trama, quase surreal, envolve muito mais do que a obrigatoriedade do uso de máscaras. Com um olhar aguçado para o que há de mais absurdo na natureza humana, o filme revisita este momento tumultuado da história mundial mirando na esquerda, na direita e em todas as idéias malucas entre elas no espectro político, com uma narrativa obsessivamente detalhada, rebelde, inclassificável e, por vezes, exasperante que parece criada para incomodar. Ambiciosa, indomável e desconfortável de assistir, a produção é uma obra-prima do cinema arte de deixar o espectador imerso em um transe estranho, porém fascinante, pois não consegue desviar os olhos do que vê. APPLE TV
MELANIA - O documentário do diretor Brett Ratner sobre a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, durante os 20 dias que antecederam a posse do segundo mandato do Presidente Donald Trump, em que organiza os preparativos, lida com as complexidades da mudança para a Casa Branca, experimenta vestuário e traz sua família de volta para a capital do país é, na verdade, um exercício de relações públicas sem vida disfarçado de gênero cinematográfico. Não oferece nenhuma visão, nenhuma honestidade e absolutamente nenhuma perspectiva crítica. Não há profundidade, nem emoção. A impressão que a ex-modelo eslovena passa é de uma mulher fria, calculista, cara de pau. Nada nela é natural, nenhum passo, nem um gesto. Suas conversas são troca de amenidades - o papo online dela com Madame Macron, a primeira dama da França, é hilário, só vendo. Enfim, o produto é uma vergonhosa bajulação, tão orquestrado, retocado e encenado com uma breguice impressionante. Não à toa, foi achincalhado pela crítica e por boa parte do público (esquerdista, claro!). Fuja dessa bomba. NETFLIX
ATO NOTURNO - Um ator ambicioso e um político em ascensão iniciam um caso secreto e descobrem que compartilham um fetiche por sexo em lugares públicos. Durante o dia, eles se apresentam para receber aplausos, e a noite arriscam tudo.À medida que se aproximam do sucesso profissional, cresce cada vez mais o desejo de se colocarem em risco, causando um conflito entre a imagem pública e o impulso íntimo. O cenário é o espaço urbano noturno da capital gaúcha, Porto Alegre, com uma atmosfera banhada por luzes de neon. O risco de serem pegos é parte central da vida sexual dele, Para ambos, o jogo é ao mesmo tempo libertador e ameaçador, uma forma de se libertar dos papéis impostos pela sociedade e para suas carreiras, mesmo quando o perigo da exposição ameaça destruir tudo o que construíram. Neste seu terceiro filme de temática gay, a dupla Márcio Reolon e Filipe Matzembacher, com inteligência, expõe a dialética entre se esconder se exibindo e se exibir se escondendo, questionando o preço absurdo que uma pessoa queer tem que pagar para alcançar um certo nível de sucesso aos olhos do público. E tem o prazer de nos fazer refletir examinando e rejeitando o machismo e a respeitabilidade, convidando-nos a deleitarmos no caso. Mantendo o erotismo em jogo até os surpreendentes momentos finais, a história provoca, incomoda e deixa perguntas no ar, desafiando o que é esperado tanto dos personagens quanto do espectador. Um grande filme “bad gays”:peculiar, sedutor, extravagante e subversivo. CLARO TV / VIVO TV
A EMPREGADA - O diretor Paul Feig adapta em modo turbinado o best-seller de Freida McFadden neste thriller psicológico trash aumentando gradualmente a tensão cujo resultado final é surpreendentemente assustador. Tentando escapar do passado, Mielli (Sydney Sweeney), detenta em liberdade provisória, aceita um emprego como empregada doméstica na casa dos ricos Nina (Amanda Seyfried) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar). Mas o que começa como um emprego dos sonhos rapidamente se transforma em algo muito mais perigoso: um jogo sexy e sedutor de segredos, escândalos e poder, Por trás das portas fechadas dos Winchester, esconde-se um mundo de reviravoltas chocantes. Manipulando expectativas, perspectivas e medo, a trama mergulha em um mundo distorcido onde a perfeição é uma ilusão e nada é o que parece oferecendo uma espiada tentadora pelo proverbial buraco da fechadura. Sensual, insano, envolvente, cativante e muito divertido é um filme sensacional e satisfatório. PRIME VÍDEO




