NA HORA
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Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 11 de Fevereiro de 2012, 13h:15

ENTREVISTA

Uma escritora entre duas culturas

A autora brasileira Viviane de Santana Paulo, além de poeta, é também ensaísta, e residente na Alemanha há quase 20 anos. A conversa de hoje é com ela

Floriano Martins*
Especial para o Diário de Cuiabá
Em uma das orelhas do livro Depois do canto do gurinhatã (2011), escrevi o seguinte: “Contrária à lírica evasiva de seu tempo – quase diria alienada, não fosse o desgaste deste adjetivo – a poesia em Viviane de Santana Paulo traz para o convívio de seu verbo a ferrugem, a acidez, a angústia, na mesma proporção em que a alegria de viver, o milharal da memória, a flor do orgasmo. Faz de suas páginas o lugar de encontro de todas as perspectivas do humano. Não cultua os trocadilhos gratuitos de seus pares, não se exime de conferir realidade a cada imagem debulhada, nem expia culpas com seu discurso. Ao revelar o excesso que há no interior de cada cena, acentuando-lhe os vícios, os quadrantes vazios, cuida também de esvaziar as habitações de toda e qualquer tática de subterfúgios.” Sua autora, a brasileira Viviane de Santana Paulo (1966), além de poeta, é também uma notável ensaísta, residente na Alemanha há quase 20 anos. Antes deste livro, ela publicou dois outros, Passeio ao longo do Reno (2002) e Estrangeiro de mim (2005). Desde seu posto estratégico na Alemanha, tem sido uma valiosa e constante colaboradora da Agulha Revista de Cultura, trazendo para leitores brasileiros informações sobre a cultura alemã. O diálogo a seguir atua como um termômetro, que nos ajuda a compreender um pouco do que pensam sobre o Brasil escritores que há muito vivem no exterior. FLORIANO MARTINS: Há quase duas décadas vives na Alemanha. De que modo esta ausência física do Brasil atua em tua convivência estética com a tradição lírica brasileira? Tua formação como poeta está naturalmente influída pela residência alemã. Quais aspectos em particular foram mais evidentes em sua cultura que te ajudaram a esboçar e definir uma visão de mundo? VIVIANE DE SANTANA PAULO: Viver no exterior nos possibilita ver e julgar muitos aspectos do país natal através de um ângulo mais abrangente. Não raro somos induzidos a tomar uma posição política nas conversações com amigos. Um brasileiro que vive no exterior é levado, em determinadas situações, a representar o seu país. Somos mediadores da cultura brasileira. Tal condição nos induz a refletir sobre as nossas raízes. O que talvez não fizéssemos, não desta forma crítica e profunda, se tivéssemos sempre vivendo no país natal. Por outro lado, perdemos a capacidade de julgar algumas mudanças e normas, que variam na sociedade conforme o seu desenvolvimento, porque não estamos acompanhando este desenvolvimento de perto. Mas na criação, além do espaço geográfico, é o espaço imagético que conta, e este espaço é apolítico e apátrida. É indiscutível que as experiências vividas no mundo real influenciam o autor. Como minha infância e adolescência foram vividas no Brasil e, para repetir uma citação de Ingeborg Bachmann: “sem que o escritor tenha consciência são os anos da infância seu verdadeiro capital… o que vem depois, e que até pode ser considerado muito mais interessante, em nada acrescenta, estranhamente, apenas que, anos mais tarde é que se começa a entender o que se viu com o primeiro olhar”, considero as raízes da minha literatura arraigadas na cultura brasileira, mesmo porque escrevo em português, entretanto, o que veio depois, que é a cultura europeia, especificamente a alemã, acrescentou sim, muito, na minha criação e visão de mundo. Esta influência me fez definir melhor o meu estilo e me tornou mais consciente sobre as questões da identidade. FM: Quando preparei uma antologia da poesia boliviana, em minhas pesquisas descobri um poeta nascido na Bolívia e que posteriormente passou a maior parte de sua vida em Minas Gerais. Seu nome é Wilson Rocha (1921-2005). De alguma maneira este poeta acabou esquecido, seja como brasileiro ou como boliviano. A tua produção literária (poemas, narrativa, ensaios) se mantém em português, de maneira que não habitas a cena literária alemã. No entanto, a tua longa ausência do Brasil talvez constitua um obstáculo para a recepção de tua obra como a de uma escritora brasileira. Acaso tens esta sensação? VSP: Sem dúvida, trata-se de um obstáculo. Infelizmente ainda há muito de provinciano no cenário intelectual brasileiro, e não digo da parte dos leitores, mas dos editores e críticos. Se houvesse uma crítica mais autêntica e consciente de sua função (orientar os leitores para uma boa leitura, uma leitura crítica, na qual se extrai a essência do livro e não uma crítica baseada em favores para amigos escritores ou de jornalistas escritores em que apenas se elogia um livro de forma superficial, oca). Se houvesse uma crítica que abrisse novos caminhos, novas fontes de leitura, ao invés de se acomodar falando somente bem ou mal de um livro. Se não houvesse uma enxurrada de preconceitos neste meio, o panorama da literatura brasileira seria muito mais diversificado e rico. Às vezes penso que as editoras só publicam livros de jornalistas, porque estes já possuem um pé na mídia para facilitar a divulgação do livro e da venda. No caso dos poetas, eles devem ser os tradutores da casa, as editoras só publicam os poetas que estão empregados como tradutores na própria editora. Assim fica difícil dar chance para um autor original fora deste meio. Infelizmente não existe nenhum Maurice Nadeau brasileiro. Mas estes preconceitos não se encontram somente no Brasil, no resto da América Latina não é muito diferente. Wilson Rocha teve o azar de ir para o Brasil e não para a Espanha. Se tivesse ido para a Espanha, teria publicado os seus livros lá, teria sido inserido no mercado internacional e adquirido o devido respeito. O Brasil não sabe reconhecer muitas coisas valorosas de sua própria cultura. Esta sempre foi uma lamentável dificuldade que o Brasil possui. E ironicamente é inumerável tudo aquilo que ele possui de culturalmente rico que é tratado com indiferença. A Espanha incentiva os autores hispano-americanos. A França os autores africanos. Nos Estados Unidos uma brasileira chamada Frances de Pontes Peebles, escreveu um romance em inglês, The seamstress, que foi traduzido para o espanhol e alemão, e está obtendo considerável sucesso. Comparam-na com García Márquez e Isabel Allende. Mas o Brasil será o último a tomar nota disso. A Alemanha incentiva os autores árabes e persas, como Rafik Schami e Navid Kermani, que são bem conceituados. Entretanto, quem escreve em uma língua estrangeira que não seja o inglês ou francês, não tem chance na Alemanha. Por outro lado, se Navid Kermani e Rafik Schami escrevessem numa destas línguas já teriam alcançado reconhecimento internacional. Acontece que o alemão e o português não são um idioma internacional, como o espanhol, o inglês e o francês. FM: Considerando infância e adolescência vividas no Brasil, portanto a fonte mágica de onde se originam afinidades estéticas e visão de mundo, quais aquelas recorrências positivas que foram pouco a pouco definindo as tuas contas, o teu colar existencial? VSP: Bom, são muitas, mas mencionarei apenas algumas. Em casa tínhamos uma modesta biblioteca onde havia a enciclopédia Abril, livros da mitologia grega e egípcia, e a coleção do Círculo do Livro, uma coleção de contos de fadas com lindíssimas ilustrações. Eu amava esses livros. E as férias na praia, no litoral próximo a Peruíbe, em meio à mata Atlântica. O mar me fascina, pensei que não conseguiria viver longe dele. O ruído estrondoso das tempestades com os clarões dos relâmpagos (as tempestades alemãs não são barulhentas, embora a mudança do clima esteja gerando fortes tempestades também na Alemanha) e o por do sol. Morávamos em um sobrado em São Paulo, e quando do quintal eu via o vermelho do sol, corria para o meu quarto para admirar o crepúsculo da janela. Aos poucos o céu foi sendo coberto pelos prédios enormes. Não existe mais o avermelhado, abóbora, rosa, roxo do crepúsculo, agora as cores foram esmaecidas pela poluição. Outra imagem que ficou na minha memória, mas que não é positiva, são os mendigos no Viaduto do Chá. Eu tinha que atravessar aquele viaduto para ir trabalhar em um escritório no centro. Todos os dias passando por aquelas pessoas no chão: mães, crianças, velhos, doentes, famintos, imundos, as crianças de rua abandonadas. Até hoje me dói muito ver tal coisa. Eu precisava descobrir que isso não é normal, que se trata de um problema social e não que a Humanidade é assim, injusta e indiferente. Também por este motivo queria conhecer outro país. Viajei por muitas cidades brasileiras, mas como minha família vive em São Paulo, sempre visito esta cidade. São Paulo está presente em muitos dos meus poemas urbanos. FM: Algo que me encanta em tua poética é esse aspecto visceral que torna a tua experiência de vida – de que fazem parte aspectos como sonhos, visões, devaneios, frustrações – presente no poema como um determinante que é a sua própria razão de ser. O poema como reflexo do que és, fusão de planos como o abstrato e o concreto. Mitologias, contos de fadas, sim, leituras postas em um caldeirão cujo ingrediente mais apimentado era o teu percurso diário pelo Viaduto do Chá. Mas as referências poéticas, quais? VSP: Eu não diria que o Viaduto do Chá é um ingrediente em minha poética, procuro tratar de temas diversos, impressões ou reflexões sobre os acontecimentos do dia-a-dia, algum sentimento, imagem, ou é simplesmente a atração por uma determinada palavra. Leio muito, desde os clássicos aos vanguardistas (as mitologias e os clássicos são essenciais), e as minhas referências são muitas. Não faz sentido listá-las aqui. FM: Recordo aqui passagem de um livro autobiográfico de Lêdo Ivo: “Na literatura brasileira, ninguém caça, ninguém pesca, ninguém ama, ninguém vive. É uma literatura livresca, que só sabe respirar o ar abafado dos livros.” Temos aqui o tema do excesso beletrista de nossas letras. Na lírica, o desastre é completo. Desde o Parnasianismo que jamais saímos do… Parnasianismo. As exceções seguem com o péssimo hábito de apenas confirmar a regra. Tu és parte da exceção. A regra é remediável? VSP: É natural que nos tempos atuais se faça tudo quanto é tipo de poesia. Faz parte da criação experimentar caminhos inusitados e tentativas frustradas. Hoje em dia há muitos poetas e poesia. Não acho ruim, se há leitores neste meio, por que não? Por outro lado, cabe aos acadêmicos e aos críticos reconhecer os poetas promissores e selecionar aqueles que realmente têm uma obra representativa dos amadores. Acredito que existe um foco muito grande para um determinado tipo de literatura e estilo e se ignora outros que são originais e de boa qualidade. A literatura é arte e como arte precisa ultrapassar fronteiras e desafiar as regras. Não obrigatoriamente, mas esta é uma característica inerente à arte. A literatura não é feita só de palavras, é preciso sangue e pulsação. O leitor quer, de alguma forma, identificar-se com aquilo que ele lê. A escrita precisa tocá-lo. Isto não quer dizer que James Joyce, por ser um autor “difícil” criou uma literatura só de palavras. Joyce criou algo autêntico, escreveu o que ele via e sentia que, por consequência de sua complexa personalidade, tornou-se uma leitura elitista. O que não é negativo. A arte sempre teve o seu lado elitista e o popular. Existe na literatura, mais do que em qualquer outra manifestação artística, o aspecto elitista. Acredito que no Brasil há muitos escritores originais e ousados, mas continuam inéditos. As editoras brasileiras são demasiadamente mercantilistas. Tratam a literatura como um produto de mercado e não como um bem cultural, que precisa ser incentivado, apoiado, desenvolvido e conservado. FM: Eu gosto de teu coração aberto. Palavras, sangue, pulsação – eis aí uma boa receita, que naturalmente pode ser quebrada por uma empresa a frio que se apresente como boa e aguda o suficiente para instigar e alimentar uma época. Se estivéssemos fazendo sociologia poética, aqui poderíamos tratar de ambientes os mais tresloucados decorrentes do dadaísmo, do surrealismo etc. Por vezes me parece que te preocupa a recepção de tua obra, pela forma como destacas o leitor. Qual o interlocutor sonhado da poesia de Viviane de Santana Paulo? VSP: Logicamente o leitor é importante. Sou, antes de qualquer coisa, uma assídua leitora, leio mais do que escrevo. Adoro ler! E o escritor escreve para ser lido. Quero sim ter leitores como eu, abertos a uma visão diferenciada da realidade e que goste de refletir. Respeito os leitores porque sou uma, por isso sei que são diversificados e buscam também novas formas de literatura, e, neste mar de livros de entretenimento, auto-ajuda, ficção científica, literatura estrangeira, brasileira, e assim por diante, necessitam de um leme, este leme é a crítica literária para cada estilo. Um bom livro de entretenimento também possui as suas qualidades, assim como um bom crime ou ficção científica, diferente de um Guimarães Rosa ou Clarice Lispector, por exemplo, leituras que exigem grande introspecção. Na Alemanha todo tipo de literatura é valorizado, dentro de sua categoria, e há leitores para todos eles. Agora, quanto à recepção da minha obra, é um mistério. Não faço a mínima ideia porque ainda não há recepção. Enfrento dificuldades de publicação, não sou jornalista e não trabalho como tradutora para nenhuma editora, e como já mencionei, as editoras brasileiras só querem saber deles. Assim é realmente difícil escritores inéditos desenvolverem algo diferente, a literatura brasileira fica viciada em uma determinada visão de mundo e mantém a pouca variação na temática. FM: Tudo o que estamos falando até aqui se relaciona à criação poética. Porém tens uma experiência na narrativa. Quais as equivalências possíveis? VSP: Pode-se escrever um romance completamente lírico, como fez Guimarães Rosa em Grandes Sertões: Veredas. Pode-se escrever um poema narrativo. A diferença é no prolongamento do enredo, no desenvolvimento do cenário e dos personagens que em um romance são imprescindíveis. Escrever um poema é mais rápido, não que seja mais fácil. Há poemas que ficam meses, anos engasgados, e só se completam muito tempo depois. Gottfried Benn escreveu um poema iniciado em uma época e terminado trinta anos depois. Mas com certeza ele não passou trinta anos só pensando neste poema. O poema ficou ali na gaveta e, de tempo em tempo ele pegava, lia, relia, reescrevia e guardava. Até que leu, releu, alterou uma palavra, inseriu outra nova, e pronto, finalmente sentiu que o poema estava terminado. Para escrever um romance é preciso pensar no enredo intensa e ininterruptamente, durante muitos meses, às vezes anos. A narrativa é mais extensa e os recursos de linguagem são outros. Os diferentes gêneros são um desafio para mim. E é interessante chamar a atenção para as muitas classificações e gente que adora rotular os livros. Na Alemanha fala-se em romance somente depois de 150 páginas. No Brasil um livro com noventa páginas já é um romance. Um romance na Alemanha não é a mesma coisa que uma novela. No Brasil não existe mais este gênero literário, foi extinto pelas novelas televisivas. Uma novela na Alemanha é um livro de 150 a 200 páginas, com uma narrativa de menor extensão, alguns personagens e um enredo em torno de um único evento o qual alcança um ponto de transição (o Wendepunkt) e depois segue para um desfecho lógico e surpreendente. Um romance possui narrativa e enredo densos e longos, faz uso de mais recursos narrativos e maior quantidade de páginas escritas. Considero meio problemáticas estas classificações, corre-se o risco de chamar de conto um romance experimental. Mas entendo que são necessárias, sobretudo para se mesclar umas com as outras ou criar outro gênero e deixar os acadêmicos discutindo para classificá-lo. FM: Tua condição de brasileira residente na Alemanha há praticamente 20 anos, estudos de literatura comparada e filologia germânica, tudo isto cria uma espécie curiosa de duplo exílio, até mesmo no sentido mais pragmático de Interação cultural entre dois mundos: como apresentar a tua visão de cultura alemã ao Brasil e a brasileira à Alemanha. VSP: Escrevo alguns artigos sobre autores alemães em revistas brasileiras de literatura e sobre autores brasileiros em revistas alemãs, e tento abrir um diálogo entre as literaturas sempre que possível, através de sugestões de leitura, tradução de poemas alemães (recentemente de Jan Wagner, que recebeu boas críticas), faço entrevistas com autores alemães, e assim por diante. O mundo está cada vez menor, a internet abriu novos caminhos e possibilitou uma grande rede de comunicação entre as pessoas do mundo inteiro. Temos aqui um novo aspecto, uma nova forma de lidar com a realidade e consequentemente com a literatura. Desta forma ficou mais fácil criar um intercâmbio intenso entre as culturas. FM: Eu queria muito saber das pontes invisíveis entre as duas culturas, não entre elas, mas sim no que ambas te modificam, despertando a atenção para coisas novas. Evidente que a Internet não significa nada: é um lápis, um spray, um pincel, nada mais. Por detrás de tudo, sempre o leit motiv, a razão de ser, a alegria de viver. Há um momento em que a insistência em Brasil e Alemanha pode ser indigesta, não é isso, queres outra coisa. VSP: A inquietação vem de dentro de mim. Na Alemanha ou no Brasil ou em outro país, a inquietação continuaria. É essa inquietação que me faz escrever. Naturalmente há momentos que penso em voltar para o Brasil, sinto falta da descontração, da espontaneidade, da alegria dos brasileiros. Mas toda moeda tem os dois lados. Receio não conseguir me readaptar à bagunça brasileira e ao nepotismo em tudo quanto é área, à falta de seriedade/maturidade na política das instituições culturais. Os alemães são complicados, apegados à rotina, e pessimistas, reparam muito no lado negativo das coisas. Nós brasileiros não fazemos comentário nenhum quando a pessoa não está com boa aparência, é mal educado, e quando ela está bem, aí sim, fazemos os comentários positivos. O alemão é o contrário, para o negativo ele sempre tem um comentário preparado, seja estacionar o carro em local proibido, estar cansado, ter feito alguma coisa errada sem querer… lá vem alguém reclamar, alguém que não tem nada a ver com a coisa. Os alemães costumam apontar muito para os erros dos outros e são difíceis de aceitar críticas. Entretanto, gosto da Alemanha, de Berlim que é uma cidade especial, diferente de outras cidades alemãs, com uma história singular e onde vivem muitos estrangeiros. É uma cidade pequena, comparada a São Paulo, pode-se fazer tudo de bicicleta aqui, a cidade possui muitas praças e parques arborizados e muitos museus, bibliotecas universidades, três casas de óperas, galerias, e casas de literaturas. Muitos escritores alemães vivem em Berlim, e os autores internacionais visitam a cidade. A Herta Müller já a encontrei na feira, perto de casa, ela mora aqui na redondeza. Com o Imre Kertész troquei algumas palavras, em uma leitura dele, no Literarisches Colloquium, antes de ele ganhar o Nobel. Meu filho freqüentava a mesma escola da filha da escritora Julia Frank. Acho fantásticos estes encontros casuais, com personalidades imortais e escritores e artistas renomados, coisa difícil de acontecer em outra cidade. *Floriano Martins (Ceará, 1957) é poeta, editor, ensaísta e tradutor. Dirige a Agulha Revista de Cultura (www.revista.agulha.nom.br) e colabora semanalmente com o DC Ilustrado com uma série de entrevistas que futuramente reunirá em livro intitulado Invenção do Brasil. Contato: [email protected].

Edição EDIÇÃO 16967




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