NA HORA
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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 10 de Maio de 2010, 20h:20

ACADEMIA

Tourada

Bem no fundo da memória, Entre as brumas da saudade, Vejo a praça de Caxias Regorgitante de gente... No centro o curral armado... Os bois, que ao lado esperam, O começo da tourada... Entra na liça, vibrante, O cortejo dos toureiros: Na frente vem João Maurício Em seu fogoso corcel. A seguir vem o Jacuba No seu pingo original. Ao lado e na retaguarda Vem surgindo valorosos Os capinhas: Herculano, - Menino de Ouro famoso! Seu nome encanta a platéia! Manezinho... Militão... Dito Rosa... Leocádio... Luiz Moreira... Sebastião... Oscar Garcia... Chuita... Saturnino e tantos outros Cujos nomes não me ocorrem... Trazem camisa vermelha, Calça branca, pés descalços, Chapéu com laço de fita, Na mão, bandeira e garrocha. Atrás, o bando de máscaras, Que com suas pantomimas, Todo o público diverte... Agora a luta começa: João Maurício se aproxima Do tronco onde um touro - Trazido dos Pantanais - Brame furioso e cruel. Com ele vem um capinha, Que o perigo desprezando, Diante do touro flexiona Um joelho. Por trás dele O toureador, lança em riste, espera... Abre-se a porta Do tronco: um negro touro, Olhos em fogo, veloz, Contra o capinha se investe. Mas este rápido e frio, Tira o corpo... e o toureador Finca a lança no toutiço Do animal que mais se assanha E sai correndo pela liça Instigado pela grita Da platéia delirante. Pára um instante, escava o chão, Olha a praça, vigilante, À procura do inimigo: Seu corpo todo estremece... Mas não tarda e os capinhas Vão enfrentando o animal Com a bandeira e a garrocha. O touro investe sanhudo, Quer bater os inimigos: Mas estes vão-se esquivando, E o touro sempre enganado, Vai correndo e se cansando... Já não tem o mesmo porte Altaneiro do princípio: - Maior força, a inteligência, Venceu o nobre animal, Senhor das nossas campinas... Ei-lo já entregue aos máscaras Que o aviltam e maltratam Suportando o desdouro De passar por montaria... Finalmente é mandado Para fora do curral Cansado e cheio de opróbio... Já outro touro no tronco Espera a vez de, na arena, Medir-se com os capinhas; A mesma sorte a aguarda! Mas acontece e não raro Que a fera o homem apanha E entre gritos da platéia O atira para o ar, Pondo-o fora de combate... Mas a festa continua... Ora um, ora outro touro É trazido para a arena Até a tarde morrer. (À memória da última tourada em Cáceres - 1940) Acadêmico NATALINO FERREIRA MENDES - Cadeira 15

Edição EDIÇÃO 16967




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