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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 05 de Janeiro de 2010, 21h:49

Exposição

Retratos da cena POP em Londres

Por Flavia Guerra
Agência Estado
Londres - Não há como contar a história da música pop sem passar por Rolling Stones e Bob Dylan. Mas, há sempre que se lembrar que esta história só é completa se na lista forem incluídos Beatles e, claro, David Bowie. Se livros ajudam a contar este capítulo da música, fotos são testemunhas oculares. Quem quiser dar um passeio pela galeria que conta essa história deve passear pelos corredores da National Portrait Gallery. A mais cult das galerias de retratos do mundo escolheu as cenas clicadas pelos maiores fotógrafos da cena pop para revelar, em 150 imagens, como Londres sofreu uma verdadeira revolução comportamental nos anos 60. A mostra "Beatles to Bowie", em cartaz até o dia 24, é ótima opção para os que vão de férias à capital inglesa. Já os que ficam no Brasil podem encomendar o catálogo pela internet (www npg.org.uk). O preço é bem razoável (cerca de £ 22.50, em torno de R$ 65,00), e a edição vale quanto pesa. Afinal, tem curadoria de Terence Pepper e mais de uma centena das fotos que compõe a exposição, além de ensaio crítico de Jon Savage. De volta aos corredores da Portrait Gallery, o que se vê nas paredes são cenas que explicam por que Londres se tornou a Swinging London e até hoje sustenta a fama de cidade vibrante e vanguardista, onde tradição e modernidade convivem e, ao mesmo tempo, entram em conflito o tempo todo. Por falar em conflito, a clássica rivalidade entre Beatles e Stones não poderia ficar de fora. Para mostrar quanto cada banda era diferente, mas, ao mesmo tempo, agente de uma mesma revolução nos costumes, entram em cena imagens históricas clicadas pelas célebres lentes de nomes como David Bailey, Gered Mankowitz e Robert Whitaker. É uma foto de Whitaker, aliás, que ilustra um dos cartazes da mostra. A famosa foto do quarteto de Liverpool empunhando guarda-sóis nos muros de um hotel, quando excursionavam pela Escócia em 1964, revela como uma simples pose poderia tornar-se um retrato clássico de época. Na seleção, que separa ano a ano as revoluções por minuto de uma geração, entram também temas como a revolução feminina, a psicodelia, a liberação sexual. Figuras como Mary Quant (que vendeu a primeira minissaia da História na lendária Carnaby Street), a meiga Helen Shapiro ilustrando a capa da "Woman’s Mirror" em 1961, e Anita Pallenberg, que divide com Jagger a cama no set de "Performance", que Cecil Beaton clicou em 1968. Já que o passeio termina com Bowie, a sensualidade da época surge no visual provocativo do cantor que, fotografado por David Bebbington em 1969, surge com sua figura andrógina e ‘espacial’ em um figurino digno de seu primeiro top 10 hit: "Space Oddity".

Edição EDIÇÃO 16962




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