NA HORA
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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 12 de Novembro de 2011, 10h:32

CRÔNICA

Remak

Luis Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
Desmoronado na cadeira vendo o sol preguiçoso fazer cafuné no cume do morro senti que a noite estava preste á engolir o dia sem cerimônia. Numa mesa próxima do meu costado uma morena notável com aroma de sangue vez por outra fuzilava a minha pessoa com um olhar devorador do tipo mais carente possível. A sua frente assentava um cidadão de olhar macio e feição leve. Falava o tempo todo com desenvoltura me obrigando a dispensar pouca atenção ao crepúsculo. Matava o tempo buscando novas emoções. Resolvi caminhar um pouco e segui em direção á banca de revista. Nos braços do destino ansioso olhei para trás e vi que a silhueta feminina cruzava a rua caminhando em minha direção. As primeiras sombras da noite já a envolvia e obrigava o corpo de pequena estatura serpentear no longo vestido de leve estampa. Encostou ao meu lado e percebi um cheiro de rosas colhidas ao sabor do vento de setembro. Sorriu e iniciou uma conversa que prolongaria pela noite toda. No dia seguinte a minha boca estava sedenta daqueles lábios nervosos. Suspirava profundamente buscando aquele cheiro de veneno doce. Senti que estava repleto de amor. Sensível balançava entre convicções simples e humildes. Estava completo novamente. Amar faz as coisas se tornarem exatas. As horas se conectam com maior facilidade. As noites são aguardadas com argumentos que levam o vivente a outra dimensão. Amar é uma medida humana de sucesso. Uma química de segunda e terceira intenções. A vida possui poucos motivos além do amor. Quando a vida se encerra só o amor tende a perpetuar. Quando as brasas da paixão se afogam na combustão o amor renasce de mansinho e pinta tudo de verde novamente. Sonhos renascem e a vida experimenta outras direções. Amor é o único básico necessário que vale mais que todas as explicações da rotina. Enche a vida de sorrisos e a alma de prazer. Olhando o reflexo do sol na água observei que o rio estava com o lombo crespo pelo vento da noite que soprava uma emoção diferente. O cheiro de terra molhada fazia cócegas com pensamentos temperados. Naquele momento percebi que o amor é menino e possui alma inusitada. Esconde em cada anjo que nos guarda e preserva em todas as ilusões. Porque viver é apenas um motivo legal mesmo é ser feliz sempre. *Luis Gonçalves – Publicitário e Escritor e colabora com o DC Ilustrado. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL