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ILUSTRADO
Quarta-feira, 03 de Junho de 2009, 20h:35

ROCK

Placebo lança o álbum "Battle for the Sun"

CD traz 13 canções intensas, de cores diversas, mas com um punch que às vezes parece sair de um disco ao vivo. Turnê de lançamento do trio começa pela Inglaterra

Jotabê Medeiros
Agência Estado
Alguns bandas de rock envelhecem muito bem. É o caso da banda inglesa Placebo, que acaba de lançar mundialmente o disco "Battle for the Sun" (PIAS), seu sexto álbum de estúdio em 13 anos de carreira. "Battle for the Sun" chega após o bem-sucedido "Meds", de 2006, que teve boa acolhida crítica e manteve a banda no pico de uma carreira multifacetada - andrógina, pansexual, glamourosa, não raro bastante barulhenta. Produzido por Dave Bottrill, largamente conhecido pelo seu trabalho com a banda Tool, e mixado por Alan Moulder (Nine Inch Nails e My Bloody Valentine), "Battle for the Sun" traz 13 canções intensas, de cores diversas, mas com um punch que às vezes parece sair de um disco ao vivo. A banda começa a apresentar o novo álbum em uma turnê mundial que começa pela Inglaterra, O Placebo é fundamentalmente um trio, encabeçado pelo mutante guitarrista e vocalista Brian Molko, camaleão andrógino que anda pelo mundo ladeado por Stefan Olsdal (baixo) e Steve Forrest (novo baterista). Forrest, ex-integrante da banda punk Evaline, entrou no ano passado no lugar que foi do membro-fundador da banda Steve Hewitt. "É um baterista diferente. Eu não faria comparações. Acho que a entrada dele é parte do espírito de renovação da banda. Estava quebrado o encanto, e agora está se começando uma coisa nova. A banda sobreviveu e mudou. Steve Forrest traz energia e entusiasmo, o que combina com a nova energia positiva que estamos buscando", disse ao Estado o baixista Stefan Olsdal, em entrevista por telefone. "O novo disco traz canções que expressam nossa esperança num futuro melhor, numa vida melhor. Um futuro em que se possa escolher luz em vez de sombras. É uma guinada de expectativa. Nosso disco anterior, Meds, trazia muita dor. Acho que esse disco é mais positivo, nesse sentido", disse Olsdal. Em vez do glitter meio depressivo, agora o negócio é abrir as persianas. O baixista (e DJ) explica da seguinte forma sua opção pelo produtor do grupo Tool, Dave Bottrill: "Queríamos alguém que soubesse explorar um som maciço de guitarras, e ele faz isso como poucos. Não o trouxemos com a intenção de ganhar Grammys, nada disso. Ele trouxe uma contribuição diferente, sabe fazer arranjos fantásticos e entende as canções como algo que se faz por partes. É muito sofisticado, além de ser bom pra cacete no estúdio", afirmou o músico. Entre as 13 faixas de "Battle for the Sun", uma parece se remeter diretamente a um clássico do passado. Trata-se de Devil in the Details, que poderia sugerir um parentesco com Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones. Só poderia. "Acho que a diferença fundamental é que Sympathy for the Devil traz uma certa idolatria pelo demônio. Devil in the Details trata da sensação incômoda de ter o demônio, ou o azar, nos teus calcanhares, te fazendo mal", brinca o baixista. Muitos fãs viram um climão meio Garbage em algumas das faixas novas, outros conseguiram ouvir até Sigur Rós em outras. Kitty Litter, que abre o disco, é a mais guitarreira e barulhenta. Um tecladinho supereletropop passeia pelos ouvidos em Speak in Tongues. Brian Molko canta mais grave e solene em Julien. Segundo Olsdal, o grupo inicia ainda este ano sua nova turnê mundial. "E não dá para fazer uma turnê mundial sem pensar em passar pelo Brasil. Começamos pela Inglaterra e França", contou. "O grupo está maior no palco, agora somos seis pessoas. Temos um guitarrista extra, uma violinista. É um bom time na estrada." Logo no início de sua carreira, em meados dos anos 90, o Placebo foi incensado por gente como Michael Stipe, Bono Vox, David Bowie e Marilyn Manson. No Rock in Rio, durante sua inesquecível apresentação, o veterano caubói Neil Young usava uma camiseta com a inscrição ‘Placebo’ no peito. Placebo é o remédio inócuo, a pílula de farinha que ludibria o doente. É um nome adequado para essa banda inglesa que parece glitter, mas não é; parece eletrônica, mas não é; parece punk, mas não é. Continua igual, mas diferentona.

Edição EDIÇÃO 16963




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