Se não me falha a memória é como gostava de dizer a minha saudosa mãe Nafia, de bagagem filosófica invejável, quando ia contar um caso ou lembrar um fato. Com isso, ela assegurava para si a veracidade da história e deixava para a memória a responsabilidade de qualquer deslize da lembrança. Ao lembrar de minha mãe, que aos 18 anos, ainda nos idos de 1920, já era costureira de mão cheia, eu quero recordar a idéia da construção do piscinão da Guia. E, se não me falha a memória, quem inventou essa história do piscinão da Guia foi o Roberto Nunes. Depois o Jota Alves, jornalista e pensador político, que jogava futebol aos domingos no campo da igreja Boa Morte, com merenda dada pelo frei Querino, estudou em Moscou e depois foi morar nos Estados Unidos, onde criou um jornal, também andou escrevendo para incentivar as autoridades de Cuiabá a construir um piscinão. A moda piscinão de Ramos, no Rio de Janeiro. Pois bem, na época a idéia chegou a ser maravilhosa e mereceu destacadas chamadas nas primeiras páginas dos jornais da capital. A notícia vinha recheada com análises sábias sobre importância do piscinão com o turismo e até dicas de influências econômicas para a região. O projeto mesmo, ninguém viu. Nunca apareceu. E a idéia ficou por ai, vez ou outra dando cria na imaginação de um e outro. Já houvera quem aproveitasse a idéia para sugerir um piscinão ali pelas bandas do Centro Político Administrativo, naquela lagoa, se não me falha memória, formada na época do governo Julio Campos. Entretanto, alguém botou gosto ruim, ou melhor, botaram ventilador na farofa, pior ainda, botaram merda na água. E a tal lagoa, onde alguns menos avisados já afogaram, não na merda, mas por não saberem nadar, está lá, atendendo alguns carros pipas que atendem moradores de Cuiabá que não recebem a água da Sanemat. E eu digo tudo isso lembrando que o piscinão da Guia é um bom tema para campanha eleitoral do ano que vem. Os moradores dos CPAs um, dois e sei lá quantos sempre sonharam com um lugar de lazer. Aliás, não só com um lugar de lazer, mas com um cemitério, também. Sobre o cemitério quem sabe contar essa história é o Lino Pinheiro, que já foi rapidinho, vereador, em Cuiabá. Infelizmente, outro que poderia falar sobre cemitério para o CPA era o Arnaldo Camarão, já falecido. Se não me falha a memória. *Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, cronista, conversador fiado e colaborador do DC Ilustrado - E-mail:
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