ILUSTRADO
Terça-feira, 30 de Novembro de 2010, 21h:26
A
A
SUSPENSE
O Escritor Fantasma, de Polanski
Tensão e suspense são as palavras que melhor definem o clima durante toda a trama de O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, Inglaterra, 2010/Paris). A fotografia, sem dúvida, ajuda a compor tal cenário. Através de uma janela, dias cinzas, noites chuvosas e um mar revolto é só o que pode ver o protagonista e personagem - título (Ewan McGregor). O ghost writer, contratado para escrever a biografia do ex-primeiro-ministro inglês Adam Lang (Pierce Brosnan) é levado para uma casa de praia, com o propósito de estar mais perto de seu entrevistado. Então, começa a aparecer uma ponta que irá desenrolar toda a rede de mentiras e crimes que escondem o ex-primeiro ministro e todos os seus aliados. O ghost writer descobre que antes dele, outro profissional havia sido designado para o trabalho, porém, morreu misteriosamente. Intrigado, ele começa sua investigação. As peças, no entanto, não se encaixam e todos ao redor parecem suspeitos. A revelação dessa rede de mistérios será surpreendente. Sob os acordes vibrantes da trilha de Alexandre Desplat, o trhiller revela que o perigo não está nas marionetes, e sim em quem move suas cordas bem à nossa vista. A trama dirigida por Roman Polanski (O Bebê de Rosemary, Chinatown, O Pianista) não pretendeu se aproximar da verdade, mas há quem diga que foram usadas boas pitadas de realismo nessa obra. Adam, o ex-primeiro ministro, seria inspirado em Tony Blair e todos os outros personagens tem traços dos mais conhecidos políticos. O exílio ao que o ghost writer é submetido talvez retratasse a realidade do diretor, que teve de tomar decisões acerca da obra na prisão e, depois, em regime de prisão domiciliar. Especulações a parte, O Escritor Fantasma é brilhantemente conduzido por Polanski e lhe valeu o Urso de Prata de melhor direção do Festival de Berlim. (J.C.)