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Sábado, 24 de Abril de 2010, 13h:18

VELHO MUNDO

Nouvelle Vague e Laetitia Sadier fazem shows em São Paulo

Música francesa: um grupo e uma cantora que já foi vocalista da Stereolab

Jotabê Medeiros
Da Reportagem
Oui, é hora de ouvir o que têm a dizer os franceses. Na próxima semana, duas atrações nos palcos do País trazem algumas das melhores experiências recentes do pop da terra de Asterix. Primeiro, o coletivo, o grupo Nouvelle Vague. Preconizando um inusitado amálgama de bossa nova com o pós-punk do início dos anos 1980, o NV chegou a vender meio milhão de discos dos dois primeiros trabalhos ("Nouvelle Vague", de 2004, e "Bande A Part", de 2006). Na verdade, a banda é a feliz união de dois produtores, Marc Collin e Olivier Libaux, que recrutam eventualmente um time de supercantoras para gestar um álbum, como Björk, Hope Sandoval e Camille Dalmais, além das caseiras Melanie Pain e Nadeah Miranda. O NV esteve em São Paulo há três anos. Agora, já tem ingressos esgotados para o único show na cidade, quinta-feira (29), no Clash Club. O grupo é um culto à reinterpretação. Tocando versões de músicas de Depeche Mode, "Echo and the Bunnymen", "Talking Heads", "Joy Division", "Soft Cell" (e algumas menos conhecidas, como "Psyche", do KJ’s, e "Sorry for Laughing", do Josef K’s, eles comeram o mundo pelas bordas). Agora, chegam a bordo do mais recente disco, batizado simplesmente de "3", que encontra o NV partindo um pouco mais para o lado da Jamaica e do Caribe, mas com a mesma pegada de bossa. "O Nouvelle Vague surgiu da ideia de fazer um cover de 'Love Will Tear Us Apart', do Joy Division, tornando-a uma canção de bossa nova. Quando falei com Olivier, ele sugeriu fazer covers de outras canções em ritmo de bossa nova. O mais legal nessa coisa de ‘tornar new wave em bossa’ é criar algo realmente forte e diferente dos originais", conta Collin. Segundo ele, todo o segredo consiste em recuperar músicas que tiveram algum tipo de impacto emocional em sua vida durante a juventude. E, adiante, recolocar isso em uma perspectiva totalmente nova. "Mais que um trabalho de arqueologia musical, é um trabalho de colecionador. Sempre fui esse tipo de nerd musical, e me lembro de fazer fitas cassete quando adolescente com discos raros importados e vendê-los na escola secundária para os colegas. Sempre quis ouvir algo diferente, não hits de rádio, e sempre procurei por faixas maravilhosas." O fato de ser uma banda "rotativa", com novos membros todo o tempo, segundo ele diz, é bacana porque mantém tudo sempre com um certo frescor. Os show do NV no Brasil vão contar com Helena Nogueira e Karina Zeviani nos vocais, Marc Collin (teclado), Thibaut Barbillon (guitarrista), Spencer Cohen (bateria) e Valente Bertelli (baixo). DAMA SOLITÁRIA - A outra grande atração francesa da semana é Laetitia Sadier, frontwoman de uma das grandes bandas indie dos anos 1990, o Stereolab, e que colaborou em álbuns de grupos, como Galaxie 500. Ela vive em Londres, de onde falou por telefone. "Serei somente eu e minha guitarra elétrica", avisa, sobre a turnê que faz pelo País - toca no Sesc Vila Mariana na quarta-feira (28). Mas já esteve por aqui e conhece Belo Horizonte, Rio, São Paulo. Está de volta para lançar seu primeiro disco-solo (ela é também a "dona" de outro grupo indie, o Monade). Algumas das canções de Laetitia, como "Vent du Sud", soam também como primas da bossa nova, e ela não nega a influência. "Sim, a textura é um pouco brasileira, aquela coisa simples e ao mesmo tempo muito sofisticada. Adoro. Acho que, por meio da busca da leveza, há alguma ligação", disse. Há também muito folk, algum trip-hop, certa ambientação típica de Ennio Morricone. "Eu sonho de noite com essa música de western spaghetti. Estou longe do gênero, mas há algo que partilho com ele, acho que a apreço pela melodia." Com o Stereolab, Laetitia (pronuncia-se Leticia) conta que tocou para 17 mil pessoas em estádios (abrindo para o R.E.M.) e para um número também alto de espectadores no Hollywood Bowl (abrindo shows para o grupo Air). "É diferente tocar para 10 mil pessoas e para 70 pessoas. Num lugar pequeno, sozinha com minha guitarra, é possível ver a música intimamente", adianta. Ela discorda da tese do cantor do Placebo, Brian Molko, que diz sentir uma experiência análoga à sexual quando está no palco, à frente de uma audiência. "Eu penso que é uma questão de interpretação pessoal. Eu, de minha parte, acho que é mais uma energia do coração que flui, não do corpo", afirma. É essa garota francesa romântica, e ultramelódica, que vai dar o seu recado nesta temporada.

Edição EDIÇÃO 16962




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