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Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 23 de Abril de 2011, 13h:18

CRÔNICA

Não importa

Valéria del Cueto
Especial para o Diário de Cuiabá
Fazer o bem, a quem? Tem um ditado que diz pra não olhar. Nunca havia atinado no seu sentido. Até outro dia quando numa roda de café alguém comentando sobre a propriedade ou inadequação de um determinado projeto humanitário e defendeu, como outros, a tese de que era um absurdo com tantos alvos de caridade no entorno, dedicar tempo, energia e recursos a uma causa distante. A indignação era feita de forma direta, baseada em variadas objeções e críticas indiretas. Pensei para argumentar. O interlocutor merecia uma resposta objetiva em contraponto à sua crítica. Minha réplica partiu da premissa de que no entorno há uma grande quantidade de almas abastadas e caridosas capazes de estenderem suas mãos aos necessitados locais. Mas, em algumas situações o cinturão de proteção social estava totalmente ausente. E estes precisavam de atenção tanto ou mais do que os que possuíam uma rede de proteção. Se não fossem os audaciosos e abnegados distantes quem poderia suprir as mais básicas necessidades destes abandonados? Foi aí que comecei um exercício filosófico sobre quem dá e quem recebe. Minha opinião é de que não tem qualquer peso ou relevância a posição geográfica, social, cultural ou religiosa do objeto da generosidade. O que vale é doar. Não interessa pra quem. O ato de estender as mãos não ganha maior nem menor valor de acordo com seu alvo. Ele vale apenas pelo quanto nos doamos, não importa a quem. Por isso, reforço aqui o apelo do médico Raul Valls, de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Juntamente com o fotógrafo Justo Casal ele faz, neste momento, uma campanha apaixonada. Quer levantar os recursos necessários a construção de uma escola em Lenkisem, comunidade massai de três mil habitantes no interior do Quênia, continente africano. O projeto se chama “De mãos dadas com a África”. Raul conheceu a comunidade de pastores localizada próxima Parque Nacional de Ambroseli e ficou impressionado com o local onde as crianças se reuniam para estudar: embaixo de uma árvore, a mercê das intempéries. Elas pediram ajuda para construir uma escola e ele estendeu o pedido aos amigos e a quem mais puder colaborar aqui no Brasil. A iniciativa é louvável e pode ser acompanhada pelo site http://www.discovering.com.br. Contribuições serão bem vindas. A diferença é que os agradecimentos serão na língua dos Massai!Feliz Páscoa para todos. * Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série Fronteira Oeste do Sul, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

Edição EDIÇÃO 16967




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