NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 07 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 13 de Dezembro de 2025, 00h:00

TELEVISÃO

Não há dúvidas: 2025 foi o ano de ouro das novelas

Ano teve histórias ousadas no streaming e campeãs de engajamento como 'Vale Tudo'

THIAGO STIVALETTI
Da Folhapress – São Paulo
Débora Bloch como Odete Roitman em 'Vale Tudo'

É difícil dar conta em poucas linhas do que foi o ano de 2025 para as novelas brasileiras. O gênero preferido dos brasileiros não só provou que não vai morrer tão cedo, como soube se renovar para além da TV aberta, nos streamings, no formato vertical das redes e no engajamento irresistível que provocou na internet. Desde 2012 as histórias longas não tinham um ano tão bom –mas, ao contrário daquela época, agora a Globo não reina sozinha.

Há 13 anos, a emissora dos Marinho teve um ano glorioso com ótimas novelas em seus três horários: "Avenida Brasil" às 21h, "Cheias de Charme" às 19h, e "A Vida da Gente" e "Lado a Lado" às 18h. Ainda assim, foi um cenário menos interessante do que aquele que tivemos agora.

Veja imagens das novelas que marcaram o ano de 2025, na TV, no streaming ou nas redes sociais

Lá no começo do ano, em março, já tivemos a primeira grande surpresa. "Beleza Fatal", da HBO Max, contou uma história viciante, de pegada camp e trash, em apenas 40 capítulos. Sua grande ousadia foi misturar ingredientes tradicionais (uma vilã carismática, muitas reviravoltas, grandes doses de humor) com ousadias que a TV aberta jamais permitiria. A maior delas sem dúvida foi ver a heroína ir para a cama com a vilã, numa cena de sexo quente, logo antes de virar o jogo.

De uma ousadia diferente, talvez mais culta e sutil, foi "Guerreiros do Sol", a novela do cangaço inspirada na história de Lampião e Maria Bonita, que o Globoplay lançou em junho. Num tamanho parecido com o de "Beleza Fatal" (45 capítulos), foi de longe a produção mais sofisticada do ano em todos os sentidos: locações, fotografia, atuações e dramaturgia.

Os autores propuseram um lance arriscado: tirar da história Josué (Thomás Aquino), o cangaceiro protagonista, lá pelo capítulo 30, dando mais voz às lideranças femininas no terço final. Causou estranhamento, mas funcionou –tanto que terminou o ano vencendo um grande prêmio internacional, o Rose d’Or.

 

UM TRAUMA CHAMADO ODETE ROITMAN

No terreno da TV aberta, a Globo seguiu testando a força do casamento entre as novelas e a internet. O remake de "Vale Tudo" serviu para a emissora testar a mesma lógica que usa há anos no Big Brother Brasil.

O que interessa não é mais a qualidade do produto, mas o poder de atração junto aos patrocinadores (os três ou quatro merchans por capítulo que fomos obrigados a engolir) e o potencial de engajamento, nos incontáveis memes e cortes de cenas –como muita gente já percebeu, é só seguir alguns perfis como @memesbrasil que temos um resumo do capítulo da véspera em menos de um minuto.

A nova lógica funciona para a Globo, mas não para o público. "Vale Tudo" deixou um trauma profundo nos noveleiros ao revelar que Odete Roitman (Debora Bloch) não morreu, depois de horas e mais horas morta no quarto para a perícia policial. Ofendeu a inteligência do espectador e a memória da novela original, que continua sendo a maior de todos os tempos.

Felizmente, sua substituta trouxe de volta Aguinaldo Silva, o autor recordista em novelas das 21h na Globo, que aos 82 anos se mostrou em plena forma ao propor uma história clássica, mas com pequenas ousadias, com uma heroína que se dispõe a um roubo para tirar dos ricos e dar aos pobres. Cheia de personagens carismáticos, "Três Graças" vem surpreendendo os desiludidos com o remake de "Vale Tudo".

 

SURPRESAS DA TURQUIA

Sei que a coluna já está longa, mas não dá pra deixar de lado outras duas novelas notáveis: "Garota do Momento", que seguiu a linha de "Bridgerton" ao fazer uma reparação racial histórica, com a história da jovem negra que se torna garota-propaganda em plenos anos 1950; e "Dona de Mim", em que a sempre hábil Rosane Svartman tratou de temas espinhosos como estupro, bipolaridade, capacitismo e etarismo sem nunca perder de vista o entretenimento.

Enquanto isso, na concorrência, a Record continuou dando sinais de esgotamento das suas novelas bíblicas, desta vez com "Paulo, o Apóstolo", mas surpreendeu em audiência com a turca "A Mãe". A Turquia anda reinando também no Globoplay, em tramas como "Dolunay" e o remake local de "Avenida Brasil", sucesso de cliques.

O SBT teve cenário semelhante ao da Record, com o fracasso de audiência da sua novela infantil "A Caverna Encantada" e o retorno às tramas mexicanas que já fazem parte do perfil da emissora.

 

FUTURO VERTICAL

O gênero que é popular no Brasil desde as radionovelas dos anos 50 ainda mostrou sua capacidade de renovação com as novas novelas verticais, para serem consumidas na tela do celular. Até agora, essas tramas não mostraram a que vieram, com capítulos de três minutos que não permitem nenhum desenvolvimento interessante da história, além das limitações técnicas da tela em pé.

Por enquanto, são bobagens para serem consumidas e esquecidas rapidamente. Resta saber se as tais "novelinhas" vão incorporar as qualidades das antigas novelas horizontais ou, como normalmente acontece na cultura de massas, as novelas da TV aberta é que começarão a nivelar mais por baixo o seu padrão de qualidade. Uma boa questão a se lançar em 2026.


Edição edição 16957




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL