ILUSTRADO
Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013, 20h:19
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CINE SESC
Metrópolis: A obra-prima de Fritz Lang
Projeto Imagens em Pauta apresenta hoje o filme Metrópolis, clássico do cinema mudo, de Fritz Lang, fechando o ciclo dos filmes do expressionismo alemão
Fechando o círculo do expressionismo alemão, o projeto Imagens em Cena apresenta nesta terça-feira, no Cine Sesc Arsenal o filme Metrópolis, considerado a obra-prima do cineasta Fritz Lang, e um marco do gênero. A exibição será às 19 horas, com entrada franca e a classificação indicativa é para 16 anos. Metrópolis foi o filme mais caro de sua época, e um marco do expressionismo alemão. Durou quase 1 ano e meio pra ser feito e envolveu cerca de 37 mil extras. Dirigido por Fritz Lang e escrito por ele e Thea von Harbou (esposa de Lang), mostrava um futuro distópico que influenciou gerações de escritores e cineastas até hoje, e deu fruto a filmes, jogos e livros como 1984, Blade Runner, Robocop, Final Fantasy 7, Bioshock, Bastardos Inglórios, o movimento Steampunk, o cinema Noir, entre outros. O filme estreou em grande estilo, em 1927, em Berlim. O marechal von Hindenburg estava presente à estreia, assim como a nata da sociedade alemã. Apesar da boa reação da estreia e da crítica, o filme foi um fracasso de público e bilheteria, quase afundando a produtora. Muitos acharam o filme longo demais, então ele foi severamente cortado para distribuição no resto do mundo. O filme se tornou cult, mas a versão original ficou perdida para sempre, e durante décadas imaginou-se que achamos que ele nunca mais seria visto como fora planejado. Mas em 2008 (80 anos depois!) foi encontrada uma cópia do original em péssima qualidade, na Argentina. Fizeram então a versão definitiva, lançada no final de 2010, juntando as melhores partes restauradas de cada cópia que puderam encontrar pelo mundo, e o resultado salta aos olhos. Quem viu a versão de Giorgio Moroder - feita em 1984 com uma trilha sonora futurista - vai achar que está vendo outro filme, e de óculos, pois a imagem está nítida. O filme - Num mundo futurístico - que é a extrapolação da revolução industrial - a sociedade vive em uma verdadeira metrópole não muito diferente da nossa (com direito até a engarrafamentos!). Porém ela está rigidamente dividida em duas grandes classes: Os cidadãos na cidade superior, curtindo o melhor que a tecnologia pode proporcionar em termos de transporte e diversão, e embaixo os operários, vivendo numa cidade subterrânea com suas famílias e trabalhando 10 horas por dia em condições terríveis para manter as máquinas que fazem com que as regalias da cidade superior não parem nunca. Comandados de cima pelo industrial frio e calculista Joh Fredersen, esses operários-escravos vivem uma vida de trabalho duro, e pipocam aqui e ali planos de revolta dos trabalhadores. Essa revolta é aplacada por Maria, uma mulher simples da classe trabalhadora, que com seu encanto prega a compreensão e o amor aos irmãos da cidade alta, e lhes promete que um dia chegará um mediador vindo do alto que supostamente lhes dará melhores condições de vida (embora isso não seja dito). Esse mediador acaba sendo o filho do industrial Fredersen, Freder, que ao se apaixonar por Maria resolve descer à cidade subterrânea e se comove com a vida dos operários, decidindo até mesmo trocar de lugar com um deles pra se aproximar de Maria. Entretanto, Joh Fredersen descobre que Maria exerce grande influência nos trabalhadores e resolve, com a ajuda de Rotwang (uma espécie de cientista maluco), raptá-la e trocá-la por uma réplica perfeita - um robô - e assim incitar a revolta de forma desordenada entre os trabalhadores, dando motivos para o poder público usar a violência de forma justificada e assim aniquilar qualquer pretensão legítima dos trabalhadores. Antes de botar o plano em prática, Rotwang (que também usa magia negra) resolve testar a falsa-Maria entre os 100 mais ricos de Metropólis, manipulando-os através do entretenimento e da luxúria. Uma vez corrompida e controlada a burguesia, é hora de incitar os trabalhadores a se rebelar e quebrar as máquinas. Pregando o ódio, a falsa-Maria cega os trabalhadores para o alerta de Freder (a esta altura misturado aos trabalhadores) de que a verdadeira Maria nunca diria isso, e para o fato de que a quebra das máquinas prejudicaria mais aos trabalhadores e suas famílias do que as pessoas de cima. Inconsequentemente, os trabalhadores quebram a máquina principal - com a conivência de Joh Fredersen, no que me lembrou muito 11 de setembro - mas esquecem suas crianças na cidade subterrânea, que começa a quebrar e ser inundada pelas águas. O clímax do filme eu não vou contar, até porque não importa na análise, mas no fim chega-se a termos entre a cabeça (Joh Fredersen) e as mãos (Os trabalhadores) através do coração (Freder). SERVIÇO O QUE: Filme Metrópolis ONDE: Cine Sesc Arsenal QUANDO: Hoje às 19 horas QUANTO: Entrada franca CLASSIFICAÇÃO: 16 anos