Existem dois tipos de novela: as que procuram dar ao público algo original, que ele nunca viu; e as que repetem velhas fórmulas que o espectador reconhece. "Êta Mundo Melhor", que terminou nesta sexta (13), entra facilmente na segunda categoria.
Continuação de "Êta Mundo Bom", de dez anos atrás, a novela criada por Walcyr Carrasco teve até um último capítulo escrito à imagem e semelhança da primeira, com o casamento de Candinho e Dita, e o caipira repetindo para a câmera a frase que disse mais de cem vezes ao longo da trama: "Tudo o que acontece de ruim na vida da gente é pra melhorar".
Se Sérgio Guizé sustentou ao longo de mais uma trama inteira a pureza e ingenuidade de seu Candinho, Flávia Alessandra não sabia mais para onde ir em sua terceira novela de Carrasco como vilã –antes de "Êta Mundo Bom!", ela fez a icônica Cristina de "Alma Gêmea" (2005).
Sandra saiu da cadeia na nova novela só para infernizar Candinho mais uma vez. Usando disfarces absurdos como a da Baronesa, apelava para um sotaque francês terrível que caberia melhor numa comédia como "Chaves".
A outra vilã da trama, Zulma (Heloísa Perissé), era um pouco mais complexa: mentiu, escondeu o filho de Candinho e deu outros golpes para casar com o matuto, mas também era generosa com os órfãos que adotava. Morreu atropelada por um bonde –como quase aconteceu com a vilã da novela anterior do horário, a Maristela (Lília Cabral) de "Garota do Momento".
Manipulados por Sandra, os outros dois vilões da novela também acabaram redimidos. Ernesto (Eriberto Leão) tornou-se pastor na cadeia, enquanto Celso (Rainer Cadete) cumpriu sua pena, voltou a trabalhar com Candinho e terminou com a bela Tamires (Monique Alfradique).
Do rádio à TV
Para não dizer que foi tudo mais do mesmo, "Êta Mundo Melhor!" reservou para o final duas surpresas no mínimo interessantes. Ambientada nos anos 40, a novela terminou no início da década de 50, quando a televisão está chegando ao Brasil. Com a chegada do veículo que definiu a identidade do brasileiro, vimos Dita (Jeniffer Nascimento), uma grande cantora do rádio, levando o seu talento para a telinha das casas das pessoas.
A outra bela ideia foi avançar a história em alguns anos, para vermos os órfãos de Zulma crescidos, agora jovens adultos. A novela se encerrou com o casamento de Maria Pureza com Picolé, o grande parceiro de Candinho ao longo da novela –vivido pelo promissor Isaac Amendoim, o Chico Bento do cinema.
"Êta Mundo Melhor!" terminou sua trajetória com média de 18,6 pontos de audiência. Foi meio ponto acima de sua antecessora, "Garota do Momento", novela que tocou em temas mais espinhosos como o racismo e o machismo.
Sua sucessora, "A Nobreza do Amor", que estreia nesta segunda, é uma aposta estética mais ousada. Vai ser interessante acompanhar a sua audiência para ver se o público do horário, o mais forte entre as donas de casa, quer ser surpreendido ou só encontrar aquilo que já conhece.




