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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 12 de Maio de 2007, 12h:46

MULHER

Mãe não tem limite

Um pouquinho da história da data, poesias e imagens que celebram o amor materno, compõem nossa homenagem nesta edição

Lorenzo Falcão
Da Editoria
Escrever sobre o Dia das Mães é arriscado. Há sempre o grande perigo de cair no lugar comum e tecer uma reportagem melosa demais. Mãe é coisa sagrada que bate duro na alma da gente. É palavra mister na hora do apuro. Diante das situações adversas que a vida nos prepara, especialmente nas mais tenras idades, volta e meia, brota espontaneamente um ‘manheeeeee’. Aí vamos crescendo e como que perdendo esse direito de apelar pra mãezinha nos momentos mais difíceis. Sei lá, mas parece que pega mal marmanjos e marmanjas chamarem pela mulher que nos gerou quando o bicho pega. Que pena. Colo, carinho e coração de mãe são sinônimos de aconchego e de proteção em todo esse mundão sem porteira. E comemorar o Dia das Mães é coisa bastante antiga. Nos primórdios da Grécia, por exemplo, está o registro mais antigo da comemoração dessa data. A chegada da primavera era festejada em honra a Rhea, mãe de todos os deuses. Muito tempo depois, no século XVII, na Inglaterra, o quarto domingo da Quaresma era dedicado às mães operárias. Posteriormente, nos EUA, em 1872, a escritora Júlia Ward Howe, propôs a criação de uma data oficial para celebrar as mães. Mas foi outra americana, Ana Jarvis que sofreu muito com a perda da sua mãe, em 1905, quem se saiu melhor nessa empreitada. A primeira comemoração oficial aconteceu em 1910 e vários estados americanos aderiram à proposta que, inicialmente, estipulava o dia 26 de abril como dia dedicado às mães. Em 1914, o presidente americano, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração, em todos os estados, no segundo domingo de maio. Mais de quarenta países passaram a também adotar essa data. O primeiro Dia das Mães brasileiro foi uma iniciativa da Associação Cristã de Moços de Porto Alegre (RS), em 1918. Mas a oficialização da data partiu do presidente Getúlio Vargas que, em 1932, dedicou o segundo domingo de maio às mães. De lá pra cá, do Oiapoque ao Chuí, quando chega o mês de maio, filho e filha que se preza, fica esperto e, de uma forma ou de outra, cumpre a tradição. Esquecer é pecado ou quase isso. Vexame. Quem tem cabeça de vento e memória falha e não atenta pra data deve sentir uma vergonha lascada e aquela vontade de ‘voltar invisível pra dentro da barriga da mamãe’. Para sempre * Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. * Poema de Carlos Drumond de Andrade Mãe* Mãe... São três letras apenas As desse nome bendito: Também o Céu tem três letras... E nelas cabe o infinito. Para louvar nossa mãe, Todo o bem que se disse Nunca há de ser tão grande Como o bem que ela nos quer... Palavra tão pequenina, Bem sabem os lábios meus Que és do tamanho do Céu E apenas menor que Deus! *Poema de Mário Quintana

Edição EDIÇÃO 16963




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