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Cuiabá MT, Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 19 de Novembro de 2005, 14h:54

NOVELA

Japoneses ganham seu primeiro núcleo na Globo

Em “Belíssima”, no horário nobre, eles formam a família Shigeto, que só não é maior de acordo com o autor por falta de atores

MARIA RITA TEIXEIRA
Folhapress - São Paulo
Todo mundo já ouviu atores negros reclamarem da falta de espaço na TV. A reivindicação tem razão de ser, ninguém duvida. Mas alguém já pensou em quantos japoneses atuam nas novelas e seriados? Pois é, eles também estão em desvantagem quando o assunto é entrar em cena. "Belíssima", nova novela das oito da Globo, é pioneira neste sentido. O autor Silvio de Abreu é o primeiro a criar um núcleo oriental em uma trama da emissora, formado pelos atores Carlos Takeshi, Eduardo Hashimoto e Juliana Kametani. Os dois últimos são, inclusive, estreantes na TV. Já em "Bang Bang", há dois orientais -Anderson Lau, que interpreta Sheng Leng e é descendente de chineses, e Daniele Suzuki, a Yoko. "Eles sempre estiveram presentes, mas um núcleo forte é raro", analisa Mauro Alencar, autor do livro "A Hollywood Brasileira -Panorama da Telenovela no Brasil". O especialista lembra que a primeira trama com núcleo japonês foi "Os Imigrantes" (1981), novela de época de Benedito Ruy Barbosa, exibida pela Bandeirantes. Mais recentemente, "Metomorphoses" (2004), da Record, retratou os japoneses, mas os ligou à máfia. "A novidade de "Belíssima' é que são mostrados sob uma visão contemporânea: vão à escola, misturam-se com outras etnias", comenta Alencar. Para ele, o aumento de orientais na TV reflete a popularização dessa cultura. Autor é da Liberdade - A idéia de criar o núcleo surgiu, segundo Silvio de Abreu, porque ele queria apresentar as diferentes raças e etnias que formam a identidade de São Paulo. "Não poderia deixá-los de fora, uma vez que vou falar da cidade onde há a maior colônia japonesa do país", afirma o autor, que nasceu na Liberdade, o bairro "mais japonês" da capital paulista. Mas o autor conta que não foi fácil escalar o elenco da família Shigeto, que só não é maior por falta de atores. "Fizemos inúmeros testes e não conseguimos bons resultados." Dos três personagens nipônicos de "Belíssima", os dois estreantes, Juliana e Eduardo, trabalhavam como modelo antes de dar vida a Suzi e Ernesto. Carlos Takeshi, o Takai, porém, tem 5 anos de carreira e participou de novelas como "A Viagem", "O Rei do Gado" e "Os Imigrantes". Há uma década, é apresentador de televendas no canal a cabo ShopTime. "Estou gostando porque esta novela tem uma família e não só um japonês isolado, o que mostra que os orientais estão sendo bem assimilados", fala. Para ele, não é fácil seguir a carreira de ator. "Muitos tentam, mas acabam desistindo." A professora Maria Lourdes Motter, do Núcleo de Telenovelas da USP, afirma que é raro ver japoneses em cursos para atores e que é dever das novelas mostrar a heterogeneidade brasileira. "Se você for a uma praça de alimentação de shopping, encontrará comida italiana, japonesa, americana... É uma grande mistura." Ela cita o sucesso de Sabrina Sato, do "Pânico na TV" (Rede TV!). Isso mostra, segundo ela, que há espaço para eles não só em novelas.

Edição EDIÇÃO 16956




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