Sobre essa importantíssima matéria, muito se tem falado e escrito, porém de maneira mais sectária que eclética, e, portanto, não condizente com o espírito cosmopolita da Maçonaria, que, por ser dinâmico e não estático, transcende as limitações da história e da geografia, o que vale dizer, do tempo e do espaço. De tudo quanto se tem apresentado nesse particular, o melhor que encontramos é o erudito estudo feito pelo preclaro irmão C. W. Leadbeater, 33º, em seu livro Pequena História da Maçonaria, Cap. I, sobre Escolas do Pensamento Maçônico, de que nos apraz dar o resumo seguinte: as origens reais da Maçonaria se perdem nas brumas da Antiguidade. Os escritores maçônicos do século dezoito especularam sua história sem o espírito crítico, baseando seus conceitos numa crença literal na história e cronologia do Antigo Testamento e nas lendas curiosas da Ordem, oriundas dos tempos operativos das Antigas Observâncias ou Constituições. Assim, com toda a seriedade, foi formulado pelo Dr. Anderson, em seu Livro das Constituições, que Adão, nosso primeiro pai, criado à imagem de Deus, o grande Arquiteto do Universo, deve ter tido as Ciências Liberais, e particularmente a Geometria, escritas em seu coração, enquanto outros, menos fantásticos, atribuem sua origem a Abraão, Moisés ou Salomão. E o Dr. Oliver, mais recente, pois data da primeira parte do século dezenove, chegou a escrever que a Maçonaria, tal qual a temos hoje, é a única verdadeira relíquia da religião dos patriarcas antes do Dilúvio. Ao passo que os antigos Mistérios do Egito e de outros países, que, tão estreitamente, assemelhavam-se a Ela, foram, apenas, corrupções humanas da única e pura tradição. À medida que os conhecimentos científicos e históricos progrediram em outros campos de pesquisas, especialmente, na análise crítica das Escrituras, os métodos científicos foram, gradativamente, sendo aplicados ao estudo da Maçonaria, de sorte que, atualmente, existe um vasto acervo de informações positivamente exatas e das mais interessantes sobre a história de nossa Ordem. Em consequência disso e de outras linhas de investigação, já existem quatro principais escolas ou tendências do pensamento maçônico, ainda não necessariamente definidas ou organizadas como escolas, porém agrupadas, segundo suas relações, a quatro importantes departamentos de conhecimento, primitivamente não incluídos no campo maçônico. Cada um desses grupos tem características próprias, afins com a Maçonaria; cada um deles tem seus próprios cânones de interpretação dos símbolos e cerimônias maçônicos, conquanto seja claro que muitos modernos escritores maçônicos são influenciados por mais de uma escola. I A Escola Autêntica. Consideremos primeiro o que se convencionou chamar de Escola Autêntica, que surgiu na segunda metade do século dezenove, em resposta ao desenvolvimento do conhecimento crítico em outros campos. As antigas tradições da Ordem foram, minuciosamente, examinadas à luz de documentos autênticos ao alcance do historiador. Empreendeu-se uma enorme soma de pesquisas nas atas das Lojas, em documentos de todas as espécies tratando do passado e do presente da Maçonaria, em arquivos de municipalidades e povoações, em decretos e sentenças judiciais. Com efeito, consultaram-se e classificaram-se todos os arquivos acessíveis. Nesse setor, os Maçons muito devem a R. F. Gould, o grande historiador maçônico, a W. J. Hughan, G. W. Speth, David Murray-Lyon, o historiador da Maçonaria Escocesa, ao Dr. Chetwod Crawlwy, cujo tratado sobre a primitiva Ordem Irlandesa se tornou clássico, e a outros do Círculo Interno da famosa Loja Quatuor Coronati nº 2076, cujos Anais fascinantes são uma mina de preciosos ensinamentos históricos e arqueológicos. Na Alemanha, dois grandes nomes são J. F. Findel, historiador, e o Dr. Wolhelm Begemann, que fez as mais minuciosas e esmeradas pesquisas nas Antigas Constituições da Ordem. Uma vasta soma de material de permanente utilidade para os estudiosos de nossa Ordem tornou-se, assim, acessível graças ao labor dos cultores da Escola Autêntica. Todavia, essa Escola tem suas limitações, resultantes do seu próprio método de investigação. Numa sociedade secreta como o é a Maçonaria, há de haver muita coisa que jamais foi escrita, mas, apenas, transmitida oralmente nas Lojas, e, assim, os documentos e registros têm apenas um valor parcial. Os registros da Maçonaria especulativa pouco antecedem sua reformulação em 1717, ao passo que as atas mais primitivas e raras pertencem ao ano de 1598, segundo D. Murray-Lyon. A tendência dessa Escola é, portanto, muito naturalmente, fazer a Maçonaria derivar das Lojas e Guildas operativas da Idade Média, e fazer supor que os elementos especulativos foram enxertados no tronco operativo hipótese esta não contraditada pelos arquivos existentes. Afirma o Irmão R. F. Gould que, se pudermos admitir que o simbolismo (ou cerimonial) da Maçonaria é anterior a 1717, não haverá, praticamente, limites na computação de sua idade. Mas muitos outros escritores não vão além dos construtores medievais, na procura da origem de nossos Mistérios. Entre os adeptos dessa Escola, há a tendência, também, muito natural, quando se sustenta tal teoria de origem, de negar a validade dos Graus Superiores, declarando, de acordo com o Ato Solene de União entre as duas Grandes Lojas Maçônicas da Inglaterra, em 1813, que a pura Maçonaria Antiga consiste de três graus e não mais, e são os de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom, inclusa a Ordem Suprema do Santo Real Arco. Todos os demais graus e ritos são encarados pelos mais rígidos adeptos da referida Escola como sendo inovações continentais, consequentemente, rejeitados como sendo Maçonaria espúria. No tocante à interpretação, os autênticos, pouco mais, avançaram do que uma moralização dos símbolos e cerimônias da Maçonaria, como acessória do Cristianismo anglicano. O presente artigo pode ser encontrado em toda a sua íntegra na Revista Arte Real, uma publicação e comercialização de assinaturas da Grande Loja Maçônica do Estado de Mato Grosso. www.glemt.org.br
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