NA HORA
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Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 18 de Setembro de 2010, 11h:57

CRÔNICA

Glessia

Luís Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
O rosto arde. O sangue febril belisca os sentidos. Apenas alguns pensamentos brancos sapateiam a tua volta. Como as chuvas do vinil deliciando na pickup. Estrada com fresta alagada. Chão de madrugada acalorada. Alguns remendos de prazer segregam no parapeito da janela. Uma angústia esquisíta cutuca os sentidos. Rumina os detalhes. Amarelando o vapor das têmporas. Banhos de suor lava as mãos. O relógio atolado em demora. No calendário um mês rabiscado. Véspera de um motivo de tensão. A espera incomoda. A noite abraça a paciência e chega adoçada em frescor. Tudo em volta é tão melancólico e torturante. A tua ausência promiscui a paz. Distante de ti a alma arde em chama lenta. Como a boiada na lareira. Razões se turvam num perdido asfalto que derrete ao sol. Os dias aportam afogados num ócio sentimental comprometedor. Nas ruas a plumagem de agonia intensifica a lembrança de ti. Um tédio possessivo saltita naquela vontade imensa de bagunçar seus lindos cabelos da cor da alegria. No momento que teus olhos saltitantes decidirem dedilhar minha face. Futricar meu coração. Percebi que não poderia mais se entregar aos sonhos novamente e levantei. Deixei o olhar acabrunhado espreguiçar no meio da rua. Tentado a te ver chegar rasgando a distância em delicados passos. Descendo do meu divã direto para o meu prazer. Picotando meu transtornado sentido emsimples graça de felicidade. Um cheiro de rosa feriu meu ânimo e a libertinagem masculina balançou na emoção da vadiagem. Meu corpo carente de ti reclama tua presença. Um suspiro moído em desejo acelera a emoção. Segunda de intermináveis intenções. Treze de setembro. Afaguei os pensamentos com boa dose de carinho e libertei a imaginação. Ouvi alguns gemidos da carne enquanto tu ganhava corpo em minha vida. Sentei no barranco do rio disposto a te aguardar. O reflexo da água pescava detalhes da minha solidão. Enquanto a minha vida mistura na tua em cumplicidade sentimental. Vi o dia morrer encharcado numa vontade imensa de estar ao teu lado para sempre. Mesmo sabendo que sempre é um longo tempo. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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