NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 03 de Novembro de 2015, 20h:41

CINEMA

Filmes sobre poetas mostram o Brasil superior

Documentários sobre Chico Buarque e Drummond nos dizem que somos mais e melhores

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
O Brasil está descobrindo o Brasil. Que bom. Descobrindo por meio de seus artistas, cantores e poetas que não somos um bando de pés-de-chinelo, embora o complexo de vira-latas permeie por grande parte de nossa sociedade. Como se dá essa descoberta? Por meio de documentários sobre grandes nomes das nossas artes, como “Chico: Artista Brasileiro”, de Miguel Faria Jr., previsto para estrear 26 de novembro e “O Último Poema”, da diretora gaúcha Mirela Kruel, lançado comercialmente no final de outubro, sobre cartas de Carlos Drummond de Andrade em correspondência com uma professora do interior do Rio Grande do Sul. O primeiro filme, sobre Chico, é uma megaprodução, com distribuição da Sony em parceria com a Globo Filmes, enfim meio caminho andando para chegar em um grande número de salas de cinema do país, inclusive aqui em Cuiabá, com certeza, já que Chico, vamos combinar, não é um joão-ninguém e vai atrair, no mínimo a curiosidade de coroas de meia-idade como eu e alguns jovens adultos como meu filho Pablo Thiago. Agora, o filme de Mirela Kruel, coitado, foi lançado em apenas duas salas de cinema. A primeira no Rio Grande do Sul, no Cinema Guion, de Porto Alegre, e no Rio de Janeiro, no Cine Joia; depois, neste mês de novembro estreia em São Paulo e Belo Horizonte. E, quase certeza, não deve chegar em Cuiabá. Só os DVS, certamente pelas mãos do dedicado Juarez Compertino que, infelizmente, deixou de escrever para esse DC Ilustrado mas segue selecionando filmes para clientes culturalmente relevantes. Quais a importâncias desses filmes? Total. Já tem gente miúda que não sabe quem foi Carlos Drummond de Andrade e imaginar que o poeta, além de poemas, crônicas escrevia cartas para uma desconhecida professora no Rio Grande do Sul, sem nunca terem se conhecido pessoalmente. Chico já é um pouco mais difícil dizer que não se sabe quem foi, ou melhor, quem é ele, mas já acontece, como confessa no filme, de ouvir falar: “Tira uma selfie comigo. Vou mostrar para minha avó, minha avó te adora”. Sim, o filme de Mirela Kruel é sobre a professora gaúcha Helena Maria Balbinot Vicari, que guarda em casa, como um bem precioso, a pasta com correspondências endereçadas a ela escritas por Carlos Drummond de Andrade em 24 anos de troca de cartas entre os dois, de 1962 a 1986, que, ao ler o release, fez-me lembrar de outro filme “Nunca te vi, sempre te amei”, que conta a história da escritora americana Helene Hanff que, tendo dificuldades para encontrar obras raras em seu país na época da II Guerra Mundial, passa a corresponder-se ao longo de vinte anos com um livreiro londrino, chamado Frank Doel, da firma Marks & Co., uma espécie de ‘sebo” situado no endereço que dá título ao filme no original “84 Charing Cross Road”. Imaginar esse tipo de relação, nos tempos de hoje, é impensável. O telefone, o celular e para os mais avançados o Skype, o Facebook, que por meio de seu mensageiro, se o computador tiver uma câmera, não importa de quantos pixels, você conversa com outra pessoa ao vivo, embora ela esteja no outro lado do mundo. Daí também a importância do filme da cineasta gaúcha, ao falar de uma professora, fazermos uma reflexão sobre o ensino que se pratica hoje no Brasil. Aqui em Mato Grosso, o governo de Pedro Taques, resolveu manter o ensino ciclado. Em São Paulo, Geraldo Alckmin está fazendo uma bagunça danada. A partir do ano que vem as escolas – ou unidades – vão ofertar apenas um ciclo: um ano numa escola, no ano seguinte noutra, assim por diante, imagina a confusão. Claro, tudo isso, com fundamento na economia, embora o discurso seja pela melhoria do ensino. Pagar mais os professores, nem pensar, enquanto o governo federal vê tudo isso acontecer e diz lá no slogan “Pátria Educadora”. É brincadeira, né. Em que pese parte da nossa elite política ser um desastre – e por conta da mídia – achamos que é 100 por cento, o Brasil é superior a tudo que possamos pensar negativamente e a história dessas personagens nos mostra um pouco disso, dessa superioridade brasileira. O poeta CDA se dispunha de tirar uma hora, sei lá, de um dia por mês para escrever uma carta para uma professora primária e fazer pequenas confissões e o inverso, posso supor, é uma mulher admirável, pois pela escrita atraiu atenção do poeta. Não foi uma carta superficial, vamos combinar. Pelas gentes vemos que o Brasil é ótimo. No filme, certa altura, Chico Buarque diz: “Existe muito essa vergonha do que é nosso, do que é brasileiro; todo mundo acha que o país é brega e querem viajar, querem pegar o avião, mas o avião também já ficou brega, mas nada é mais brega que amar nossas coisas e nisso sou brega pra caramba”. Cada um na sua seara. Miguel Farias Jr. tem em seu currículo o documentário “Vinícius” (2005) que atraiu o magnifico público de 300 mil espectadores, fato inédito para o gênero, além da direção de “República dos Assassinos”, que tem a música de Chico, “Não Sonho Mais”, na voz de Elba Ramalho. Já a Mirela Kruel, tem curtas, sendo que este ano já lançou três “Carol” (2015), “O que Há de errado com ela? (2015), “Na Minha Sopa Não” (2015), entre outros.

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL