ILUSTRADO
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015, 21h:00
A
A
MÚSICA
Esta sexta é de Almir Sater
Violeiro de Campo Grande se apresenta em Cuiabá para o público requintado da Musiva
ENOCK CAVALCANTI
Da Editoria
Nesta sexta-feira, 27 de novembro, os cuiabanos vão poder curtir uma nova apresentação do violeiro mato-grossense Almir Sater na capital de Mato Grosso. O caipira se apresenta para um público mais requintado. Ele vai cantar e tocar na boate Musiva. A entrada inteira, para assistir da pista, custa R$ 120 e a meia R$ 60. Para quem vai com a galera existe a opção das mesas: Setor A - R$ 1.800,00 (6 pessoas + 1 Whisky Gold Label), Setor B - R$ 1.200,00 (6 pessoas) e Setor C - R$ 900,00 (6 pessoas). Nos camarotes, o custo sobe um pouquinho mais: R$ 2.000,00 (8 pessoas + 1 Whisky Gold Label). Enfim, um público de música caipira que, certamente, não terá lugar para o Jeca Tatu. Almir Eduardo Melke Sater, nascido em Campo Grande (MS), em 1956 (acaba de completar 59 anos, no dia 14 de novembro), está entre os artistas mais requintados do Brasil, ícone de plateias que cultuam o sertanejo de raiz. Segundo seus divulgadores, ele chega a fazer de 70 a 80 shows por ano. Dá uma base de 200 dias de viagem a cada ano. Sobram 165 dias pra ele tomar conta da família, com três filhos, para cuidar da parte artística, das composições e para acompanhar a criação de seu rebanho de gado e as coisas de sua fazenda, em Maracaju, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. A história do Almir, como a história de tantos músicos, seguiu aquela toada dos festivais. Em Campo Grande organizou um grupo de pesquisa da música caipira e sul-americana. O grupo tocava charanga, viola e bandolim. Em seguida criou com um amigo a dupla Lupe e Lampião, adotando então o nome artístico de Lupe. Em 1978, a dupla classificou-se em quarto lugar no Festival Sertanejo na TV Record. Em 1979, foi para São Paulo, onde integrou o grupo Lírio Selvagem, comandado por Tetê Espíndola. Participou depois do grupo "Vozes e Violas", e acompanhou a cantora Diana Pequeno, no mesmo período. Em 1976, conheceu de forma inusitada o violeiro Tião Carreiro: Encontrou-o durante um show, mas estava tão bêbado que não conseguiu conversar com Tião Carreiro, pedindo apenas que esse lhe afinasse a viola. Em 1980, teve sua primeira composição gravada, "Sonhos guaranis", justamente por Sérgio Reis, que se transformaria em uma parceria da vida inteira. Gravou o primeiro disco em 1981, pela Continental. Começou a chamar atenção nacionalmente, quando teve sua composição "Luzero" escolhida para ser o tema de abertura do "Globo Rural", da Rede Globo. Em 1982, começou a compor com um de seus mais constantes parceiros, Renato Teixeira, co-autor de "Peão", música de abertura do lado A de seu segundo disco, "Doma". A composição foi incluída na trilha sonora da novela "Fera Radical". Com Renato Teixeira compôs, entre outras, "Rasta do adeus", "Trem de lata", "Boiada" e "Um violeiro toca". Em 1984, organizou a Comitiva Esperança, que percorreu mais de mil quilômetros no território do Mato Grosso, pesquisando costumes e música do povo mato-grossense, numa viagem que durou três meses. Como resultado da viagem foi lançado, em 1985, o documentário "Comitiva Esperança", produzido em parceria com Paulo Simões e Tatu Filmes de São Paulo. No mesmo ano, lançou um disco instrumental também fruto da viagem, com composições de sua autoria, misturando diversos gêneros regionais. O cururu, o maxixe, o chamamé, e o arrasta-pé estavam presentes, além da regravação do clássico "Rio de lágrimas", de Tião Carreiro, Lourival dos Santos e Piraci. Entre tantos sucessos, a música que hoje mais se destaca e faz o público ir ao delírio é "Tocando em Frente", composição em parceria com Renato Teixeira. A música foi gravada inicialmente por Maria Bethânia e já foi regravada por Sergio Reis, Ana Carolina e mais e mais, e agrada a todos pelo seu esquerdismo romântico e tristonho, insistindo no otimismo apesar dos tropeços que caracterizam a vida de todos nós, diariamente desafiados pelos desencontros da condição humana. Foi durante uma apresentação no programa "Viola Minha Viola", da TV Cultura de São Paulo, que Almir Sater, questionado pela carismática Inezita Barroso contou um pouco da origem deste seu grande sucesso. Almir contou que tinha ido jantar na casa de Renato Teixeira, pegou um violão do filho de Renato que estava encostado e começou a dedilhá-lo. Neste ínterim, veio em sua cabeça uma melodia e Renato começou a escrever a letra. Também conta Almir que ele recebeu uma ligação telefônica (sem citar quando) de Maria Bethânia, que até então não conhecia, perguntando se ele tinha uma música para ela gravar. Respondendo, disse que tinha acabado de fazer uma música mas que Renato Teixeira iria gravá-la. A pedido de Bathânia, ele cantou "Tocando em Frente" no telefone e Bethânia lhe disse, peremptória: "Essa música é minha!". Pelo menos na opinião deste repórter, a interpretação de Maria Bethânia, realmente, marcou para sempre a canção que se transformou em uma das mais emblemáticas da moderna MPB.