ILUSTRADO
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010, 00h:34
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Teatro
É de perder o fôlego
Grupo brasiliense Teatro do Concreto (DF) presenteia Cuiabá com espetáculos, lançamento de revista e intervenções urbanas
Um poeta dos guetos e dos bandidos, apaixonado pelo teatro, pelos excluídos e pela liberdade de expressão. Em poucas e fortes palavras assim pode-se definir Plínio Marcos, um palhaço de circo, ator e escritor, que levava com orgulho o termo maldito e dizia que suas peças, escritas em sua maioria na década de 1960, sempre seriam atuais porque o Brasil não mudava. E é a partir da trajetória que envolve a censura do período militar e muita paixão pelo povo brasileiro que o Teatro do Concreto chega a Cuiabá com Diário do Maldito. A peça, que estreou em 2006, é fruto de dois anos de pesquisa sobre a vida e a obra de Plínio, morto em 1999. Segundo Francis Wilker, diretor do espetáculo e um dos fundadores do Teatro do Concreto, o texto da peça não segue simplesmente a vida de Plínio, mas torna-se um pretexto pra construir com o público um diálogo vivo sobre o homem, a função da arte e o papel do artista contemporâneo. Nós temos algumas citações de obras do Plínio como Navalha na Carne, Prisioneiro de uma Canção, Inútil canto e inútil pranto pelos anjos caídos e Abajur Lilás, conta Wilker. Na peça o público tem seu primeiro impacto ao ver o cenário: é em um bar que são recebidos, local onde se discute ideias, onde se afoga as mágoas e onde tudo pode acontecer. Nesse cenário, por vezes paradoxal, é que o público vai conhecendo personagens e diversas histórias que descrevem a trajetória divertida e comovente do Poeta, assim, com P maiúsculo como o Teatro do Concreto faz questão que seja colocado. Dedicando toda uma vida à denúncia social, o Maldito pensa agora em parar de criar e, inconformados com a situação, os personagens invadem a cena para cobrá-lo. E a cobrança vem com a mesma força que o Poeta teve para escrever suas peças, tantas vezes censuradas pelos militares. No palco nove atores e quatro músicos dividem a cena mostrando a Plínio o quanto sua força e denúncia ainda se fazem necessárias em um cenário brasileiro que pouco muda. O espetáculo, que ficou em cartaz no Teatro Oficina do Perdiz (DF) nos anos de 2006 e 2008, participou do Festival Internacional de Teatro Cena Contemporânea, em Brasília, e do projeto Galpão Convida Teatro Candango, em Minas Gerais. Em 2007, o Teatro do Concreto recebe por Diário do Maldito os prêmios de melhor atriz e melhor cenografia através do Prêmio SESC do Teatro Candango e, em 2008, pelo Festival Nacional de Teatro de Macapá ganham como melhor espetáculo e melhor cenografia. Mais Concreto - Além de três sessões do espetáculo Diário do Maldito o Teatro do Concreto não chega em Cuiabá para brincadeira. A peça sobre a vida de Plínio Marcos ocorre nos dias 23 (sábado), com sessões às 19h e 21h, e 24 (domingo), com sessão única às 20h, no SESC Arsenal, todas para cem pessoas. Porém, antes desses dias, as atividades do grupo tem início no dia 21 (quinta-feira), com intervenção cênica no espaço urbano em parceria com o grupo Confraria dos Atores e se repete no dia 22 (sexta-feira). Também no dia 22, às 20h, o SESC Arsenal é palco de Inútil canto e inútil pranto pelos anjos caídos, uma leitura dramática onde é narrada a história de 25 homens enclausurados num presídio, que morrem durante uma rebelião. A história é baseada em fatos reais e foi escrita por Plínio Marcos, que deu vez e voz aos excluídos. No dia 24 às 14h30 é a vez do Teatro em Debate, encontro com grupos locais e lançamento da revista entrelinhaseConcreto, exclusiva da área teatral e o teatro contemporâneo. Toda a programação apresentada em Cuiabá será gratuita. Essas ações serão possíveis graças a dois prêmios da Fundação Nacional de Artes (Funarte): o Prêmio Myriam Muniz, que está viabilizando a circulação do espetáculo Diário do Maldito, e o Prêmio Artes Cênicas na Rua, que viabilizará a realização de duas intervenções cênicas nas ruas de Cuiabá, em parceria com o grupo Confraria dos Atores. (Com Assessoria) Programação 21/01 18h - Intervenção cênica no espaço urbano em parceria com o grupo Confraria dos Atores. Local: Semáforo da Avenida Getúlio Vargas na praça Alencastro 22/01 18h - Intervenção cênica no espaço urbano em parceria com o grupo Confraria dos Atores. Local: Semáforo da Avenida Generoso Ponce na Praça Ipiranga. 20h - Leitura dramática de Inútil canto e inútil pranto pelos anjos caídos. Local: Sesc Arsenal 23/01 sessões umas às 19h e outras às 21h - espetáculo Diário do Maldito 24/01 - 14h30 - Teatro em Debate - encontro com grupos locais e lançamento da revista entrelinhaseConcreto 20h - espetáculo Diário do Maldito Dia 22 - 18h - Semáforo Av. Generoso Ponce (Praça Ipiranga). Mais informações: www.teatrodoconcreto.com.br