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ILUSTRADO
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, 23h:29

MOSTRA

Documentários do Brasil

Mestres nacionais como Eduardo Coutinho, Toni Ventura e João Moreira Sales Vladimir de Carvalho e José Joffily são contemplados

Claudio de Oliveira
Da Redação
Esta semana o CineSesc Arsenal volta a mostrar porque é o berço do cinema brasileiro em Cuiabá. É claro que não é só, pois vem apresentando a cinematografia mundial longe dos blockbusters e contribuindo para a compreensão do cinema mundial. De qualquer modo o foco desta semana é o documentário brasileiro contemporâneo. A mostra Sob o Risco do Real traz filmes que mostram a realidade do Brasil hoje. Mestres nacionais como Eduardo Coutinho, Toni Ventura e João Moreira Sales estão contemplados junto com Vladimir de Carvalho e José Joffily também autores premiados. O primeiro da série é “O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes” (1997) de Toni Ventura. O filme, que mescla a história do Cavaleiro da Esperança, com a história do Brasil, como se fosse possível desvencilhá-las, para contar os setenta anos da história de um mito. O polêmico líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Luiz Carlos Prestes (1898-1990) carregou ideais hoje soterrados pelos escombros do Muro de Berlim. No documentário estão desde a épica marcha de 25 mil km da Coluna Prestes nos anos 20; passando pelo dramático romance com Olga Benário até a repressão política da ditadura militar. Depoimentos de jornalistas, familiares ex-membros do PCB e um raro material de arquivo formam a mais completa cine-biografia de Prestes, Quixote obstinado que carregou durante toda a sua vida o projeto de um mundo melhor. O segundo documentário a ser exibido é “O Chamado de Deus”. O filme de José Joffily foi premiado como melhor documentário e melhor montagem no Festival de Brasília de 2000, e apresenta uma visão atual da Igreja Católica no país. O filme traz depoimentos de jovens com vocação religiosa, colocando representantes da Ordem dos Franciscanos em oposição aos da Renovação Carismática. A discussão entre esses dois grupos é conduzida com delicadeza por Joffily. O diretor dá abertura imparcial aos seus protagonistas e não esconde do espectador que o documentário acontece na medida de seu aprendizado e envolvimento com o tema. Uns assistem aos depoimentos dos outros em vídeo e depois opinam, criticam, discordam e polemizam. O embate não é exposto antes que se conheça a origem de cada uma das personagens: como se decidiram pela vida religiosa, seus sonhos, suas relações familiares, sua vida diária. Segundo o crítico Marcos Pierry, “eles contam as alegrias e percalços de sua escolha, falam sobre o papel dos pais na descoberta da vocação, as certezas e dúvidas que os acompanham enquanto se preparam para assumir plenamente a condição de padres, freiras ou frades. Mas, logo nos primeiros minutos, o longa-metragem fornece pistas de que não tratará apenas de religião. É só reparar na senhora que, após louvar a Deus com extrema emoção, acrescenta um pedido ao criador: “transformai o nosso Brasil, que precisa ser passado a limpo”. Como se verá mais adiante, os clérigos em início de carreira falam também sobre política. E aí, sim, certas diferenças entre eles tornam-se bem claras.” Ainda segundo Pierry o filme transita entre as polêmicas com sutileza e expõe os efeitos distintos, por exemplo, da música ‘Abençoa, Senhor’ no Maracanã lotado e na casa de famílias visitadas. O terceiro filme que encerra a semana é daquele que é considerado como o maior documentarista da atualidade no Brasil: Eduardo Coutinho. Ele inclusive tem dois filmes na mostra. Neste sábado, dia 3/10, o clássico Edifício Máster, uma aula de documentário e uma aula sobre o gênero humano. O edifício é um antigo e tradicional prédio situado em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, que tem em média 500 moradores. Na produção de Edifício Master, o diretor e sua equipe mantiveram-se durante três semanas dentro do edifício, literalmente morando lá, com a intenção de que ocorresse uma ambientação entre a equipe que produzia o documentário e os moradores. Apesar do Master estar localizado em uma área nobre da cidade do Rio de Janeiro, em Copacabana, a maioria de seus moradores pertence às classes médio-baixa e baixa, principalmente comparando com a realidade da sociedade carioca. Os moradores do edifício são pessoas provenientes de diversos locais e origem, com idades diversas, e com diversas histórias de vida, mas habitando todas em um mesmo local. Estes mesmos moradores raramente se vêem, ou nem sabem da existência um do outro. A identidade dos moradores, suas particularidades, suas condições e formas de vida são retratada no edifício através de sua estrutura física, com misteriosos corredores. O ambiente é de decadência. Uma palavra que caracteriza o filme Edifício Master é diversidade. O filme é super premiado: APCA, Mostra Internacional de SP, Gramado, entre outros. BOX com a programação 01/10 - O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes (Toni Ventura) 02/10 - O Chamado de Deus (José Joffily) 03/10 - Edifício Master (Eduardo Coutinho) 08/10 - O Engenho de Zé Lins - (Vladimir de Carvalho) 09/10 - Jogo de Cena - (Eduardo Coutinho) 10/10 - Santiago - (João Moreira Salles) Serviço: O QUE: Mostra de documentários QUANDO: 1, 2 e 3/10 e 8, 9 e 10/10, às 19h ONDE: CineSesc Arsenal QUANTO: Grátis INFORMAÇÕES: 3616 6900

Edição EDIÇÃO 16967




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