São muitos os assuntos. Mas, uma vez por semana. Tenho que fazer esforço para escolher o tema. Hoje eu gostaria de falar sobre o beijo. Desde o beijo de Isaac ao seu filho Jacó. Que dizem ter sido o primeiro beijo, historicamente, registrado. O que me despertou escrever sobre esse assunto foi o beijo que eu assisti dado entre dois jovens. Profundo e cronologicamente demorado. Foram 3 minutos e 25 segundos. Mas, deixa pra lá. Outro dia eu falo sobre o beijo e suas ações medicinais... Outro assunto: visitar cemitério aos sábados e domingos. No silêncio que os poetas dizem sepulcral. O meu amigo Oromar não sai do cemitério da Piedade. Vai lá para conversar fiado. De lá você tira cada história linda de vida e de morte. É lá que você encontra muita gente que desapareceu da sua vida. Está lá, enterrada. E a história daquele viúvo que mandou fazer uma cadeira de ferro e plantar ao lado da sepultura da mulher. Todos os dias ele ia lá para visitar a falecida. Hoje ele está lá junto com ela. A amada. Também, gostaria de voltar a falar sobre aquela frondosa e histórica árvore que está plantada ali, no antigo prédio do Tribunal de Justiça, antiga sede da Assembléia Legislativa, cruzamento da Comandante Costa com a Getúlio Vargas. Não sou dado às frescuras dos movimentos de defesa ecológica, principalmente, encabeçados por ditos e cujos que andam de brincos de aves exóticos, pulseiras de ossos de animais em extinção e cordão feito com pequenos pedaços de arvores raras. Não tenho nada contra esse pessoal, mas os desmaios e estremiliques estão fora das minhas emoções. E então, como eu ia dizendo, a minha ligação com a natureza é espiritual, transcendente à normalidade da vida comum. E em assim sendo é que eu gosto e gostaria que todos prestassem homenagens a essa árvore que cresceu comigo. Ela serviu de esconderijo pra General Saco dar as suas cagadas e mijadas, quando nada, encobriu os amassos e fodelança dos namorados da Cuiabá antiga. E tem mais, além de histórica, a árvore, dizem, faz alguns milagres. É só chegar, encostar e pedir... Lendo nos jornais da semana, ou melhor, nos sites, vejo a notícia de que Ziraldo e Jaguar vão receber mais de hum milhão de reais de indenizações do governo federal a pretexto de perseguição política durante o período da ditadura. Quando fecharam o Pasquim, os dois fundadores e donos do periódico passaram maus momentos. Quebraram de vez. Pois é, então, eu também gostaria de falar sobre o Pasquim que começou a circular lá pelos idos de 69. Estou falando do Pasquim de Tarso de Castro, do Paulo Francis, do Flávio Rangel, Sérgio Cabral, Ziraldo, Fortuna, Garcez, Grossi, Luiz Carlos Maciel e eu, como assíduo leitor e fã da rapaziada. Tanto fã que fiz questão de conhecer todos eles. Foi de lá pra cá que se viram nos jornais anúncios de massagens para executivos e orações para as gloriosas Santa Clara e Santa Rita. Enquanto Maria José agradece à Santa Clara uma graça alcançada, Álamo oferece rapazes para cavalheiros e casais e Renata anuncia que atende dia e noite em hotéis e residências com suas gatas classe A. Naquele tempo funcionou como denúncia a insinuação de Jaguar, mas hoje eu acho que não tem nada a ver. Enquanto Maria José cumpre a promessa o outro faz o pecado. E tem mais um assunto... Não! Paro por aqui... *Jê Fernandes, jornalista, radialista, poeta, cronista, conversador fiado e colabora com o DC Ilustrado (E-mail:
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