ILUSTRADO
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 16h:11
A
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Diga ao povo que fico
Claudio de Oliveira
Da Editoria
Conversar com o secretário Paulo Pitaluga é sempre um prazer. Sua cultura ampla como deve ser em um historiador e os assuntos pelos quais se interessa e aprofunda vem ao encontro dos meus interesses. História, filosofia, jazz, arte contemporânea, literatura, bibliofilia, viagens... A conversa é tão boa que demora um bom tempo para entrarmos efetivamente na pauta da entrevista: Eaí fica ou não fica? Como D Pedro II disse ao povo que fica. Desde dezembro do ano passado com o desentendimento provocado pelo adiamento do Museu de Arte de Mato Grosso (MAM) diversos setores da imprensa do estado especulam a sua saída. O que ele fez questão de deixar bem claro é que entende as prioridades do governo, saúde, educação, segurança, geração de emprego, a cultura, como em todo lugar do Brasil, vive com um orçamento pequeno e é por isso que precisamos trabalhar com eficiência na distribuição destes recursos explica Pitaluga. Se você me perguntar qual foi a maior perda dentro da minha gestão eu vou te dizer que o MAM ainda não foi a maior. Mas sim, o projeto do Oscar Niemeyer. Eu estive com o arquiteto e ele concordou em fazer um memorial do índio em Cuiabá. A única capital do país que não possui uma obra dele. Consegui o terreno. E não consegui que nenhum parlamentar dedicasse ao projeto uma emenda. Recebi sim, uma emenda no mesmo valor para construir um Congódromo em Vila Bela da Santíssima Trindade. Algo que pelo perfil da festa não me pareceu muito adequado lamenta o secretário que vê um tesouro escorrer pelos dedos. Pitaluga fala que tem acompanhado as discussões e vê no anseio da classe artística um estranhamento. Eles querem alguém da classe na secretaria. Eu publiquei 25 livros. Tenho uma biblioteca com milhares de volumes. Fui presidente do Instituto Histórico Geográfico de MT que é a Instituição mais velha em atividade voltada para o conhecimento e a cultura... e... não sou da classe? Talvez para eles ser da classe é ir em reunião do Fórum!? O que me espanta é que eles têm dois discursos, o público é sempre conjugado na terceira pessoa do plural nós, o privado, na primeira do singular eu, o meu projeto alfineta o secretário que deixa perguntas no ar: quem leu Joyce? E os sete pilares da sabedoria? E os herdeiros de Aristóteles? Ser culto não faz parte da cultura?. Uma das coisas que se orgulha o secretário é com relação ao Conselho. Eu falei que ia sair! Não acreditaram e eu saí. O Johnny Everson ocupou o lugar e tem julgado como um magistrado, com imparcialidade sem ficar puxando pro lado da música ou de algum segmento como pensaram uns e outros disse Paulo elogiando o presidente do Conselho. O processo de aprovação vem melhorando segundo ele, antigamente alguns projeto que eram reprovados nas comissões técnicas e/ou temáticas eram estranhamente resgatados e colocados em votação. Hoje por decreto isto é proibido expressamente. Outra coisa é a votação para escolha do relator. Antes o conselheiro escolhia quais os projetos que queria relatar. Ora, se nem no judiciário e no TCE isso acontece porque aqui. Definimos que cada relator será sorteado e que avaliará por tópico do edital. Por exemplo, produção de CD de até dezoito mil, apenas um relator. O que acontecia é que eles (conselheiros) pegavam um projeto de cinema, um de música, um de fotografia e assim por diante o que não permitia a relativização antes de conceder o apoio e aí os primeiros projetos colocados em votação eram aprovados e ao demais não tinham mais verba explica detalhadamente o secretário. Uma ação que também ainda não deu certo, e o Pitaluga não sabe dizer exatamente por que, foi a sua ideia de criar uma FIEMT Cultural. Ele sugeriu e pediu apoio para um produtor cultural que fizesse um projeto e apresentasse à Federação das Indústrias de MT para que a mesma criasse um fundo de apoio à cultura. Este fundo que poderia se valer dos incentivos do governo federal seria administrado pela própria FIEMT a partir das doações dos empresários publicando editais ou selecionando projetos já aprovados para apoio integral ou suplementar. Não sei por que encontramos resistências mesmo de empresários que historicamente vem contribuindo com diversos projetos culturais lamenta o secretário. O que podemos concluir é que não existe nenhuma indicação que o secretário vá se desligar da pasta. O seu acordo com o governador antes mesmo de assumir a secretaria, e reiterado outras vezes, é que um dia antes do governador deixar o cargo que proceda sua exoneração. Ou seja, a menos que o governador deseje, pois o cargo é sua indicação, o secretário continuará a frente da pasta.