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ILUSTRADO
Segunda-feira, 06 de Abril de 2015, 10h:38

PERSONALIDADE

Depois do samba, Pescuma virou referência no rasqueado

Depois da abertura de portas, ao se tonar campeão com a Unidos do Coxipó e Beleza Pura, veio o rasqueado

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
Pescuma narra que conheceu o cativante ritmo do rasqueado no São Gonçalo Beira-Rio, junto com Dona Domingas, Sêo Ivo, Guatí e ficou apaixonado pelo pessoal ribeirinho, aprendendo a cultura cuiabana. Na sequência conhece Vera & Zuleika, Guapo e Marques Caraí, Liu Arruda (de quem foi produtor do único CD gravado), que tinha o bar “Nó de Cachorro”, na rua Filinto Muller, bairro do Quilombo, um espaço alternativo para apresentações artísticas. Liu apresentou Pescuma ao Mestre Bolinha e dessa junção resulta Pescuma, Bolinha e Ventrecha de Pacu, que embalou com muito rasqueado as noites cuiabanas por quatro anos. Com Bolinha, o “bandeirante” se cuiabaniza de vez e entra de cabeça no rasqueado, e acontece a primeira criação. Mestre Bolinha, Pescuma e Mário França, conhecido garção do Choppão e da noite cuiabana, compõe a música “Cabeça de Boi”: “Cuiabá, cidade verde/ Ai, ai, ai/ Cheiro de pequizá/ Ai, ai, ai/ Vou comer pacu assado/ E tomar pau de guaraná. (...) Meu amor brigou comigo/ Ai, ai, ai/ Só sei que vou lá pra Guia comer cabeça de boi”. Noutro lado, vai trabalhar na Secretaria de Cultura de Cuiabá –no segundo mandato do prefeito Dante de Oliveira - quando conhece o dentista e então secretário de Cultura Moisés Martins e forma parceria que vai resultar no projeto “Sentimento Cuiabano”, com os volumes I, II e III em CD, nos quais pode se ouvir os clássicos Pixé, Furrundu, e três vídeos produzidos sob a batuta de João Dorileo Leal que foram exibidos na antiga TV Gazeta (hoje Record). Nesse período, o rasqueado explode, com projetos como BrahmaRasqueiArt e Praça do Rasqueado. Paralelamente inicia a parceria com Pineto Bonilha em estúdio de gravação e passa a produzir uma porção de gente, entre os quais Liu Arruda, com o CD “Cê que vê, escuta”. Foram quase vinte anos. Ao ser contratado pela gravadora Atração, aproxima-se da dupla Henrique & Claudinho. Pescuma grava um disco solo, enquanto a dupla já fazia um trabalho de divulgação em nível nacional. Os três se juntam para somar forças e conhecem a assessora de Zezé de Camargo e Luciano, Arlede Calde. Cotizam para contratá-la. “Ela cobrou um dinheiro que a gente aguentava e nos colocou na mídia nacional”, afirma. Arlede conhece o trabalho dos três, conhece e se apaixona também por Mato Grosso. Foi então que apresenta à dupla goiana. Zezé de Camargo e Luciano, estavam na Pousada do Mutum, para gravar o Domingo Legal de Gugu Liberato. Os três – Pescuma, Henrique & Claudinho e mais o violão de Ligeirinho – mostram o rasqueado para os dois, que não escondem a surpresa no contato com o ‘novo’ ritmo. Dessa demonstração, aconteceu o convite para participar do sarau que foi ao ar no Gugu. Firma-se a amizade, a parceria e a dupla Zezé de Camargo e Luciano regrava “A Lua Quando Vem Saindo”, que se torna um hit nacional. Nesse CD, Pescuma participa como convidado ao violão. Depois vem a trilha sonora para o filme “2 Filhos de Francisco”, com a música “Tá Faltando Aqui”, composição de Zezé de Camargo, Pescuma e Henrique. Por fim, foi Zezé quem sugeriu a formação do trio, já que o mundo sertanejo tem uma carência de trios, e hoje Pescuma, Henrique e Claudinho já tem oito CD’s e três DVD’s gravados. O próximo trabalho já está engatilhado. Com apoio do Ministério da Cultura, por meio de uma emenda do deputado Nilson Leitão, e da prefeitura de Cuiabá. E nessa trajetória nacional entram também os parceiros Chico Rei e Paraná, Ataíde e Alexandre, Jean e Jeovani, e Eduardo Costa e a dupla Dois a Um que já confirmaram participação no CD. Bem... Não podia deixar de falar de “Bem Mato Grosso”, programa que vai ao ar pela afiliada da Rede Globo, TVCA, aos sábados. O programa, no sábado, dia 5 de maio, completará três anos de exibição, sem contar os 9 meses de gestação, com gravações de diversos pilotos até ser aprovado pela Central Globo de Produção. O programa, segundo Pescuma, tem sua raiz no rasqueado, que não vai se perder jamais. “O Brasil, como é o Brasil, não tem como não acontecerem outros ritmos por aqui, até por força da mídia. O rasqueado se encaixa no sertanejo e Mato Grosso é sertanejo”, avalia. Ele destaca ainda os grupos de rock, o lambadão, o samba, a MPB, que vem sendo produzido aqui e se destacando lá fora. “Mato Grosso é um caldeirão de cultura. Aqui é o coração da América do Sul”. Terminou? Sim, mas não falamos do pai, Tião Pereira -poeta e tocador de “pé de bode” (sanfona de 8 baixos) e que um dia escreveu os seguintes versos: “A dor de uma saudade/ só a lágrima conhece” -, nem da mãe, Dona Luiza, que tinha voz afinada e cantava pela casa, nem do irmão, João Moraes, que lhe ensinou os primeiros acordes no cavaquinho. Sim, também não falamos de Mestre Lica, que foi aluno de Elpídio dos Santos, compositor que trabalhou com Mazzaroppi, autor de Casinha Branca e natural São Luís do Paraitinga, como Pescuma. É que a historia de Pescuma não acabou. Ela continua, enchendo de sonoridade o dia-a-dia de Cuiabá.

Edição EDIÇÃO 16967




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