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ILUSTRADO
Quarta-feira, 22 de Abril de 2009, 22h:42

FESTIVAL

Darlene é a homenageada

Evento maior do cinema mato-grossense em sua 16ª edição prestará homenagem a uma das principais atrizes da sétima arte brasileira

A eterna diva Darlene Glória, uma das musas do cinema brasileiro de diretores como Glauber Rocha, Luis Sérgio Person e Arnaldo Jabor, que brilhou em filmes relevantes nos anos de 1960 e 1970, será a homenageada do 16º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. Presente em vários filmes, Darlene protagonizou uma das obras mais aplaudidas da história cinematográfica brasileira: "Toda Nudez Será Castigada", filme de Jabor baseado na obra de Nelson Rodrigues, que lhe rendeu o Urso de Prata no Festival de Berlim e o Kikito no Festival de Gramado. “Essa já uma tradição do evento: homenagear personalidades de grande importância para o cinema nacional e que contribuem para a disseminação e valorização da cultura”, explica o realizador do Festival..., Luiz Borges, acrescentando que Darlene é uma atriz talentosa, que se destacou pela ousadia de interpretar frente às câmeras as loucuras sexuais e existenciais de Nelson Rodrigues. Com ótimo domínio cênico, Darlene deu seus primeiros passos na carreira no mesmo palco onde tantas outras atrizes começaram (Betty Faria, Cláudia Raia,etc), o Teatro Rebolado. Ela nasceu em São José do Calçado, Espírito Santo, com o nome Helena Maria Glória Viana, e contrariando a vontade dos pais, que planejavam um tranquilo futuro no magistério, encontrou sua primeira vocação nas artes. Começa sua carreira cantando na Rádio Cachoeiro de Itapemirim, ao lado do então desconhecido Roberto Carlos. Como a cidade oferecia poucas oportunidades artísticas, ela fugiu para o Rio de Janeiro, tentando levar adiante a carreira de cantora. Aos poucos, deixou de lado a música para se dedicar ao trabalho de atriz, envolvendo-se com o Teatro de Comédia e o Teatro de Revista. No cinema, fez 29 filmes e sua estreia aconteceu em 1964, em ''Um Ramo para Luiza''. Atuou em filmes como "Paraíba - Vida e Morte de um Bandido” (1966), "Terra em Transe", "Os Raptores", ''O Matador Profissional'' (1968), de Jece Valadão, e "Os Paqueras", de Reginaldo Farias. Seu melhor momento aconteceu em "Toda Nudez Será Castigada". Darlene ainda atuou na TV, em novelas como "O Bofe" (1972), "Araponga" (1990) e "Pecado Capital" (1998). No auge de sua carreira, nos anos de 1980, abriu mão do sucesso para sua conversão evangélica e mudou-se para Nova York, passando a produzir vídeos religiosos. Ela só voltou às telas 25 anos depois, no filme "Até que a Vida nos Separe". Mãe de quatro filhos, foi casada duas vezes – uma delas com o policial da repressão Mariel Mariscot, acusado de pertencer ao Esquadrão da Morte – a vida de Mariscot pode ser vista no filme "Eu Matei Lúcio Flávio" (1979), cujo personagem-título foi interpretado por Jece Valadão. Volta por cima: Em 2008, Darlene Glória atua no longa-metragem “Feliz Natal”, que marca a estréia de Selton Mello como diretor cinematográfico. E a grande surpresa do trabalho ficou justamente por conta da presença - em cena - de Darlene, ausente das telas desde “Toda Nudez...”. O filme mostra a noite de natal da família desestruturada de Caio (Leonardo Medeiros), um homem que foi muito irresponsável na juventude e brigou de vez com o pai (Lúcio Mauro). Na desequilibrada família, vive a mãe viciada em remédios (Darlene Glória), um irmão introspectivo (Paulo Guarnieri) e a cunhada frustrada (Graziela Moreto), entre outros parentes. Darlene volta à cena em grandíssima forma, fato consumado pelo júri do Festival Paulínia de Cinema, que a elegeu, por unanimidade, a melhor atriz coadjuvante. O longa também celebra a volta de Paulo Guarnieri como ator depois de oito anos – ele havia interrompido a carreira para administrar uma pousada em Parati.

Edição EDIÇÃO 16962




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