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ILUSTRADO
Quarta-feira, 28 de Março de 2012, 22h:19

INTERNACIONAL

Dança sem incentivo

Na estrada há 11 anos, o grupo Ópera Ballet participa pela 2ª vez da maior competição de dança clássica do mundo

ARIANE LAURA
Da Redação
O grupo adulto do Ópera Ballet foi classificado pela segunda vez para disputar, a maior competição de dança clássica do mundo, de Nova Yor. A primeira vez que o grupo representou Mato Grosso o YAGP de Nova York nessa competição foi em 2010. Na época, concorreram com 80 grupos de diversos países e conquistaram o terceiro lugar, surpreendendo até os representantes da delegação brasileira. Agora o grupo corre o risco de não conseguir ir para Nova York participar da competição por falta de patrocínio. Há menos de um mês para a competição – as bailarinas embarcam no dia 20 de abril para Nova York - os ensaios seguem a todo vapor. O grupo – formado por 30 meninas – tem a preocupação de não conseguir viajar ou de ir com um grupo desfalcado. A professora e diretora, Verônica Weber, teme que parte do grupo não possa ir. “A maioria das meninas não tem condições de bancar essa viagem. Se parte do grupo não puder ir, a coreografia perde força e chance de sucesso. Ganhar é muito difícil, mas com o grupo completo e unido, as chances são bem maiores”, argumenta. A professora explica que participar desse evento já é um grande triunfo para qualquer academia de dança. O processo de seleção do YAGP de Nova York conta com várias etapas. A seletiva aconteceu nos dias 24 e 25 de setembro do ano passado, na cidade de Santos, litoral paulista. Dos 30 grupos participantes, apenas oito obtiveram a nota mínima de classificação, entre eles o Ópera Ballet, representando Mato Grosso. “A coreografia classificada para Nova York obteve a maior nota do festival Passo de Arte de São Paulo (9,8). Foi muito legal ver os jurados aplaudindo de pé, fato raro em festivais”, afirma. O grupo conta com três alunas bolsistas e é preciso cobrir as despesas destas. De acordo com Verônica, o custo das despesas é muito alto. “São seis mil reais o custo com passagem e hospedagem de cada menina. Isso sem contar a alimentação e a condução para ir aos ensaios lá. Somos obrigados a ficar no mesmo hotel que a Delegação Brasileira fica. Se a gente recebesse essa ajuda, o restante a gente correria atrás como já estamos fazendo”, comenta. Sem o apoio/patrocínio de empresas e do poder público, o grupo faz o que pode para angariar fundos. A professora conta que todos estão vendendo rifa, pizza, brigadeiro, pedindo contribuição nos semáforos da Capital. “Já fomos atrás da Secretaria Municipal e Estadual de Cultura e a resposta é sempre a mesma: não temos condições de ajudar. Já estamos desacreditados do poder público, o que é uma pena. Penso que eles sim, deveriam ter interesse em apoiar e investir na cultura. O nosso grupo conquistou um terceiro lugar em uma competição mundial e não temos reconhecimento nenhum. Da primeira vez bancamos toda a viagem e agora estamos correndo atrás novamente. Os pais não têm condições. Se continuar assim, talvez este seja o último ano que participamos dessa competição. O que é uma pena!”, lamenta a professora. Do grupo das 30 bailarinas que participaram da competição em 2010, aproximadamente dez irão novamente para Nova York. A bailarina Daniele Correa, 18, participou da primeira competição e teme não conseguir desta vez. “Eu faço dança desde os quatro anos de idade. É uma pena depois de tantos anos de esforço, de ensaio, de disciplina, conseguirmos chegar nesse nível internacional e correr o risco de não participar de uma competição tão importante quanto essa por falta de patrocínio”, desabafa. “O grupo está representando muito bem o Estado e ninguém reconhece nossa colocação. A dança clássica não é tão valorizada, por exemplo, como o Siriri e Cururu”, argumenta. NEGANDO O CONVITE Professora há 11 anos do Ópera Ballet, Verônica Weber, conta que quando apresentaram em Nova York pela primeira vez, um diretor de uma Olimpíadas de Dança de Berlim convidou o Ópera Ballet para participar da competição. “O diretor viu nossa dança e gostou tanto que veio falar pessoalmente comigo fazendo o convite para participar dessa Olimpíada. Mas, ignoramos o convite porque sabia que não teríamos condições financeiras para arcar com as despesas da viagem”, lamenta. Conforme Verônica, para os pais é muito custo, mas para o Município ou o Estado não seria. “Eles poderiam ajudar com a metade, com um terço até para incentivar esse trabalho. até porque se eles sentem algum incentivo, correria atrás para outra parte que falta. Eu tenho duas filhas que dançam e sei como é difícil”, finaliza.

Edição EDIÇÃO 16967




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