ILUSTRADO
Sábado, 27 de Junho de 2009, 12h:31
A
A
CRÔNICA
Da morte de Michael Jackson a milícia do Senado
Jê Fernandes*
Especial para o Diário de Cuiabá
Eu sou mais do tempo do Elvis Presley com o seu rocknroll, do Chubby Cheker com o seu twist dos anos 60 e outras estrelas da minha época jovem. Mas não posso negar que ainda tentei, mesmo com as juntas atritadas, alguns passos do Michael Jackson. Só tentei e me frustrei. FiqueI apenas na admiração pela lindeza de suas composições, das coreografias; enfim pelo artista em si, diferente de tudo que eu tinha visto e vi até hoje. E tudo isso me fez sentir a sua morte repentina com espiritualidade fraternal. A morte repentina nos choca pela instantaneidade que nos coloca da vida para a morte. Bem diferente da morte esperada, da morte induzida e conduzida, alimentada pelo sofrimento. Alguém já disse: de que adianta falar da morte se ela é inevitável. Pois é, em não falando da surpreendente morte de Michael Jackson que reputo como o acontecimento internacional da semana, quem sabe do mês e do ano, que assegurou audiência para alguns canais de televisão, aumentou venda de jornais, tenho que destacar os escândalos no Senado Federal envolvendo José Sarney, que no meu raciocínio lógico e, não filosófico, pode ser considerado como o chefe da milícia daquele poder. Aliás, se bem correta a minha idéia, pode-se imaginar que todos os poderes públicos têm a sua milícia, como assim é designado grupo de pessoas que domina, cobra taxas e impostos para dar segurança nas favelas, agora, esnobemente, chamada de comunidade. Isso mesmo! No poder público os chamados chefões nada mais são que os chefes de milícias das comunidades, só que em tamanho e representação maior e com oficialidade legal. Em Mato Grosso alguns desses chefões, nas áreas política e administrativa, destacam-se como verdadeiros lideres milicianos. Abra um pouco a sua mente e compare. Mas, não só em Mato Grosso, no resto do Brasil a história acontece. As milícias do poder público estão em concorrência com as das favelas ou comunidades. Pior de tudo é que Michael Jackson nos deixa boas lembranças, em que pese alguns desfazeres da sua personalidade; mas as milícias estão aí, atuando com a maior liberdade, circulando em carros importados e protegidos; os grandes pela lei da justiça cega, algumas vezes. E os da periferia pela violência explícita. Mas diante de tudo isso eu lamento, em muito, a morte de Michael Jackson. *Jê Fernandes é jornalista e colabora com o DC Ilustrado