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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 10 de Abril de 2010, 13h:09

CONCERTINO

Cuiabá ganha um belo presente musical

Em noite inspirada, orquestra faz primeira audição de composição feita por maestro alemão com solo para violas-de-cocho, no Cine Teatro Cuiabá

Milton Pereira Pinho
Especial para o Diário de Cuiabá
“…Foi um descortinar de possibilidades da viola-de-cocho, essa composição...” disse o maestro Leandro Carvalho, a respeito da obra: “Concertino para viola de cocho”, do maestro compositor alemão Ernst Mahle, que realmente mostrou uma música que não fugia do universo musical brasileiro de Villa-Lobos. Com uma contemporaneidade e explorando os harmônicos e a parte “dark” do instrumento (espaço onde o som da viola tem um timbre oriental peculiar), muito difícil de tocar a composição foi inaugurada na noite de quinta-feira, aniversário de Cuiabá, quando o Cine Teatro recebeu grande público. Por outro lado quem imaginaria que 126 anos passados, quando foi feito o primeiro registro da viola por outro alemão, o antropólogo Dr. Karl Von den Steinen, em 1884 em Cuiabá, seria celebrado pelo seu conterrâneo numa obra genial que deixou extasiado todo o Cine Teatro, abrindo uma nova linha de composição erudita o qual a viola de cocho será a vedete. A música foi magistralmente interpretada pelo grande violeiro Roberto Correa que buscou o melhor de si na sinuosa melodia diante da batuta do “nosso” maestro Leandro Carvalho. Depois vieram as grandes obras, os rasqueados dos grandes compositores cuiabanos como Quilombinho de José Agnello (desta vez com parte solada na viola de cocho); Mestre Albertino e o pout- porri das musicas Paraiso/Lá no bairro Areão/Lambari na Cuia; Tote Garcia e a obra Rabello no Coxipó. Tudo brilhantemente interpretado pelos grandes músicos da Orquestra de Mato Grosso. A noite foi “teimosamente” encerrada com as composições “Mazurka Pantaneira”, “Araponga Isprivitada” do virtuoso Roberto Correa que “tentou fechar a cortina” com a genial obra “Cuiabá 2005” do grande músico e amigo Ítalo Perón e ainda teve que “transcrever musicalmente” a sua composição “Peleia de Cobra com Siriema” , terminado com bis da “Mazurka Pantaneira”. Uma noite encantada com “harmônicos históricos”, rasqueados geniais, músicos e orquestra inspirados. Milton Pereira de Pinho [Guapo] é pesquisador da cultura popular e instrumentista

Edição EDIÇÃO 16967




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