ILUSTRADO
Terça-feira, 23 de Março de 2010, 20h:44
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TEMPORADA
Concertos oficiais
Esta é a primeira apresentação oficial da Orquestra de Mato Grosso em 2010. No repertório peças de Johan Strauss II, Stravinsky e Schumann
O espetáculo vai começar, diz entusiasmada a produtora da Orquestra de Mato Grosso, Érika Lustosa, enquanto organiza os mais de trinta bilhetes aéreos dos instrumentistas que vêm de todas as partes do país para se juntar aos músicos mato-grossenses que constituirão a nova formação sinfônica do grupo. Para muitos, a Temporada 2010 da Orquestra de Mato Grosso começa agora, com a abertura da série de Concertos Oficiais que apresentará ao público peças importantes da literatura musical universal, de vários períodos criativos e países de origem. Os primeiros concertos desta série acontecem no próximo sábado e domingo [27 e 28 de março], às 20 horas e 19 horas, respectivamente, no renovado palco do Cine Teatro Cuiabá. Os valores dos ingressos, a preços populares, variam entre inteira e meia para estudantes, R$ 10 e R$ 5, e já podem ser adquiridos com antecedência, no Cine Teatro Cuiabá. A renda obtida na venda de ingressos será revertida para a manutenção do Teatro. A tríade formada pela opereta de Johann Strauss II, a música moderna de Igor Stravinsky e o romantismo alemão de Robert Schumann, compõem o primeiro repertório da Temporada 2010 dos Concertos Oficiais. De Strauss II, o filho mais velho do célebre compositor de valsas Johann Strauss, a Orquestra inicia as noites de concertos com uma obra prima, a abertura de Die Fledermaus [O morcego]; em seguida, O Pássaro de Fogo, de Stravinsky, obra baseada nos contos populares russos sobre o pássaro mágico brilhante que é tanto uma bênção como uma perdição para o seu captor, será interpretado exatamente cem anos após sua concepção [este é o quarto ano consecutivo que a OEMT abre sua temporada com Stravinsky]; por fim, porém não menos importante, a Sinfonia nº 4 em ré menor, é uma homenagem aos 200 anos de nascimento do romântico Robert Schumann, que fecha as duas noites de concertos que darão início a esta nova fase da Orquestra do Estado de Mato Grosso. A sexta temporada da OEMT apresenta mudanças significativas. A mais comentada delas é a transferência da série de Concertos Oficiais, do Teatro do Sesc Arsenal [com capacidade para 260 pessoas] para o Cine Teatro Cuiabá [com 540 lugares]. A passagem pretende solucionar um grave problema que surgiu ao longo das últimas temporadas, a super lotação dos concertos, que invariavelmente, deixou dezenas de pessoas para fora da sala de espetáculos. As filas, outra constante em dias de concerto, também não serão mais problema, já que os ingressos serão vendidos com quatro dias de antecedência. Esta mudança, além de proporcionar ao público da Orquestra mais conforto, vai possibilitar à própria Orquestra, interpretar novas peças sinfônicos, nunca antes apresentadas em Mato Grosso. Isto só será possível graças às dimensões do palco e estrutura de camarins, capazes de receber 50 instrumentistas de uma só vez, além da equipe de produção, esclarece o maestro e diretor artístico da OEMT, Leandro Carvalho. A concepção sinfônica Agrupamentos de músicos, que hoje conhecemos como orquestras, existem há muito tempo. Tudo começou com um instrumentista cantando e se acompanhando, ou mesmo acompanhando um outro cantor. A eles, foram juntando-se outros tantos até culminar no maior agrupamento musical conhecido. Nestes últimos séculos, as orquestras evoluíram, crescendo muito em números de instrumentos e mudando sua formação de acordo com o repertório a ser apresentado. A formação sinfônica da OEMT para os Concertos Oficiais de março conta com um naipe completo de metais, sendo dois trompetes, uma tuba, três trombones e duas trompas; um naipe completo de madeiras que exibe a sonoridade de dois clarinetes, duas flautas, dois oboés e dois fagotes; percussão formada por tímpanos, xilofone, caixa, triângulo e pratos; e o naipe de cordas composto por três contrabaixos, cinco violoncelos, seis primeiros violinos, sete segundos violinos e quatro violas. Tudo isso para apresentar três obras-primas que a humanidade produziu nestes últimos duzentos anos. Dois séculos de Schumann Robert Schumann foi um dos maiores expoentes do romantismo alemão. Sua habilidade se destaca na arte da canção e das peças curtas para piano. Costumava agrupar suas peças em séries, às vezes como uma narrativa, com cada peça apresentando um título descritivo. Compôs apenas quatro sinfonias, todas amplamente executadas por orquestras sinfônicas em todo o mundo até os dias de hoje. A quarta e última sinfonia de Schumann, que a Orquestra do Estado de Mato Grosso apresenta na abertura da Temporada 2010 em homenagem aos 200 anos de nascimento do compositor, foi concluída em 1841 [primeira versão]. Posteriormente, Schumann reviu a estrutura da obra para enfatizar a interligação de seus movimentos e publicou nova versão que acabou tornando-se a mais interpretada. Desta revisão, nasceu sua obra mais inovadora justamente por sua extraordinária estrutura onde todos os movimentos se interligam. Outros compositores já haviam recorrido a temas iniciais em seus finales, especialmente Beethoven em sua quinta e nona sinfonia e Berlioz, indo mais longe, utilizando apenas um motivo como idée fixeem sua Sinfonia Fantástica. Mas Schumann inovou ao unificar toda sua peça com apenas uma única fonte germinal. Diferentemente de Beethoven e Berlioz, seu tratamento é abstrato, sem propósito programático. O importante dicionário Grove de Música diz que a quarta de Schumann é um marco na história da sinfonia. Leonard Bernstein dizia que antes de Schumann, e especialmente da quarta, uma sinfonia era mais uma suíte de movimentos separados que se complementavam, mas poderiam [e ocasionalmente assim acontecia] ser apresentados separadamente. A intenção de Schumann de integrar os movimentos da quarta era tão palpável que ele mesmo especificou que poderiam [ou deveriam] ser tocados sem pausa, como uma sinfonia em apenas um movimento. Realização A Temporada 2010 da Orquestra do Estado é uma realização do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura, e tem como patrocinadores as empresas Bimetal, Eletronorte, Votorantim, Grupo André Maggi e Lei Federal de Incentivo à Cultura/Ministério da Cultura, e apoiadores as empresas Localiza, Fisk Inglês e Espanhol, Amazon Hotel, Soul Propaganda, Tauro Motors e Sistema FeComércio/Sesc/Senac. (Com Assessoria)