ILUSTRADO
Quinta-feira, 26 de Junho de 2008, 21h:52
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TRADIÇÃO
Comitiva da Cultura na Festa de Parintins
Nesta época do ano, a tradicional festa de Parintins, no Amazonas, recebe visitantes do país inteiro para contemplar um dos mais representativos espetáculos do folclore popular. E Cuiabá também participa da festa, por meio da Comitiva da Cultura composta pelo secretário Adjunto da Cultura de Cuiabá, Moisés Martins; o Conselheiro da Cultura de Cuiabá, Anderson Pereira; os membros da Federação Mato-Grossense das Associações dos Grupos de Cururu e Siriri, Daniel Silva e Joniendry Lara. A comitiva embarcou ontem e passará o final de semana na cidade participando dos festejos. "Pretendemos buscar referências para nosso Festival Cururu Siriri e levar nossas impressões", comentou Martins. O festival de Parintins iniciou em 1965 como uma competição oficial entre os bumbás Caprichoso e Garantido. Ao longo dos anos, a apresentação foi se moldando para se tornar a segunda maior festa popular do mundo. Na arena, palco da apresentação, desfilam figuras do imaginário caboclo, com o Gigante Juma, a Cobra Grande e outras lendas. O festival também encena a vida do homem amazônico, o cotidiano do ribeirinho, do pescador, do seringueiro e do homem nativo. Um dos pontos mais esperados das apresentações são os rituais indígenas, quando tribos representadas por brincantes de boi, trazem diferentes tipos de vestimentas, danças e pintura corporal. A Festa do Boi Bumbá, que há mais de 80 anos se repete em Parintins, no Amazonas, é baseada na lenda de Mãe Catirina que, grávida, é tomada pelo incontrolável desejo de comer língua de boi. Temendo que o filho nascesse doente, Pai Francisco, num ato de desespero, mata o boi preferido de seu amo, desencadeando uma perseguição que só acaba quando um padre e um pajé conseguem ressuscitar o boi. Esta história de morte e renascimento, originária da França, chegou à Amazônia no princípio do século, por intermédio da imigração nordestina. No Festival Cururu Siriri do ano passado, em Cuiabá, os artistas plásticos Renilson Tavares, Algles Ferreira, e o artesão Marcos Azevedo ministraram na capital mato-grossense oficinas de criação de figuras lendárias para os grupos de cururu siriri. A visita a Cuiabá foi acompanhada da cearense Dona Chica, presidente da marujada do Grupo Boi Caprichoso de Parintins. "Foi no Ceará que tive o primeiro contato com as danças e as festas de Siriri. Olhava as pessoas cantando e dançando de porta em porta e admirava. Mas lá, as pessoas usavam máscaras, não se via os rostos dos brincantes. Quando mudei para Parintins, em 1956, conheci e gostei do grupo Boi Caprichoso". (com assessoria)