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ILUSTRADO
Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009, 23h:26

LITERATURA

Chega às livrarias o 'Estrela Distante'

Luiz Zanin Oricchio
Agência Estado
Em uma de suas últimas entrevistas, Roberto Bolaño (1953- 2003) disse que se não fosse escritor gostaria de ter sido detetive criminal. Em se tratando de Bolaño, chegado à paródia, à ironia e às pistas falsas, essa afirmação, como outras, não pode ser levada ao pé da letra. Mas talvez forneça uma pequena pista para entender o fascínio que tem exercido a literatura desse chileno, morto prematuramente de uma doença no fígado aos 50 anos. Bolaño trata de muitas coisas em suas obras, mas fala, principalmente, de literatura. Os seus heróis são heróis literários, o que poderia redundar em tramas reservadas aos iniciados. Não é assim. E não é porque as histórias em que esses literatos (em geral poetas) se envolvem podem ser lidas como tramas detetivescas. Há sempre um - em geral mais de um - mistério que os personagens se empenham em resolver. Como nas tramas policiais, também a "verdade", nos textos de Bolaño, é algo de virtual, a ser perseguida sem que se tenha qualquer certeza de que se poderá contemplá-la por completo. A verdade parece estar sempre na linha do horizonte, afastando-se à medida que dela parecemos nos aproximar. É assim neste intrigante romance "Estrela Distante", que acaba de ser lançado pela Cia. das Letras, editora que publicou em português outros livros do escritor como "Os Detetives Selvagens", "Noturno do Chile", "Pista de Gelo", "Putas Assassinas" e promete, para o ano que vem, o testamento de Bolaño, o gigantesco 2666, com cerca de 1.500 páginas.

Edição EDIÇÃO 16964




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