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ILUSTRADO
Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009, 00h:04

EX-CALOURA

Chega ao Brasil o disco de Susan Boyle

A cantora, como se sabe, é um fenômeno das massas que, se bem explorado, como vem sendo, tende a pulverizar marcas e índices de vendas

Lucas Nobile
Agência
O sonho que a cantora escocesa Susan Boyle começou a viver em abril deste ano ao emocionar milhões de espectadores e os jurados do programa de calouro Britain’s Got Talent está longe de terminar. Tudo porque sua interpretação de "I Dreamed a Dream" - do musical "Os Miseráveis" -, rendeu-lhe um polpudo contrato com a Sony e um disco, que há dias lidera as paradas de sucesso britânicas, com a impressionante marca de mais de 410 mil cópias vendidas. É este álbum, responsável por desbancar o antigo recorde do Arctic Monkeys, de 360 mil discos vendidos em uma semana, que acaba de chegar ao Brasil. Susan Boyle, como se sabe, é um fenômeno das massas que, se bem explorado, como vem sendo, tende a pulverizar marcas e índices de vendas. O segredo para a escalada astronômica do álbum é simples: repetir a antiga fórmula de sucesso feita com um repertório recheado de clássicos do pop interpretados por uma cantora talentosa, amparada por um instrumental rasteiro e superficial, de imediata absorção. "I Dreamed a Dream", o disco, é exemplo daquilo que se convencionou chamar há décadas de "easy music" (música fácil). Desde que Susan Boyle foi catapultada ao estrelato, mesmo tendo perdido a disputa do programa para o grupo de dança de rua Diversit, a expectativa em relação a seu primeiro disco era colossal. O resultado, porém, é frustrante. Não pela potência dos elevados decibéis da voz da cantora, que, faça-se justiça, está até mais encorpada e madura. O que também não pode ser questionada é a honestidade encerrada no disco, que não nega as raízes da cantora escocesa, soando praticamente como um trabalho autobiográfico. Mesmo não tendo a veia de compositora, Susan Boyle pinçou canções cujas letras contam uma história de superação e vitórias pessoais. Condizente com a trajetória de vida levada pela intérprete desde a infância Ela, que antes de se tornar um fenômeno social, carregou sequelas mentais e dificuldade de aprendizagem advindas de complicações em seu nascimento. Cicatrizes ainda abertas na memória da cantora, que, tempos atrás, confessou à imprensa britânica ter sido agredida por colegas e professores na escola. Susan fez questão de registrar no encarte considerações sobre cada uma das faixas, a maioria reafirmando os obstáculos que deixou para trás, com dedicatórias para sua mãe, morta em 2007. Testemunhos honestos, como os que aparecem em "I Dreamed a Dream" e "Daydream Believer", em que Susan fala de sua "raiva produtiva" e de como enfrentou dilemas em busca de sua própria identidade, com determinação e independência. Naturalmente, por seguir esse caminho de descrever a estrada percorrida pela cantora, o trabalho é um disco denso, triste e carregado de sentimento. O que deixa a desejar, porém, são os arranjos pobres e as interpretações padronizadas. Mudam os gêneros, mas mantêm-se a mesma formação instrumental e maneira de tocar. Nem os clássicos de Madonna ("You’ll See"), Mick Jagger e Keith Richards ("Wild Horses") e Arthur Hamilton ("Cry Me a River") escaparam. São 12 faixas interpretadas da mesma maneira, geralmente iniciadas com a voz de Susan acompanhada apenas de um piano solto (com arpejos que lembram estudos de iniciantes), com dinâmicas muito parecidas, com refrões cantados por coros, com a apoteose de trilhas de filmes épicos. Também não negando seu passado na igreja de sua cidade natal, Blackburn, Susan Boyle gravou canções com mensagens religiosas, como How Great Thou Art, Up to The Mountain, Amazing Grace e a natalina Silent Night (Noite Feliz). A cantora continuará sendo um fenômeno social e liderando as paradas de sucesso na Europa e nos Estados Unidos, mesmo com um disco que se encaixa como uma luva nos momentos mais bregas em que telões transmitem imagens em festas de casamento, de debutante e de formatura.

Edição EDIÇÃO 16962




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