ILUSTRADO
Terça-feira, 24 de Novembro de 2015, 20h:26
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MÚSICA SOLIDÁRIA
Canto Alegria é Sônia Mazetto fazendo o bem
O recital com grandes nomes da música regional visa arrecadar 10 mil brinquedos para crianças carentes
JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
A décima segunda edição do Recital Solidário Canto Alegria vamos combinar não é mais uma efeméride. É a confirmação de um trabalho de dedicação e já pode registrar no calendário permanente, seja das artes, da música (da boa música) ou simplesmente no calendário das alegrias cristalinas que afloram quando nós começamos a nos aproximar da data de nascimento do Menino Jesus. Canto Alegria Recital Solidário, além da sua tradição, do foco principal que é o de arrecadar 10 mil brinquedos, o espetáculo retribui de forma especial com a participação de convidados solidários também com o trabalho desenvolvido ao longo de mais de uma década. Este ano acontece o lançamento do CD do grupo O Fino do Mato, segundo nos informa a regente e diretora do evento, Sônia Mazetto. O grupo O Fino do Mato é integrado pela própria Sônia Mazetto, Hélio Pimentel e Wesley Martins, e vai contar nesta apresentação com as participações de Claudinho do trio Pescuma, Henrique & Claudinho, no violão, e o mítico sanfoneiro Ligeirinho; e convidados como a dupla Denner e Douglas e Wanderley Roldão da Silva, o popular Arizona, que apresenta o programa Manhã Sertaneja e, claro, Coral Mato Grosso, do qual Sônia Mazetto é regente. O trabalho de resgate da solidariedade podemos meio que dizer é um complemento ao trabalho de voz. Sônia Mazetto é, além de regente, cantora, coralista, uma educadora de vozes que ensina postura vocal para os cantores, duplas que a procuram e ela ajuda a melhorar as suas performances. Esses alunos ao longo do ano também aprendem a doar um pouco de si. Todos os participantes doam os seus cachês para este espetáculo. Esses convidados, segundo Sônia, vão interpretar algumas das músicas do CD O Fino do Mato. Um exemplo é o cantor e compositor Rogê Além, que também é o produtor musical do espetáculo. Ele também vai subir ao palco para fazer uma participação. A gente procura misturar os perfis artísticos, comenta. Pelo Canto Alegria já participaram com entusiasmo cantores, compositores, artistas diversos como Verá Capilé, o instrumentista e maestro Habel Dy Anjos, Gabriel Junior, produtor musical, a Banda Engenho de Dentro e o projeto Flauta Mágica, sob a batuta do maestro Gilberto Mendes, entre muitos. A ideia do projeto O Fino do Mato é do compositor Hélio Pimentel. O grupo interpreta músicas de domínio público que o provocativo Rogê Além diz que são folclóricas. Quando pergunto sobre o momento atual da música e ele que se manifesta de forma mais contundente, dizendo que a linha autoral na música de Mato Grosso está cada vez mais escassa. Isso, claro, por conta do pop obrigando o artista a fazer aquilo que o mercado quer, ou seja, aquela música que é tocada na rádio, ou algo semelhante aos anos 80, 90. É a cultura Jovem Pan!, destaca. Sônia Mazetto, paranaense de Maringá, cursou piano no Conservatório Santa Cecília por cinco anos e chegou em Cuiabá em 1984, quando passa a integrar o Coral Universitário e fica por 10 anos e depois vai reger uma porção de corais em entidades e órgãos públicos. Desse tempo até agora, destaca que antes era mais difícil fazer música em Mato Grosso e que, em sua opinião, o divisor de águas foi a Lei Hermes de Abreu de incentivo a cultura e, de lá cá, as coisas melhoram um pouco. Ainda falta muita coisa. Sônia conta que o CD do Coral Mato Grosso foi realizado através da lei, mas que os recursos nunca são suficientes e teve que correr atrás de outras fontes para completar o pagamento. Ela analisa que, em meados da década de 80, quando chegou, as duplas Henrique e Claudinho e Pescuma, assim como outros, estavam tentando colocar a música regional para tocar no rádio. Se hoje se acha difícil, nos anos 80 era muito mais, analisa. Ela lembra que, em uma das vindas do presidente José Sarney a Mato Grosso, quando da implantação do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, ele chegou a questionar que ao ligar o rádio não conseguiu ouvir Mato Grosso, mas apenas aquilo que se tocava em São Paulo, Rio de Janeiro. Ora, se o ex-presidente pudesse voltar hoje iria continua questionando. Aqui quem fala é o repórter: as emissoras de rádio de um modo geral não tem compromisso com a cultura, mas apenas com a cultura do dinheiro - e o que se comenta nos bastidores é que a cultura do jabá continua. Ora, para enfrentar essa situação o governo de Mato Grosso, já que o governador Pedro Taques se diz um aliado da cultura, deveria cobrar das emissoras de rádio um mínimo de músicas regionais. Poucas pessoas lembram, como nos lembrou Liu Arruda em sua última entrevista ao Bola da Vez: o ex-governador Antônio Carlos Magalhães, que é reverenciando por 11 entre 10 artistas baianos teve isso como principio. Com sua autoridade só patrocinava emissora que tocasse a música baiana. Claro, se foi ou não um exagero, não sei, só sei que o axé está hoje presente em todos os quadrantes brasileiros. Faço coro aàobservação de Rogê Além: no próximo evento, com patrocínio do Governo de Mato grosso, acontece a participação do banda Vanguard. Nada contra os meninos do Vanguard, mas patrocinar um show no qual vão cantar Raul Seixas - vamos combinar novamente - não é bacana. Mesmo porque a banda já esteve aqui muito, mas muito recentemente. Porque será??? Rogê Além diz ainda que Cuiabá não tem um festival. Praticamente todos os municípios mato-grossenses têm um e Cuiabá permanece ausente. Falta espaço para a boa musica e a música autoral se manifestar. Sônia lembra que os participantes do Festival Calango estão carentes de espaço. Voltemos ao show Canto Alegria. Será nesta quarta-feira, 25, na Amam a partir das 20 horas. As pessoas podem ficar tranquilas, vai ter um coffee de boas vindas e o show deve começar às 21h30, quando o público vai poder apreciar o apuro técnico dos grandes músicos e a voz de Sônia Mazetto. Grande noite. Ainda irá acontecer a entrega dos brinquedos, alguns certificados para os parceiros e o ingresso de R$ 70,00 será revertido para o projeto. Em seguida, após o projeto tem continuidade com uma oficina, quando voluntários do projeto Mãos que Ajudam, fazem um trabalho de conserto e reparos dos brinquedos usados.