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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2015, 20h:45

OPINIÃO CULTURAL

Amor e dúvidas

GABRIEL NOVIS NEVES
Especial para o DC Ilustrado
A gente precisa aprender a exercitar esse sentimento sem o qual não vivemos. Como ele se manifesta, não há um consenso entre os poetas. Caymmi disse que estava desprevenido quando ele apareceu. E, como se faz para mantê-lo? Com o tempo desaprendemos a amar? São indagações que nos perseguem, pois tudo em nossa vida gira em torno do amor. Até se mata por amor, segundo afirmam alguns. É possível matar quem se ama? Claro que não! O pior é quando percebemos que perdemos a capacidade de amar, ainda que a capacidade de doação se torne maior com o avanço da idade. Aprendemos a exigir menos das pessoas, tendendo a diminuir as cobranças. Pessoas idosas que não perceberem isso acabam isoladas. A troca pura e simples é para a fase adulta, não para a velhice. Nessa mesma linha de raciocínio, fácil entender porque as crianças só pensam em tomar, despreocupadas com a possibilidade de trocar. Existem amores que fazem parte da nossa educação, religião, ambiente em que vivemos, e que aceitamos como verdadeiros, sem discutir ou pensar. Sempre dizemos que amamos nossa família, pátria, filhos e até amigos. O mesmo acontece com relação ao nosso trabalho. Aí, misturamos o conforto que a remuneração do trabalho propicia com o amor. “O amor é querer estar perto, se longe; e mais perto, se perto”. Vinícius de Moraes Muitas vezes gostamos da “plata” que atividades laborais nos propiciam, e não do trabalho propriamente dito. Fico em dúvidas quando ouço alguém, em boa situação financeira, declarar que ama o que faz. Sempre imagino que essas construções são arcaicas, visando nos culpar pelo lazer. Infelizmente carregamos esse tipo de culpa pelo resto de nossas vidas. O problema do amor está sempre no outro, ao sublimar e compreender as pessoas como elas são com seus defeitos e diferenças. Encontrar pessoas especiais é possível, embora isso dependa do fator sorte e das renúncias às quais teremos que nos submeter. A verdade é que o amor sempre existiu dentro de nós. Precisamos aprender a conviver com ele e, mais do que isso, não fugir dele através de um possível sentimento de prisão, tão peculiar aos que amam a liberdade, inclusive a afetiva. Carlos Drummond de Andrade dizia nos seus versos apaixonados que “há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la”. Felizes daqueles que conseguem descobrir esse motivo! Gabriel Novis Neves, reitor fundador da UFMT, é médico em Cuiabá

Edição EDIÇÃO 16967




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