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Sexta-feira, 28 de Março de 2025, 13h:32

TELEVISÃO

'Adolescência' pode acender debate sobre misoginia entre jovens, diz diretor da série

Philip Barantini, que conduziu a produção ao lado de Stephen Graham, ressalta alerta sobre os perigos das redes sociais

MATHEUS ROCHA
Da Folhapress - São Paulo
Owen Cooper e Stephen Graham em cartaz da série 'Adolescência' -

Philip Barantini, diretor da série "Adolescência", diz esperar que a produção da Netflix acenda um debate sobre misoginia na adolescência e que ela sirva como um alerta sobre os perigos que se escondem nas redes sociais.
"A gente acha que nossos filhos estão seguros em seus quartos, mas provavelmente não estão. Espero que o programa tenha iniciado essa conversa entre os pais para verificar seus filhos nos quartos e ver com quem eles estão falando [nas redes sociais]", diz Barantini, em entrevista à Folha.
"Adolescência" conta a história de Jamie Miller, um adolescente de 13 anos, vivido por Owen Cooper, que mata uma colega de turma a facadas. A série jogou luz sobre a proliferação de conteúdos misóginos nas internet e o modo como esses materiais influenciam a visão dos jovens sobre as mulheres.
"É um momento realmente perigoso para adolescentes. Quando você é jovem, pode ser facilmente influenciado", diz Barantini.
."Adolescência" não é baseado em uma história real, mas em várias. Em entrevista para o jornal britânico The Guardian, Stephen Graham, um dos criadores do seriado e que também interpreta o pai de Jamie, disse que pensou no argumento ao ver uma série de notícias sobre jovens garotos esfaqueando meninas na Inglaterra.
Dados do Ministério da Justiça britânico mostram que, de março de 2022 a março de 2023, 17,3% das 18.500 advertências e condenações feitas por posse de faca ou armas como navalhas e líquidos corrosivos se deram com infratores entre os 10 e os 17 anos, a faixa etária para a qual o seriado olha.
Ao longo de seus quatro episódios, a série mostra que a violência não precisa de ambientes disfuncionais para germinar. Jamie cresceu numa lar banal em muitos aspectos. O pai, interpretado por Stephen Graham, é um sujeito amável e trabalhador. A mãe, vivida por Christine Tremarco, é uma figura igualmente zelosa e presente.
Todo esse cuidado, porém, não impediu o filho de cometer um ato brutal. "Nosso desejo era mostrar os efeitos que isso tem em uma família considerada normal. Além disso, queríamos que o espectador sentisse que essa situação poderia acontecer com qualquer um, inclusive com ele mesmo."
Quando Jamie é preso acusado de matar a jovem, o senso de normalidade que pairava sobre sua família é estilhaçado. Qualquer tentativa de recompor a vida que tinham antes do assassinado parece um esforço inútil. Isso fica evidente no final da série, quando o personagem de Stephen Graham deixa escapar a sua fragilidade emocional após se portar de forma austera nos três episódios anteriores.
"Como homem, ele foi ensinado a não mostrar emoção", diz Barantini. "Mas eu queria que o personagem parecesse uma panela de pressão e que chegasse em um ponto no qual não tivesse mais escolha a não ser explodir."

Adolescência

 
 
 

 

 


Edição EDIÇÃO 16962




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