ILUSTRADO
Sexta-feira, 08 de Junho de 2012, 20h:40
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EXPOSIÇÃO
A vida em ácido e metal
Mostra de Angella Schilling no Sesc Arsenal sintetiza 40 anos de artes da gaúcha que moram em Rondônia
A vida em ácido e metal é o título escolhido pela artista plástica Angella Schilling para apresentar ao público sua mais recente exposição. Neste trabalho a artista apresenta gravuras originais, registrando a natureza com lente de aumento, preservada em formas e cores. Seu foco são frutos, sementes, flores, paisagens, insetos, entre muitos outros elementos naturais que compõem a vasta paisagem amazônica. A exposição é resultado de uma pesquisa minuciosa feita pela própria artista e representa um ciclo de quatro décadas de dedicação a arte. Este é o resultado de uma pesquisa muito pessoal como artista plástica, diz Angella. A exposição A Vida em Ácido e Metal traz 20 peças produzidas em gravura em metal de várias épocas da história da artista. Entre as obras expostas, estão algumas já exibidas em Bienais internacionais, gravuras premiadas e outras inéditas. Busco retratar o tema com uma visão contemporânea e minha intenção é expressar meu amor pela natureza, afirma. Este trabalho abriu o ciclo de exposições do Sesc Amazônia das Artes 2012, um projeto itinerante que passa pelos estados da Amazônia Legal levando trabalhos inspiradores de artistas que são destaque. A jornada começou em abril na capital de Rondônia, Porto Velo, cidade que acolheu a artista por alguns anos. E agora chega a Cuiabá para apreciação do público mato-grossense. Sobre o resultado criativo e sensorial dessa viagem artística sobre os elementos da natureza, proposta por Angella Schilling, o crítico de música, poeta e também artista plástico argentino, Ronaldo Nascimento, caracteriza: Nesses tempos de alertas, que evidenciam o esforço do artista de gravar seu grito pelo que o aflige, a artista plástica Angella Schilling traz consigo o ciclo vital para suas obras. Terra que brota de metal corroído por ácidos, gerando caules que transportam seivas, folhas que respiram livres, flores que encantam os olhos através de formas e cores, o tato (do áspero ao macio), o olfato em aromas que traçam invisíveis caminhos, o paladar nessa estranha alquimia ora tempero, ora licores afrodisíacos, geleias, sabores como sussurros que as almas derramam em nós, nos conscientizando da urgência de preservar a vida. E ele continua Seus frutos, não estéreis, pois trazem sementes que renovam e perpetuam com a força criativa dos deuses, dos artistas, dos poetas que se arriscam nesse voo mais além. Essa é a essência da arte. E Angella é o suor do homem, do bicho do arado, o lado mais humano do misterioso processo da transcendência. Em Cuiabá a exposição teve início no dia 05 de junho, na Galeria de Artes do Sesc Arsenal e estará disponível para visitação do público até o dia 30 deste mês. Além da exposição, haverá no dia 09de junho, às 18h, um encontro com a artista. Durante a ocasião, Angella irá comentar sobre os materiais e técnicas adotadas para a produção das obras da exposição e estará disponível para um bate papo com o público. Após a passagem por Cuiabá, a exposição segue para os outros estados que integram a Amazônia Legal. A visitação por aqui pode ser feita de terça a sexta-feira, das 14h às 21h, e sábados, domingos e feriados, das 16h às 20h. A entrada é gratuita. Mais informações pelo telefone (65) 3616-6922. ANGELA SCHILLING A gaúcha de Novo Hamburgo, vive em Porto Velho há três anos. Desde a infância foi influenciada pelo ambiente musical e artístico da colonização europeia. Começou com a Xilogravura, ainda na Faculdade de Belas Artes no Rio Grande do Sul e em seguida passou para gravura em metal no Rio de Janeiro. Desde então não parou mais, Angella guarda em seu currículo mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, 30 Salões de Artes no Brasil, Bienais internacionais, além de ilustrar livros, jornais e revistas e ministrar oficinas.