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ILUSTRADO
Terça-feira, 22 de Setembro de 2009, 23h:22

DVDs

A restauração do espadachim oriental

“Cinzas do Passado”, relíquia mexida por Wong Kar-wai, “Duplicidade”, de Tony Gilroy, e “Ninho Vazio”, do argentino Daniel Búrman, são as novidades avaliadas

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Há cineastas que se metem a fazer novas versões de antigos sucessos, artifício conhecido com o pomposo título de director’s cut. Uns por puro exercício de egocentrismo, outros por oportunismo mesmo. Mas o motivo que levou o chinês (de Hong Kong) Wong Kar-wai a mexer em “Cinzas do Passado”, originalmente lançado há exatos 25 anos e um dos primeiros grandes filmes de espadachins orientais a chegar ao Ocidente (abrindo caminho para “O Tigre e o Dragão”, de Ang Lee, e “O Clã das Adagas Voadoras”, de Zhang Yimou, entre outros), tem fundo preservacionista. Quando o cultuado autor de “Felizes Juntos”, “Amor à Flor da Pele”, “Um Beijo Roubado”, descobriu que as cópias originais de seu épico de artes marciais estavam sendo corroídas pelo tempo e pela má conservação, lançou-se imediatamente na hercúlea tarefa de restaurá-lo. O trabalho lhe consumiu cinco anos. Pronto, a montagem da nova reedição do filme ganhou um subtítulo. Estalando de novo, “Cinzas do Passado Redux” (Dung che sai duk, China, 1994/Imagem) estreou mundialmente no Festival de Cannes do ano passado. O filme conta cinco situações de uma história que se passa nas cinco estações em que se baseia o calendário chinês. Ela é influenciada pelos personagens de artes marciais do escritor Louis Cha e, assim, Kar-wai coloca toda sua marca pra contar essa aventura que se passa no jianghu, o mundo das artes marciais. Um mundo em que os valores existem apenas em suas formas absolutas. É também um mundo em que a única lei que vale é a da espada. E é uma história sobre heroísmo. Distanciado da temática de sua produção atual que o tornou queridinho do circuito cult, Kar-wai já nesse no segundo filme mantém, como sempre, o seu estilo feito de close-ups fetichistas, composições sofisticadas e trilha sonora incomum. É curioso notar que temas constantes, como as paixões desencontradas, os desejos não realizados e os personagens duplos, já eram debatidos em seus filmes. Mas, embora de uma beleza embriagadora, “Cinzas do Passado Redux” caminha por uma narrativa tortuosa que chega a cansar. A trajetória cobre os passos de Ouyang Feng (Leslie Cheung, um dos atores preferidos do cineasta que se suicidou seis anos atrás). Esse jovem espadachim solitário isolou-se no deserto após sua namorada (Brigitte Lin) o trocar pelo irmão (Tony Leung) e transformou-se em uma espécie de empresário de assassinos profissionais. Impiedoso e cínico, o seu coração há muito está ferido pela desilusão amorosa. O amor que ele negligenciou e perdeu. Mas, como as estações vão e vêm, amigos e inimigos também, ele começa a refletir de volta à origem de sua solidão. Musa de Kar-wai, a estrela Maggie Cheung também está no elenco em participação especial.

Edição edição 16957




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