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ILUSTRADO
Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009, 23h:02

CINEMA

A princesa e o sapo

Obra comprova que o talento vem antes da tecnologia. Esta nova animação criada pela Disney tem a beleza e a sofisticação da boa arte

Claudio de Oliveira
Da Reportagem
O globo gira e noite vira dia. É engraçado pensar que o mesmo homem que auxiliou a derrocada do departamento de animação da Disney promove agora a sua volta por cima. Em 2004, quando “Nem que a Vaca Tussa” arrecadava nas bilheterias apenas a metade do seu custo de produção, a Disney resolveu fechar seu departamento de animações tradicionais em 2D e investir de vez em desenhos feitos por computação gráfica. Em parte esta estagnação deveu-se entre outros motivos ao enorme sucesso do estúdio Pixar que veio a ser adquirido pela Disney dois anos depois. O criador da Pixar, John Lasseter, responsável por animações históricas como Toy Story, Carros, Wall-E e recentemente Up- altas aventuras, deu uma entrevista à Época desta semana e disse que sempre admirou as criações da Disney e que o departamento de animação acabou pagando como bode expiatório. Para ele, “o talento vem antes da tecnologia. E a animação criada pela Disney é uma linda forma de arte”. Apesar destas declarações recentes não acredito que ninguém esperava por isso. A estreia de “A Princesa e o Sapo” causa estranheza em tempos em que a técnica parece se sobressair à qualidade narrativa. O próprio trailer da produção faz questão de ressaltar essa nostalgia, mostrando que clássicos como “Mogli - o Menino Lobo”, “Aladdin” e “O Rei Leão” foram produzidos no papel e não nos computadores. Some a isso o fato de a princesa em questão ser negra, algo inédito na história do estúdio, e eis um potencial sucesso para a Disney nesse fim de ano. A princesa em questão é Tiana, uma jovem africana que vive em um encantador bairro francês na lendária cidade de Nova Orleans, berço do jazz. O filme é baseado numa história original escrita pelos Irmãos Grimm e adaptada pelos aclamados cineastas John Musker e Ron Clements (de “A Pequena Sereia”, “Aladdin” e “Hercules”), que também assinam a direção do filme. Do coração dos místicos pântanos da Louisiana e às margens do poderoso rio Mississipi chega uma história de amor inesquecível, com a participação de um crocodilo cantor, com toques de vudu e os encantos da cultura Cajun. O vencedor do Oscar Randy Newman, mais conhecido por “Toy Story”, “Vida de Inseto”, “Toy Story 2”, “Monstros S.A.” e “Carros”, é o compositor da trilha sonora. A julgar pela premissa, “A Princesa e o Sapo” está muito mais para o humor escrachado e até politicamente incorreto de “A Nova Onda do Imperador” e “Lilo & Stitch” do que a água com açúcar de um “Pocahontas”. Naveen, o nobre convertido em sapo, foge da linha de seus antecessores e se apresenta como um príncipe não muito adaptado à vida imperial, preferindo tocar jazz nas noites de Nova Orleans. Ou seja: o clássico conto “O Príncipe Sapo”, dos Irmãos Grimm, é apenas a base da história readaptada para os cinemas. De fato, o príncipe Naveen (dublado no Brasil pelo ator Rodrigo Lombardi) é amaldiçoado e transformado num anfíbio, mas quando é beijado pela bela Tiana o processo se inverte: ela também vira sapo, e os dois partem juntos numa jornada para descobrirem como reverter o feitiço. Vendido como “um conto de fadas às avessas”, a animação marca ainda uma nova estratégia de produção da Disney. Durante dois anos, a casa do Mickey selecionou duas produtores fora dos EUA para colaborar no projeto, sendo uma do Canadá e a HGN, do Brasil. O estúdio brasileiro trabalhou em doze sequências do filme, incluindo a importante cena que mostra o começo da vida adulta de Tiana. A HGN do empresário Haroldo Guimarães Neto trabalhou com uma equipe de 53 animadores de novembro de 2008 até a finalização. Mas o reencontro com a Disney (eles já haviam trabalhado juntos nos anos 80 e 90) foi em 2007 quando depois de alguns testes veio o convite. Neto trabalha com animação desde 1982, segundo a Época, e já trabalhou com Mauricio de Sousa. Ele também estudou na mesma escola de Lasseter e Tim Burton.

Edição EDIÇÃO 16967




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