ILUSTRADO
Segunda-feira, 02 de Maio de 2011, 20h:43
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MULTIARTISTA
A diversidade da arte de Nuno Ramos
Em edição bilíngue, livro que sai no final do mês é o maior registro da carreira de grande artista brasileiro contemporâneo, com uma seleção de obras feita pelo próprio
Um dos mais inventivos e expressivos artistas brasileiros da atualidade, Nuno Ramos tem trabalhos marcantes em diversas áreas, como artes plásticas, cinema, música e literatura, tendo exposto suas obras nos mais importantes museus do país e do exterior. Um apanhado de sua produção, desde o início de sua carreira, em 1984, até os dias de hoje, está reunido em Nuno Ramos, que a Editora Cobogó, lança no dia 13 de maio, durante a SP Arte no Rio de Janeiro, o lançamento acontece no dia 19 de maio, na livraria Travessa do Leblon. A publicação traz cerca de 700 obras, selecionadas pelo próprio artista, e retrata sua trajetória artística desde o início de sua carreira, quando era integrante do ateliê Casa 7, até a polêmica Bandeira Branca, exposta no vão central da 29ª Bienal de São Paulo (2010), em que manteve três urubus em cativeiro. Nuno Ramos comemora o feito, pois pela primeira vez foi possível reunir praticamente toda a sua criação ao longo das três últimas décadas. É um livro extensivo, que dá conta de praticamente tudo o que eu já fiz. É um belo resumo do meu trabalho, analisa. Alberto Tassinari, parceiro intelectual do artista, assina um texto crítico sobra sua obra no início do livro. A série Fala, conjunto de obras sonoras de Nuno Ramos, foi transcrita e está na íntegra em um CD encartado no livro. Estas gravações dos áudios feitos para as instalações permitem que os leitores tenham uma experiência completa de seu trabalho. A parte literária do meu trabalho está em pé de igualdade com as obras visuais. Isso permite aguçar vários sentidos ao mesmo tempo, completa Nuno. As obras, especialmente as esculturas, também são acompanhadas de textos descritivos, oferecendo um entendimento construtivo das mesmas. A ordenação do material segue a cronologia de suas exposições desde o primeiro contato do público com seus trabalhos, e não as afinidades estéticas, o que possibilita uma leitura não-linear do livro. Para Nuno, isso mostra o contraste que está sempre presente em seu trabalho. Conseguimos muita originalidade ao arrumar as obras nesta ordem. O livro conseguiu captar a minha contradição interna e dar a ideia de movimento, de querer fazer tudo ao mesmo tempo, ao não separar meu trabalho por gênero, finaliza. SOBRE NUNO RAMOS Nascido em 1960, o paulista Nuno Ramos é formado em Filosofia pela USP e é pintor, desenhista, escultor, escritor, cineasta, cenógrafo e compositor. Um dos fundadores do ateliê Casa 7, que reunia artistas influenciados pelo neo-expressionismo alemão da década de 1980, fez sua primeira exposição individual em 1983, no SESC Vila Nova (SP). Participou de diversas bienais de São Paulo (1985, 1989, 1994 e 2010), Cuenca (1991) e Veneza (1995). Nuno fez, ainda, exposições individuais na Gallery 32 (Londres), no Galpão Fortes Villaça (SP), MAM (RJ), Galeria Anita Schwartz (RJ), Instituto Tomie Ohtake (SP), Galeria Bernardo Marques (Lisboa), Brooke Alexander Art Gallery (Nova York), entre outros. Entre as exposições coletivas, destaca-se a exposição itinerante Ultrabaroque Aspects os Post Latin American Art, em San Diego, Porto Rico, Chicago, Valência, São Francisco e Mineápolis. Recebeu a 1ª Bolsa Émile Eddé de Artes Plásticas do MAC/USP, em 1987. Foi consagrado também com diversos prêmios, como o Grant Award da Bernett and Annalee, Newman Foundation (2006), pelo conjunto da obra e o Prêmio Portugal Telecom de Literatura, pelo livro Ó. Em 2000 venceu o concurso El Olimpo Parque de La Memoria, para a construção do monumento em Buenos Aires em homenagem aos desaparecidos durante a ditadura militar argentina.