*Rafaella Elika Borges
Especial para o DC Ilustrado
O vigía vigia a vigília. Humilde e quase ridícula que acontecia em uma igreja do outro lado da rua sem saída no centro. O vigía vigia a Virgínia. Dama da noite que escorrega o quadril de um lado para o outro à procura de carência na abertura de qualquer carteira com $50 dólares. O vigía vigia a virilha. Do mesmo caminho torto que vendia seu corpo a qualquer desesperado disposto. Agora... O vigía vigia o homicídio. Na rua do lado, observa ainda a virilha feita por um par de coxas brancas e lisas, estirada e molhada de sangue impuro e que agora começa a cheirar morte. O vigía vigia o suicídio. Do suposto psicótico pobre de alma e dinheiro que se recusou a pagar o prazer e teve o desprazer de ferir lasqueando a cintura em que arranhou no banco de trás de um carro velho e roído pela ferrugem, pena que nem o Diabo o quis e preferiu fazer arder a consciência ao invés do corpo. O vigía vigia o presídio. Lugar da sublime culpa pela morte da linda puta que para sempre se pôs a dormir. *Rafaella Elika Borges é estudante de gastronomia e escreve semanalmente no DC Ilustrado.