ESPORTES
Quarta-feira, 09 de Junho de 2010, 20h:40
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A FESTA VAI COMEÇAR
Show em Soweto abre a Copa africana
A bola só vai rolar amanhã com África do Sul e México, mas a abertura oficial será hoje com uma grande festa promovida pela Fifa
DANIEL AKSTEIN BATISTA E JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
A bola só rola amanhã, mas após muita expectativa a Copa do Mundo de 2010 tem seu início oficial hoje, com um show em Soweto, bairro mais conhecido de Johannesburgo. Depois de cinco Mundiais consecutivos em países ricos, a Fifa abre sua primeira Copa na África e o primeiro em 20 anos em um mercado emergente. Ironicamente, o torneio no continente mais miserável do planeta será o que vai gerar a maior renda na história desta competição Pela primeira vez em um Mundial, a abertura será um dia antes do jogo inicial - os donos da casa enfrentam o México, no Soccer City, amanhã. No Orlando Stadium, hoje, a partir das 20 horas (14 horas de Mato Grosso), cerca de 30 mil pessoas vão acompanhar o evento que tem entre suas estrelas a cantora colombiana Shakira e a banda Black Eyed Peas. Como era de se esperar, e o que gerou muita reclamação dos sul-africanos, a Copa começa para os mais abastados. Apesar de o show ser em Soweto, um dos lugares mais pobres do país, a população não tem condição de pagar os 450 rands (pouco mais de R$ 100) pelo ingresso mais barato. Se boa parte do povo sofre com a miséria, a Fifa consegue com a abertura da Copa na África superar mais uma fronteira no mundo do futebol e vive o período de maior exuberância financeira em seus 106 anos de existência. A entidade indicou ontem que o Mundial renderá US$ 3,2 bilhões, 50% superior ao obtido na Alemanha. A estimativa é de que o dinheiro obtido pela Fifa seja três vezes maior que o que ficará com a economia sul-africana. Só em um fundo de reserva para emergências, a Fifa soma US$ 1 bilhão em suas contas, um patrimônio superior a pelo menos dez países africanos. A Copa também será a primeira a ter mais de US$ 1 bilhão em renda obtida de direitos de televisão e marketing. Para a Fifa, o evento na África do Sul prova que seus parceiros comerciais estão menos preocupados com a sede do que muitos imaginariam. Mais de 80% dos contratos assinados pela Fifa com seus parceiros tiveram valores superiores ao que a entidade obteve na rica Alemanha, a maior economia da Europa. Mas para garantir os lucros, a Fifa montou um verdadeiro esquema de guerra para proteger as empresas associadas e que pagaram pequenas fortunas para vender seus produtos com o logo da Copa. Mais de US$ 20 milhões de itens foram apreendidos nos portos sul-africanos, com logos falsificados em produtos não autorizados. Com mais da metade da economia sul-africana dominada pelo setor informal, a Fifa também descobriu que organizar um Mundial em um país emergente tem seus desafios: 2,5 mil processos foram abertos contra empresas e simples pessoas que optaram por usar o nome da Copa do Mundo para tentar ter algum lucro. O Sindicato de Pequenas e Médias Empresas Sul-Africanas se aliou aos vendedores ambulantes para pedir que a Fifa relaxe as exigências, o que não foi atendido. Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, argumenta que está "defendendo o futebol" ao proteger os parceiros comerciais. "É com o dinheiro gerado na Copa que a Fifa se mantém e financia o futebol pelo mundo", disse. Ele ainda alerta: "tudo que você está vendo aqui será aplicado no Brasil também", afirmou. Nem todas as vozes dentro da Fifa estão satisfeitas com a situação financeira. Julio Grondona, vice-presidente, emitiu um parecer alertando que a Fifa tem dependido muito do dinheiro obtido na Copa para sua existência. "Estamos muito dependentes de um só evento", disse. Um ponto negativo foi a venda de ingressos VIP, um filão que a Fifa aposta como sendo chave nos lucros finais do Mundial e que mostrou a fragilidade do sistema - 38 mil destas entradas encalharam e foram recolocados à venda com preços mais baixos. A meta da Fifa é a de recuperar esse prejuízo com a Copa no Brasil, em 2014. CANTORES - A festa de hoje promete mais surpresas do que as já programadas. Ao longo dos últimos meses, a população sul-africana reclamou dos artistas escolhidos - ela queria mais cantores locais. A Fifa, então, tratou de amenizar a crise e convidou conhecidos cantores do país para se juntar a estrelas como Alicia Keys, John Legend e Shakira, a autora da música oficial da Copa. Vários jogadores estarão presentes em Soweto. Ex-atletas e aqueles que começam a disputar o Mundial a partir de amanhã. "Temos muitas surpresas reservadas", disse o misterioso Kevin Wall, um dos produtores da festa. "Vai ser o maior eventos da África". Ontem, a maioria dos artistas esteve no Soccer City para falar da importância da confraternização. "A música e o futebol deixam as pessoas unidas, as duas são uma língua universal", disse John Legend. A transmissão da abertura oficial da Copa, com duração de três horas, será transmitida para mais de 100 países. Gilberto Gil foi o único brasileiro convidado a participar do show, mas até ontem sua presença não era confirmada pela Fifa.