ESPORTES
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008, 21h:33
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VÔLEI MASCULINO
Sem Giba, Brasil vence a Sérvia
ROBSON MORELLI
Da Agência Estado Pequim, China
O técnico Bernardinho ainda não tem a exata noção da gravidade da contusão que tirou o ponta Giba da vitória de ontem sobre a Sérvia, por 3 a 1 (25/27, 25/20, 25/17 e 25/21), a segunda da seleção brasileira masculina de vôlei na fase classificatória dos Jogos Olímpicos, e ainda não sabe se poderá contar com seu capitão no jogo contra a Rússia, à 0h30 (de Mato Grosso) da madrugada de quinta-feira. O melhor jogador do mundo nos últimos anos está com tendinite e bursite (inflamação nos ligamentos) no ombro direito, justamente o que é afetado pelas cortas. Uma reunião hoje entre os membros da comissão técnica e o atleta decidirá sua participação da partida contra os russos. Bernardinho pretende ouvir o jogador, mas vai dizer a ele para não forçar a barra, já que á apenas um duelo classificatório. "Se fosse na fase do mata-mata, sabendo que não existirá o amanhã, ele jogaria de qualquer forma, com um ou dois analgésicos no corpo. Mas embora seja contra a Rússia, um time forte, não vejo porque fazer o atleta correr esse risco agora. O campeonato é longo", diz Bernardinho. Na avaliação do médico da seleção, Ney Pecegueiro do Amaral, Giba terá de se submeter a antiinflamatórios e analgésicos durante três ou quatro dias. Nesse período, o seu trabalho de bola será restrito, somente em posições de defesa. No jogo contra a Sérvia, Giba esteve com o grupo passando orientações e torcendo bastante, mas não entrou um único minuto na quadra. Bernardinho escolheu Murilo para substitui-lo. "Ele fez uma partida com louvor. Foi até melhor que alguns outros, uma nota 7,5 eu diria", elogiou o técnico. Ao mesmo tempo, foi fácil perceber durante o jogo a preocupação de Giba com sua contusão. Ele segurou o braço direito o tempo todo nos aquecimentos em paradas técnicas. Parecia tenso. "Tive uma dor no ombro na noite anterior e decidimos fazer uma ressonância magnética na Vila Olímpica para checar a gravidade dela. O exame acusou a tendinite. Não sei se jogarei contra a Rússia", disse. Se dependesse de sua vontade, ele entraria em quadra contra o mesmo adversário que tirou o bronze do Brasil na fase final da Liga Mundial, no Rio. O desejo de devolver a derrota existe. "A Liga já passou e sabemos que não há mais como dar o troco nos russos nem nos americanos, que também nos derrotaram. Mas estamos engasgados com essas equipes sim. Teremos de jogar bem para vencê-los desta vez", comentou Murilo, reconhecendo que não é fácil substituir Giba numa Olimpíada. Para o líbero Escadinha, todas as partidas são importantes para o Brasil. "Quem quer chegar tem de atropelar todo mundo. Não dá para pensar diferente." Contra os sérvios, a defesa do Brasil funcionou bem. Mas precisou tomar um susto antes. "Relaxamos no primeiro set e perdemos depois de estar na frente do marcador. Isso nos mostrou que não podemos dar ponto para nenhuma equipe aqui em Pequim. O equilíbrio é tão grande que se isso acontecer você depois não consegue recuperar mais esse ponto", explicou Murilo. Neste ano, foi a quinta partida contra a Sérvia, e a primeira que não foi para o quinto set - na Liga Mundial foram três vitórias e uma derrota para o Brasil, sempre até o tie-break. "Não tem jogo fácil. É tudo pedreira", completou Escadinha. Enquanto dava entrevistas após a segunda vitória do time na China, Bernardinho já pensava em alguns lances do jogo que viu entre Rússia e Sérvia, na primeira rodada - os russos venceram por 3 a 1. Ele está convicto de que o Brasil não deve entrar no duelo de força dos russos. Sabe que não será fácil. Diz que a seleção terá de se valer também de uma atuação mais tática. "Vai ser um jogo de força, claro, de muitos saques fortes e bloqueios Mas teremos também de ser inteligentes." Ontem, a Rússia sofreu para derrotar a Alemanha por 3 a 2 (25/27, 25/21, 21/25, 25/23 e 16/14), em mais de duas horas de partida, enquanto a Polônia bateu o fraco Egito por 3 a 0 (25/21, 25/18 e 25/10). Polônia, Rússia e Brasil somam hoje duas vitórias, mas os poloneses levam vantagem no ponto average, primeiro critério de desempate. Uma vitória contra a Rússia já garantiria a seleção brasileira nas quartas-de-final.