ESPORTES
Terça-feira, 09 de Janeiro de 2001, 20h:06
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CPI DO FUTEBOL
Ronaldo depõe hoje sem os exames
O principal pedido da CPI da CBF/Nike para Ronaldo, que depõe hoje na Câmara, a partir das 9h, não deverá ser atendido. O atacante da Inter, que viajaria ontem à noite para Brasília, diz não ter ficado com o resultado dos exames que realizou na Clínica Des Lillas, na periferia de Paris, momentos antes da final da Copa da França, em 1998. Segundo a assessoria de Reinaldo Pitta, um dos empresários de Ronaldo, o resultado ficou com o médico Joaquim da Matta, que acompanhou o atleta no local. Nos exames - tomografia computadorizada e encefalograma -, o empresário insiste que não foi constatado nenhum problema neurológico em Ronaldo. Usa como testemunho o depoimento de Philippe Krief, diretor-geral da Des Lillas, que disse que o atleta não sofreu trauma neurológico antes da final. Mesmo assim, como tanto Da Matta quanto Lídio Toledo, os dois médicos da seleção, não apresentaram o resultado dos exames à CPI, alegando sigilo médico, seus integrantes tinham pedido que Ronaldo o apresentasse. Além da falta do exame, o atacante deve desapontar a CPI já que não teria nada de novo a apresentar. Ele vai falar o que já falou mais de um milhão de vezes, explicou Rodrigo Paiva, assessor de Ronaldo. Nas ocasiões anteriores, Ronaldo disse que, depois de ter sido avisado pelos seus companheiros, na hora do lanche, momentos antes da ida ao estádio, de que teria sofrido uma convulsão, foi com Da Matta à clínica francesa. Lá fez os exames e foi dispensado. Estando apto a jogar, teria pedido a Zagallo para entrar em campo. Dirá ainda não ter sofrido nenhuma interferência da Nike, sua patrocinadora pessoal e parceira da Confederação Brasileira de Futebol desde 1996, para atuar. Apesar de reconhecer que não atuou bem, Paiva afirmou que o atacante vai dizer que não pode ser responsabilizado pela derrota para a França. Ele não pode ser usado como desculpa pelos outros jogadores, explicou Paiva, lembrando que os demais também se saíram muito mal. Assim como Pitta, Paiva não acredita que Ronaldo terá dificuldades no depoimento. Ele nem era obrigado a depor. Vai depor por livre e espontânea vontade. Por isso mesmo, ele não tinha a intenção, orientado por Reinaldo Pitta e Alexandre Martins, seu outro empresário, a entregar para a CPI o contrato pessoal - e vitalício - que tem com a Nike. Especula-se que Ronaldo receba da multinacional cerca de US$ 1 milhão por ano. Para a assessoria de Ronaldo, que irá acompanhá-lo hoje em Brasília, todos seus rendimentos estão declarados e à disposição da Receita Federal - e não da CPI.