ESPORTES
Quarta-feira, 08 de Dezembro de 2010, 20h:33
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CORINTHIANS
Ronaldo critica calendário brasileiro
SÍLVIO BARSETTI
Da Agência Estado Rio de Janeiro, RJ
Desinibido e com a língua afiada, Ronaldo aproveitou entrevista coletiva, ontem, no Hotel Copacabana Palace, para fazer críticas contundentes ao calendário do futebol brasileiro e à fórmula de disputa do Campeonato Paulista. Ele também encerrou as dúvidas sobre seus projetos para 2011 e prometeu empenho para levar o Corinthians ao título da Copa Libertadores. Disse que se dedicará ao máximo no ano que vem, como se estivesse no começo de sua carreira, e adiantou que não vai querer privilégios na pré-temporada. "Vou me apresentar junto com o grupo todo, (em 3 de janeiro), não tem essa de descansar mais. Vai ser o meu último ano como atleta e quero conquistas, para retribuir o carinho dos corintianos e do torcedor brasileiro, em geral", declarou Ronaldo, diante de mais de uma centena de jornalistas. "É claro que vou jogar as duas partidas da fase preliminar da Libertadores. Para o Corinthians, esses dois jogos vão ser como as finais da competição", prosseguiu Ronaldo, referindo-se aos confrontos dos dias 26 de janeiro e 2 de fevereiro, contra um clube da Colômbia, ainda não definido. Ronaldo foi a grande atração do segundo e último dia do Footecon, fórum internacional de futebol realizado no Rio, coordenado por Carlos Alberto Parreira, e fez praticamente um discurso contra o calendário do futebol do País. Pediu uma revisão do Paulista, com a adoção de uma fase eliminatória entre clubes do interior antes propriamente do início do torneio, o que determinaria a redução do número de clubes participantes. "O Paulista com 20 clubes é desnecessário e exagerado. A gente tem 19 rodadas e mais seis para quem quiser chegar ao título. É quase o mesmo número de jogos do Brasileiro." Antes, ele reclamou da má distribuição de jogos para as grandes equipes ao longo do ano no Brasil. "São mal divididos, isso aumenta o risco de lesões e diminui a qualidade." Defendeu o sistema de pontos corridos do Nacional e ainda a realização de apenas uma partida por semana. "O clubes europeus dão 40 dias de férias para os atletas. Aqui temos somente 28. E quando começamos a pré-temporada, já somos obrigados a jogar em dez dias." MILITÂNCIA - No momento em que registrava seus protestos, Ronaldo surpreendeu ao anunciar que pretende se engajar na luta pelos direitos dos atletas, a partir e 2012. "Na Itália, Espanha, Argentina, os jogadores param os campeonatos em nome de suas reivindicações, com participação ativa dos sindicatos", comentou. "Alguém tem que fazer alguma coisa. Ninguém protege os jogadores. Eu aceitaria, sim, esse desafio, mas seria para ter poder de mando. Estou disposto a comprar essa briga e entraria de cabeça para defender uma classe muito injustiçada." Ele chegou a citar números que contradizem o imaginário popular, de que jogador de futebol é rico no Brasil. "95% deles aqui não ganham mais que um salário mínimo. Somente 2% recebem acima de R$ 5 mil e o restante (3%), mais de R$ 10 mil. Mas poucos sabem disso." O craque revelou que está criando uma agência com a finalidade de ajudar o atleta a planejar o futuro. "Vamos promover cursos técnicos e outras coisas, é para quem encerra a carreira e não sabe mais o que fazer." Sobre a paternidade do pequeno Alexander, de 5 anos, divulgada na terça-feira, Ronaldo se declarou emocionado. "Vou recuperar essa convivência perdida de cinco anos com ele, é mais um filho, estou muito feliz." O menino é fruto de uma relação de Ronaldo com uma garçonete, que ele conheceu em Tóquio.