ESPORTES
Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010, 19h:31
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COPA DE 2014
Novo estádio promete ser um caldeirão
Estádio do Corinthians, em Itaquera, promete deixar torcedor mais perto do time e com uma excelente visão da partida
PAULO FAVERO E BRUNO DEIRO
Da Agência Estado - São Paulo
Sonho antigo do Corinthians, o estádio que será construído em Itaquera (zona leste de São Paulo) promete deixar o torcedor, literalmente, mais perto do time. De concepção europeia, a arena será compacta para gastar menos dinheiro. Quem ficar na primeira fila na parte central estará a apenas sete metros dos atletas. Já atrás dos gols, a visibilidade também é muito boa: cerca de 10 metros do espetáculo. Em formato quadrangular, o estádio terá 65% dos lugares com visão considerada ótima pela Fifa - o resto está dentro do recomendável. Ao redor do campo, grades metálicas não obstruem a visão do espectador e podem ser dobradas para frente, para evitar problemas em caso de tumulto nas arquibancadas. A construção, que vai aproveitar o desnível do terreno, permitirá ao torcedor chegar pela parte de cima. Serão poucos os lugares em que a torcida terá de subir escadas para se acomodar. O projeto é de dois escritórios de arquitetura do Rio de Janeiro, o Coutinho, Diegues e Cordeiro, e o DDG. Também foi feita parceria com o escritório alemão Werner Sobek, que fez cálculos estruturais na Alemanha e ficou responsável pela tecnologia de sustentabilidade e racionalidade de energia. O teto é fixo, com perfil aerodinâmico calculado em túnel de vento. Assim, além das razões estéticas, é bem leve e barato. É muito comum em estádios a falta de vento no gramado, que faz com que a grama apodreça. Na arena corintiana, esta foi a forma encontrada para permitir a circulação de ar bem equilibrada e também refrescar os torcedores, principalmente no verão. As obras vão ocorrer em um terreno cedido há cerca de 30 anos ao Corinthians, que tem a concessão por mais 60. O projeto foi feito inicialmente para 70 mil pessoas, segundo solicitação do Corinthians. Mas a capacidade atual é de 48.234 lugares. A ideia do presidente Andrés Sanchez era que o estádio pudesse crescer nos anos seguintes, de acordo com a demanda da torcida e do crescimento vegetativo da cidade. Tudo seria feito por módulos, para acompanhar esse movimento da Fiel. Mas com a necessidade de usar o estádio para a abertura da Copa do Mundo em 2014, os planos tiveram de ser acelerados. O custo vai aumentar e a discussão será se o aumento do público atrás dos gols para o torneio será definitivo ou provisório. Isso será definido nos próximos dias. CONTRATO - Além do anúncio oficial, o Corinthians assina hoje um pré-contrato com o grupo Odebrecht para construção. A diferença é que agora o panorama mudou completamente, já que o futuro endereço do Corinthians vai virar estádio de Copa. O documento a ser assinado é um pré-contrato porque o documento definitivo precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo. O projeto original previa um orçamento de R$ 350 milhões. A Odebrecht bancaria a obra e teria direito a explorar a arena por um prazo máximo de 15 anos. O retorno do investimento viria da venda do "naming rights" para uma grande empresa. Com a possibilidade de se tornar o palco de abertura da Copa, o nome do estádio passa a ser ainda mais valorizado, devido ao alto grau de exposição na mídia. Pessoas que acompanham o projeto afirmam que os técnicos da Odebrecht passaram os últimos dias debruçados sobre as modificações do projeto, para transformá-lo um praça com padrão Fifa e capacidade para mais de 65 mil pessoas. Ainda não haveria previsão de custos para o novo projeto. Primeiro será feito o anúncio oficial. Depois, o projeto será terminado. O acordo no qual o Corinthians confia para a construção de seu estádio é conhecido como "naming rights" e segue modelo usado na Europa. O inglês Arsenal e o Bayern de Munique, da Alemanha, são exemplos bem-sucedidos de clubes que cederam o nome de suas arenas a empresas privadas. Em 2004, o time londrino obteve 100 milhões de euros (cerca de R$ 270 milhões) de uma empresa aérea árabe por 15 anos de uso, que incluía também o anúncio na camisa por 8 anos. Já o Bayern recebeu 90 milhões de euros (R$ 200 mi) de uma seguradora alemã para ceder os direitos por 30 anos. OUTRA OPÇÃO - O prefeito Gilberto Kassab (DEM) admitiu que tentou negociar a adequação do complexo de eventos em Pirituba, mas não havia tempo hábil para a execução da obra. "Esta área (em Itaquera) é ideal. Consideramos uma hipótese inexequível a viabilização em Pirituba. Esta (Itaquera) é a única que sobrava", disse Kassab. "Se não puder ser este, não haverá abertura (da Copa) em São Paulo". Depois, porém, o prefeito abriu possibilidade de outro estádio paulista receber a Copa de 2014. "O Palmeiras apresentou a Arena Palestra, que tem projeto bem encaminhado e também pode receber jogos da Copa. Poderíamos ter dois estádios no Mundial, mas ainda temos de conversar com a CBF sobre isso". (colaborou David Friedlander)