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ESPORTES
Sexta-feira, 23 de Julho de 2010, 20h:16

FLUMINENSE

Muricy decide ficar nas Laranjeiras

BRUNO LOUSADA
Da Agência Estado – Rio de Janeiro, RJ
A diretoria do Fluminense se surpreendeu, na manhã de ontem, ao saber que o técnico Muricy Ramalho estava reunido com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em um clube da zona oeste do Rio. Havia o temor de que ele largasse o time na liderança do Campeonato Brasileiro e assumisse a seleção. Cerca de duas horas depois que o encontro terminou, a cúpula do Fluminense entrou em contato com o representante do treinador, Márcio Rivelino, e ouviu o que tanto queria: Muricy Ramalho permaneceria no clube, pois já havia acertado verbalmente a renovação de contrato até dezembro de 2012 antes de receber o convite da CBF. Todos nas Laranjeiras respiraram aliviados. "O Muricy vai continuar conosco, vai cumprir seu compromisso. Pessoas do nível dele são necessários no esporte mundial", disse o presidente do Fluminense, o médico Roberto Horcades, em entrevista coletiva na tarde de ontem, no salão nobre das Laranjeiras. Deu o recado e foi embora. Tinha de voltar para o consultório. Mais cedo, o desabafo de Horcades à Agência Estado, dizendo aos gritos que a CBF tinha de ir atrás do técnico Mano Menezes, do Corinthians, é um exemplo de que sua relação com Ricardo Teixeira não é das melhores. Ao contrário. Cardiologista e ex-diretor do Hospital das Laranjeiras, Horcades chegou a ser amigo e médico de Teixeira. Ao tomar posse no Fluminense, em 2005, Horcades foi várias vezes cortejado pelo presidente da CBF. Nos últimos três anos, tornou-se o dirigente de maior prestígio na entidade, tendo participado de comissões na Confederação Sul-Americana de Futebol e na Fifa. Em conversas reservadas, Horcades falava que seria o sucessor natural de Ricardo Teixeira na CBF. Houve algumas desavenças entre eles e a ruptura se deu na reeleição de Fábio Koff na presidência do Clube dos 13, em abril. O motivo: o presidente do Fluminense não votou no candidato apoiado pela CBF, no caso Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo. Com isso, a relação entre clube e entidade ficou totalmente estremecida. Nos bastidores das Laranjeiras, na zona sul do Rio, havia comentários ontem de que o convite a Muricy Ramalho, em parte, teria o interesse político de atingir o Fluminense, líder isolado do Campeonato Brasileiro com um time ajustado. Após ser convidado para ser o novo técnico da seleção, Muricy seguiu sua rotina. Foi para o clube, passou apressado pelo estacionamento, entrou no vestiário, trocou de roupa e comandou o treinamento. Nas arquibancadas, vários torcedores pediam para ele ficar. Depois da atividade, Muricy saiu em silêncio. Ele só deve conceder entrevista após o clássico de domingo, contra o Botafogo, no Engenhão. Enquanto isso, a diretoria do Fluminense não cansava de elogiar o "caráter" do treinador. Um dirigente disse que o treinador poderia ter saído "tranquilamente", pois seu contrato atual, que expira no fim do ano, é apenas verbal. Conforme combinado antes da proposta da CBF, Muricy Ramalho vai assinar, na semana que vem, um outro contrato com o Fluminense, com um pequeno reajuste salarial e validade até dezembro de 2012. "O Muricy é um treinador que cumpre os seus contratos. O caráter do homem Muricy não é surpresa nenhuma para a gente. Para muitos, a palavra não vale. Mas o Muricy mostrou que o documento é o que menos importa. Se ele deu a palavra, ele cumpre", afirmou o vice-presidente de futebol do Fluminense, Alcides Antunes. "O Ricardo Teixeira já deu a posição dele, e a nossa é a de que o Muricy fica só no Fluminense. Se o clube pudesse liberá-lo, faríamos isso. Mas não temos interesse nenhum. É um projeto, não só para agora, e ele está muito feliz aqui", emendou Alcides Antunes. Ao lado de Celso Barros, presidente da empresa de saúde patrocinadora do time, Alcides Antunes deixou claro que o Fluminense não aceita dividir o treinador com a seleção e destacou que a diretoria do clube não tem a obrigação de entrar em contato com a CBF para avisar que não vai liberar Muricy Ramalho. "Assim como eles não nos ligaram para perguntar se poderiam fazer o convite ao nosso treinador, também não ligamos para a CBF para comunicar a decisão do Muricy de permanecer. Eles não agiram errados, não vou dizer que foram totalmente éticos, mas não os recrimino não", declarou Alcides Antunes.

Edição EDIÇÃO 16966




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