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ESPORTES
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008, 21h:21

RELUZ, POIS É OURO!

Maurren ganha ouro

Por Sofia, Maurren Maggi volta 3 anos depois ao atletismo depois de ser flagrada no doping para conquistar o ouro

EDUARDO MALUF E WILSON BALDINI JR.
Da Agência Estado – Pequim, China
Maurren Maggi estava no auge em 2003 e se preparava para o Pan de Santo Domingo e os Jogos Olímpicos de Atenas. Foi suspensa por doping, entrou em depressão e decidiu abandonar a carreira. Dois anos mais tarde teve uma filha, Sofia, a responsável por levá-la de volta ao atletismo. "Precisava sustentá-la, criá-la, mas não estudei e não sabia fazer nada fora do esporte, tive de voltar." Sofia tem só 3 anos de idade, mas pode se considerar fundamental na campanha brasileira em Pequim. Graças à garota, Maurren conquistou ontem a medalha de ouro no salto em distância, o segundo título do País na Olimpíada chinesa. A paulista de São Carlos atingiu 7,04 metros e deixou para trás - por 1 centímetro - a última campeã, a russa Tatyana Lebedeva, e a nigeriana Blessing Okagbare, bronze. Sua história é daquelas marcantes, que valem o enredo de um filme. Como uma atleta pode retomar a carreira, fora de forma, em baixa, apagada, e se tornar a melhor do mundo? "Vivi hoje (ontem) o segundo melhor momento da minha vida", desabafou. "O primeiro foi o nascimento de minha filha." Sofia, fruto da relação com o ex-piloto de Fórmula 1 Antônio Pizzonia, tirou a mãe da depressão. Hoje, só o atletismo é capaz de separá-las e, mesmo assim, com muito custo. A menina chegou a pedir a Maurren que não viajasse: "Você já tem muitas medalhas, mãe". A saltadora chorou, mas disse que não poderia perder a oportunidade. Um pódio mudaria a vida delas, justificou. E realmente já está mudando. O primeiro prêmio, de um dos patrocinadores, é de R$ 100 mil. E vários outros virão. A noite de ontem em Pequim, ainda manhã no Brasil, foi épica. Maurren se tornou a primeira mulher a conquistar medalha olímpica no atletismo e encerrou jejum de 24 anos do País sem ouros no esporte. O último fora conquistado por Joaquim Cruz nos 800 metros, em Los Angeles/84. "É inacreditável, vou voltar para casa com medalha", gritou, para que todos ouvissem. Na pista do Ninho do Pássaro, a brasileira exibia semblante de campeã: tranqüila e, ao mesmo tempo, determinada, ciente de que era uma das favoritas. No primeiro salto, cravou 7,04 metros e intimidou as rivais. Na sexta e última tentativa da principal adversária, Lebedeva, levou um susto. A russa alcançou 7,03 metros. Ufa! Era hora da festa e da volta olímpica para cerca de 90 mil pessoas. Nas mãos, uma bandeira do Brasil e outra da China. Chegou a hora do hino nacional e, também, do choro. Acabada a cerimônia, com a medalha no peito, Maurren, eufórica, foi para a sala de entrevistas. A primeira pergunta, de um jornalista estrangeiro, foi justamente sobre o doping. A atleta tratou de dar, mais uma vez, sua versão para o caso. "Foi uma fatalidade, por causa de uma pomada que passei, sempre fui muito vaidosa", contou. Em sua urina foi encontrada a substância clostebol, um esteróide anabolizante, que, segundo Maurren, estaria presente no creme cicatrizante utilizado após uma sessão de depilação. Agora, após a volta por cima, os sonhos crescem. E, apesar dos 32 anos, a saltadora já fala no bicampeonato olímpico. "Quero ir para mais uma Olimpíada e, quem sabe, conquistar mais uma medalha", declarou. "Vou batalhar muito para estar em Londres." Nélio Moura foi atleta de salto triplo, mas não era dos bons. Apaixonado pelo atletismo, o carioca, que mora em São Paulo desde os cinco anos de idade, foi estudar Educação Física e começou a dar aulas em academias. Desde 1988, o treinador sempre tem um atleta em ação nos Jogos Olímpicos. Em Pequim, aos 45 anos, atingiu o auge da carreira: seus dois maiores pupilos subiram no lugar mais alto do pódio. E na mesma prova: o salto em distância.

Edição EDIÇÃO 16966




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