O treino atrasou mais de 45 minutos, Robinho não apareceu, o vidro de uma janela do ônibus da delegação estava quebrado. Dunga pediu que os microfones direcionados para captar som ambiente fossem retirados das laterais do campo e de trás de uma das balizas. Debaixo de sol forte, pouco mais de 30 crianças e adolescentes assistiam do alambrado da Granja Comary ao treino físico-técnico da seleção brasileira como quem assiste, à distância, a um jogo de golfe. Lá onde os jovens permaneciam espremidos e até se revezavam para "fazer escadinha" - enquanto um juntava as mãos, entrelaçando os dedos, o outro apoiava os pés ali e ganhava altura para tentar ver algo -, ninguém se manifestava com mais entusiasmo. Um ou outro chamado por Ronaldinho Gaúcho, tímido, sem muito fôlego. Nada além disso. Foi assim mais uma tarde de trabalho da seleção, sem graça, sem alegria, burocrática. Dunga, com seu apito de guarda de trânsito enrolado nas mãos, olhava meio enviesado para o público cativo da seleção - cerca de 80 jornalistas, devidamente instalados atrás de grades, algumas pontiagudas, cordinhas e outras demarcações.