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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010, 21h:16

FUNDO DO POÇO

Malouda pede desculpas pelo vexame

O meia francês disse se sentir envergonhado pelo que aconteceu na África do Sul e diz que agora é hora de aprender com a lição

Após a decepcionante desclassificação na Copa do Mundo da África do Sul, o meia francês Florent Malouda desculpou-se publicamente com seus torcedores. Ele admitiu que restaurar a reputação da seleção é agora uma prioridade. O técnico Raymond Domenech e seus jogadores eram esperados para retornar ontem a Paris com uma recepção hostil de um país chocado com o comportamento durante o torneio. O atacante Nicolas Anelka foi dispensado depois de xingar Domenech, fazendo com que o resto dos jogadores entrassem em greve e se recusassem a treinar antes da derrota da França por 2 a 1 para a África do Sul, que deixou a seleção em último lugar no Grupo A. "Foi um completo desastre a forma que escolhemos para nos expressar", disse Malouda. "Nós, sinceramente, não sabíamos que iríamos afetar tanto as pessoas. Não poderíamos imaginar o que viria depois disso. Estamos muito tristes pela população francesa como também pelos torcedores. Não é isso que queríamos mostrar", acrescentou o jogador que marcou o único gol francês neste Mundial. "A imagem que temos mostrado ao mundo, a maneira como eles veem a França agora é um desastre. Como jogadores, somos os primeiros responsáveis por isso. Antes da Copa do Mundo tínhamos grandes expectativas, e nós saímos sem ganhar um único jogo", completou. REPERCUSSÃO - O pedido de desculpas de Malouda chegou em um momento de fúria da imprensa francesa. Ontem, um dia após a eliminação nesta Copa do Mundo, os jornais fizeram duras críticas aos jogadores e à forma com que deixaram a competição. O L'Equipe estampou em sua manchete o seguinte título: "Viagem ao fundo do inferno". Nela, classificou os jogadores como "incapazes" e comparou a atuação no Mundial deste ano a da Copa de 2002, quando a equipe também foi eliminada na primeira fase, sem marcar um gol sequer. Já o Le Monde foi além e chamou os acontecimentos polêmicos ocorridos durante o torneio - a exclusão de Anelka após ofensas ao técnico Raymond Domenech, o boicote ao treinamento e a briga entre o preparador físico e o capitão Evra - de "guerra civil futebolística". Além disso, afirmou que, por tudo que ocorreu, "a derrota pareceu quase normal". Outro dos principais diários franceses, o Le Figaro publicou que "os Azuis deixaram a Copa do Mundo pela porta dos fundos", em manchete. Ao analisar a partida contra os sul-africanos, a publicação comparou o desempenho da seleção a uma "via-crúcis", além de dizer que os jogadores eram "incapazes de reagir". MEA CULPA - O palácio presidencial da França divulgou, nesta quarta-feira, que Thierry Henry vai se encontrar com o presidente Nicolas Sarkozy para discutir a decepcionante campanha da equipe na Copa do Mundo da África do Sul. O porta-voz Franck Louvrier disse que o maior artilheiro da seleção francesa e ex-capitão pediu pessoalmente para se reunir com Sarkozy e revelou que o encontro acontecerá na quinta-feira. Durante o Mundial, Henry foi reserva da equipe dirigida por Raymond Domenech. Luc Chatel, porta-voz do governo, afirmou que Sarkozy também terá uma reunião de trabalho com ministros, nesta quarta-feira, para discutir uma reforma no futebol do país. PUNIÇÃO - A Fifa ainda não começou nenhuma investigação sobre o incidente envolvendo Raymond Domenech e o brasileiro Carlos Alberto Parreira, após o final da partida entre África do Sul e França, em Bloemfontein. Terminado o confronto, Parreira foi até o francês e tentou cumprimentá-lo. Domenech, no entanto, ignorou a gentileza e, ainda, discutiu com o treinador da África do Sul. A falta de fair play, especula-se, é passivo de punição. Segundo disse o porta-voz da Fifa, Pekka Odriozola, nesta quarta-feira, o comitê disciplinar da entidade ainda não abriu nenhuma investigação contra Domenech.

Edição EDIÇÃO 16962




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