ESPORTES
Terça-feira, 16 de Setembro de 2008, 20h:34
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PARAOLÍMPIADA
Lucas Prado conquista o terceiro ouro
O mato-grossense de Rondonópolis, e que treina em Santa Catarina, e que é o atleta cego mais rápido do mundo cumpriu a promessa
O mato-grossense de Rondonópolis, Lucas Prado alcançou ontem o sonho de conquistar três medalhas de ouro nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Depois de ter sido ouro nos 100m e título de o atleta cego mais rápido do mundo e vencer os 200m, ele foi a estrela máxima na final dos 400 metros classe T11, ficando com o primeiro lugar da prova no Ninho de Pássaro, em Pequim, na China. O velocista rondonopolitano travou um duelo emocionante com o angolano José Armando, superando o rival nos metros finais com um sprint sensacional. Lucas Prado cravou 50s27, contra 50s44 do adversário. A medalha de bronze ficou com o ucraniano Oleksandr Ivaniukhim, com 50s82. Outro brasileiro na disputa, Daniel Silva foi o quarto. Considerado o mais veloz dos atletas paraolímpicos, Prado, de 23 anos, já havia conquistado a medalha de ouro nos 100 metros rasos (com 11s03, recorde mundial) e nos 200 metros rasos (22s48, recorde mundial). "Estou me sentindo muito cansado e muito feliz. Estou exausto, com dor nas pernas, mas o gosto da medalha compensa tudo isso. Tenho orgulho de ser brasileiro. Acho que estamos fazendo um Brasil novo, com recordes e medalhas de ouro. É uma grande emoção", disse. Ao lado do guia Justino Barbosa, Prado esteve imbatível nas provas individuais em Pequim e só não subiu ao lugar mais alto do pódio na disputa do revezamento com a equipe brasileira. Após ficar no segundo lugar na eliminatória, o time nacional foi desclassificado por ter cometido uma irregularidade durante a prova. Mesmo com três ouros, que disse que havia prometido conquistar, o velocista não esqueceu a frustração e tratou de oferecer as medalhas aos companheiros. "Eu consegui as medalhas que eu prometi e vim buscar. É uma história de superação", disse. "Foram três medalhas suadas, doloridas. Dedico isso aos meus companheiros de revezamento que foram desclassificados da prova junto comigo e a todos os brasileiros", falou Lucas. "Agora quero descansar. Para mim é tudo alegria agora. Estou morrendo de saudade do Brasil", finalizou. O atleta mato-grosssense perdeu 90% a visão há cinco anos, quando trabalhava em um banco e teve deslocamento da retina. Em 2006, ele acabou perdendo toda a visão. Foi quando resolveu entrar para o atletismo em Rondonópolis. Atualmente, ele treina em Joinville, em Santa Catarina, com o acompanhamento do guia Justino Barbosa. Os três ouros em Pequim não são as principais conquistas da carreira de Prado. No ano passado, ele brilhou no Parapan do Rio de Janeiro ao levar ouro nos 100 m, 200 m e 400 metros. Feminino - Depois de bater na trave em duas oportunidades nos Jogos de Pequim, ao levar a prata nos 100 m e o bronze nos 400 m, a brasileira Terezinha Guilhermina, que treinou por alguns anos na Universidade Federal de Mato Grosso e que residia com os irmãos no Parque Cuiabá, enfim pode comemorar o seu primeiro ouro na capital chinesa ontem. Bastante emocionada, a velocista não resistiu à emoção de subir ao lugar mais alto do pódio e dedicou a conquista ao seu pai. Depois de ser a mais rápida na disputa dos 200 m rasos, Guilhermina lembrou o incentivo que recebeu da família nos tempos mais difíceis. "Dedico o ouro a meu pai, porque é meu maior fã e é uma medalha que lhe tinha prometido", disse a atleta, 29 anos. Natural do Paraná, a velocista disse que deixa a capital chinesa com a sensação de dever cumprido. Chorando após lembrar do pai, a atleta disse que acreditava muito na vitória. "Antes da prova, pensei que podia conseguir o ouro e me preparei muito para isso". Outra representante nacional que não escondeu o sorriso no pódio foi Jerusa Santos, que faturou o bronze na mesma disputa. Após sua primeira medalha paraolímpica, a brasileira disse que já traça planos maiores e espera melhorar os resultados em Londres, nos Jogos de 2012. "Foi minha melhor corrida. Não esperava ganhar a medalha antes desta prova", disse. "Tenho pensado em continuar e estar melhor em Londres 2012", completou.